A Crisma (parte I) nas Escrituras

imagesO Sacramento da Crisma está fortemente fundamentado nas Escrituras Sagradas, muito embora não possamos ver os nomes “confirmação” ou “crisma” nelas contido, porém a nomenclatura não é o que importa e sim o ato que é feito como sacramento e que está em diversas partes da bíblia como verem a seguir:

“Por isso, deixando os rudimentos da doutrina de Cristo, prossigamos até à perfeição, não lançando de novo o fundamento do arrependimento de obras mortas e de fé em Deus, E da doutrina [διδαχὴν] dos batismos [βαπτισμῶν, lit. batismos], e da imposição das mãos [ἐπιθέσεώς τε χειρῶν], e da ressurreição dos mortos, e do juízo eterno.” (Hebreus 6, 1-2)

Observe no grego a partícula enclítica τε: é, infelizmente, muitas vezes não traduzida em modernas traduções da Bíblia, como é o caso aqui. É um forte copulativa, na maioria das vezes simplesmente traduzida como “e”, mas denotando uma estreita, inseparável e intrínseca ligação entre as palavras ou idéias que se junta: neste caso, βαπτισμῶν διδαχὴν ἐπιθέσεώς τε χειρῶν (baptismōn didachēn epitheseōs te cheirōn) deve traduzir como “ensino de batismos e imposição de mãos”- com estas duas coisas que compartilham um vínculo interior, como se partisse da mesma ação ou idéia. Este versículo é uma referência ao “dualsacramento” da Igreja Primitiva do Batismo e da Confirmação.
Além disso, observe a progressão clara das idéias aqui: uma vez que o autor está prestes a mudar a partir do “leite” do cristianismo para “alimento sólido” (Hebreus 5, 12-14), ele resume as idéias essenciais: o arrependimento dos pecados, a fé em Deus, o Batismo, confirmação, Ressurreição dos Mortos, e Juízo final. Este é o caminho da vida cristã, os estágios, desde o nascimento cristão para a eternidade cristã.
Há pelo menos dois episódios nos Atos dos Apóstolos da Igreja Primitiva administrando a Confirmação de novos convertidos. No primeiro, São Filipe, o Evangelista (não São Felipe Apóstolo, o Filipe é um dos sete diáconos ordenados em Atos 6,1-6) foi enviado para anunciar o Evangelho em Samaria (Atos 8, 4-8 ). Filipe batizou o novo convertido lá – uma vez que qualquer cristão pode administrar o Sacramento do Batismo (CIC 1256). Os novos cristãos receberam a graça batismal, e, em alguma medida, o Espírito Santo. Mas porque só um apóstolo poderia realizar o Sacramento da Confirmação (e, portanto, hoje só um bispo ou um sacerdote a quem ele explicitamente delegou a autoridade), os samaritanos não receberam este imediatamente. E assim:
“Os apóstolos, pois, que estavam em Jerusalém, ouvindo que Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram para lá Pedro e João. Os quais, tendo descido, oraram por eles para que recebessem o Espírito Santo (Porque sobre nenhum deles tinha ainda descido; mas somente eram batizados em nome do Senhor Jesus). Então lhes impuseram as mãos, e receberam o Espírito Santo.” (Atos8,14-17)
Aqui, pela imposição das mãos, os novos cristãos Samaritanos estão confirmados na graça de Deus e receberam a medida mais completa do Espírito Santo. Uma vez que, no momento em que São Lucas escreveu o livro de Atos, a Igreja Primitiva estava ainda consubstanciar sua teologia e trabalhando para entender plenamente as efusões da graça que os cristãos estavam a receber, a terminologia teológica de Lucas ainda estava
um pouco incerta. Sabemos que os cristãos recebem a graça do Espírito Santo no Batismo – tão aparentemente esses cristãos tinham sido batizados, mas não confirmados.
Outro Episódio acorre mais tarde, quando São Paulo está em Éfeso:

“E Sucedeu que, enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo, tendo passado por todas as regiões superiores, chegou a Éfeso; e achando ali alguns discípulos, Disse-lhes: Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes? E eles disseram-lhe: Nós nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo. Perguntou-lhes, então: Em que sois batizados então? E eles disseram: No batismo de João. Mas Paulo disse: Certamente João batizou com o batismo do arrependimento, dizendo ao povo que cresse no que após ele havia de vir, isto é, em Jesus Cristo. E os que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesus. E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas, e profetizavam. E estes eram, ao todo, uns doze homens.” (Atos19, 1-7)
Depois que Paulo batizou esses homens, em nome de Jesus, ele colocou as mãos sobre eles e eles receberam a plenitude do Espírito Santo, uma vez que tinha caído no dia de Pentecostes. Este é mais um exemplo claro de que a Igreja chegou a chamar de confirmação.

E mais, a Sagrada Escritura, tanto no Antigo como no Novo Testamento, promete a efusão do Espírito Santo nos tempos messiânicos.

O Espírito ou Sopro (ruach, em hebraico) de Javé, no Antigo Testamento, significa geralmente a força de Deus a suscitar vida e obras dignas do Altíssimo através da história sagrada. Como se entende, os israelitas, não tendo conhecimento do dogma da Ssma. Trindade, ainda não concebiam o Espírito como Pessoa Divina.

Assim já nos primórdios da criação o Espírito aparece sobre o caos do mundo como que para acalentá-lo e nele fomentar a vida; cf. Gên 1,1. No decorrer dos tempos, o Espírito se comunicava aos homens chamados para realizar grandes feitos: os Juízes (cf. Jz 3,10; 6,34; 11,29), Saul (cf. 1 Sam 11,6), Moisés (cf. Núm 11,17), Davi (cf. 2 Sam 23,2), Elias (cf. 4 Rs 2,9), os profetas em geral. Por excelência, como se dirá mais abaixo, dever-se-ia derramar sobre a natureza humana do Messias, chamado a ser Rei, Sacerdote e Profeta em grau eminente (cf. Is 11,2).

Na plenitude dos tempos, a plenitude do Espírito Santo devia ser outorgada não somente a indivíduos privilegiados, mas a todos os justos. É o que prediz muito claramente o profeta Joel: num quadro dramático, Javé promete «derramar seu Espírito sobre toda carne», de modo a renovar o mundo (3,1). Ezequiel, por sua vez, anunciava a renovação interior dos fiéis mediante o Espírito de Deus como característica da era messiânica; dando o seu Espírito ou um novo princípio de vida aos homens, Javé os tornaria observantes da Lei Divina, portadores de frutos de justiça e santidade, que o Espírito faria germinar à semelhança da água que toma fecunda a terra (cf. Ez 36,26s ; 37,14 ; 39,24.29 ; Is 32,15-19; Zac 12,10).

A efusão do Espírito devia efetuar-se por intermédio do Messias. Este em sua natureza humana seria cumulado dos dons do Espírito Santo, a fim de realizar a sua obra de salvação (cf. Is 11,1-3 ; 42,1 ; 61,1).

No Novo Testamento, Cristo aparece realmente como o depositário do Espírito Santo: sobre a sua santíssima humanidade desceu o Espírito no dia do batismo (cf. Mt 3,16), penetrando-a à semelhança do óleo com que se pratica uma unção; dai o nome de Ungido (= Christós, em grego; Mashiah, em hebraico) que toca a Jesus: «O Espírito do Senhor está sobre mim, pois que me consagrou por uma unção», diz o Salvador no inicio da sua vida pública, citando Is 61,1 (cf. Lc 4,17-22).

E note-se como em torno de Jesus, justamente no limiar da era messiânica, como que para assinalar a presença do Ungido, surge um grupo de figuras ricamente agraciadas pelo Espírito Santo: Elisabete (cf. Lc 1,41-43), Zacarias (cf. Lc 1,67), João Batista (cf. Lc 1,15), Maria Santíssima (cf. Lc 1,35), Simeão (cf. Lc 2,25-32), a viúva Ana (cf. 2,36-38)…

Antes de sua volta ao Pai, Jesus, confirmando as predições do Antigo Testamento, prometeu enviar a todos os fiéis o Espírito Santo, o qual se tornaria o Advogado ou Consolador (= Paráclito) e o Mestre interior de cada um (cf. Jo 7, 37-39; 14,16s. 26 ; Lc 24,49 ; At 1,4). Pelo Espírito e no Espírito de Deus é que haviam de viver os discípulos de Cristo (cf. 1 Cor 12,3).

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