MAS ISTO BASTA

Em tuas mãos, oh Deus, eu me abandono.
Vira e revira esta argila, como o barro
na mão do oleiro.

Dá-lhe forma e depois, se quiseres,
esmigalha-a, como se esmigalhou
a vida de João, meu irmão.
Manda, ordena.
Que queres que eu faça?

Que querem que eu faça?
Elogiado e humilhado,
perseguido,
incompreendido
e caluniado,
sonsolado, sofredor,
inútil para todos,
não me resta senão dizer
a exemplo de Tua Mãe:

“Faça-se em mim segundo a Tua palavra.”

Dá-me o amor por excelência,
o amor da Cruz;
não o da cruz heróica,
que poderia nutrir
o amor próprio,
mas o da cruz vulgar,
que carrego com repugnância,
daquela que se encontra
cada dia na contradição,
no esquecimento,
no insucesso, nos falsos juízos,
na frieza, nas recusas
e nos desprezos dos outros,
no mal-estar e nos defeitos do corpo,
nas trevas da mente e na aridez,
no silêncio do coração.

Então somente Tu saberás que Te amo,
embora eu mesmo nada saiba.
Mas ISTO BASTA.

(R. Kennedy – Frades Menores Capuchinhos)

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