A EXPULSÃO DOS JUDEUS DA ESPANHA

A EXPULSÃO DOS JUDEUS DA ESPANHA

 

• O antissemitismo, como aponta Bernard Lazare há mais de um século, esteve presente em todos os tempos da história onde houve judeus e, como reconhecem alguns de seus correligionários, nem sempre foi infundado (Cecil Roth, Tuberville, Meinvielle “em o JUDEU no mistério da história”). O antissemitismo, diz o historiador protestante César Vidal, é muito anterior ao surgimento do cristianismo, e aparece em egípcios como maneton ou autores clássicos como Cícero, Tácito ou Juvenal. Portanto, não foi o espanhol, alemão e nem o fruto de nenhuma nação em particular. Mas sempre, antes de tudo, um fenômeno Universal. Todos os odiaram, e até que ponto ainda os odeiam seus irmãos semitas, os árabes. Confirma-o de maneira sintética outro judeu, o escritor Teodoro Reinach, em sua história dos israelitas, ao dizer que “o antijudaísmo é tão antigo quanto o judaísmo”.
• As expulsões em massa de povos inteiros, não apenas de judeus, foi mais ou menos frequente em todos os cantos da terra em todas as épocas. Não obstante, será um erro classificá-las todas em um mesmo lugar sem distinguir previamente entre umas e outras, e as razões que levaram a isso.
• Antes de 1492, os judeus haviam sido expulsos de praticamente todas as nações europeias, e Inclusive das regiões do norte da África. Como reconhece o historiador Wells, “a medida não era nova, nem foi inventada pelos Reis católicos. Em 1164 o sultão almôada Abdelmumen expulsou de seus domínios todos os cristãos e judeus que não se convertessem ao Islamismo. A intolerância religiosa era absoluta e terrível sobre certos príncipes muçulmanos.
• Não foram parecidas as condições e os motivos das expulsões sofridas pelos judeus Por parte dos egípcios — antes de Cristo — com aquelas sob Felipe o belo da França ou as dos Reis católicos. Algumas, sem dúvida, foram provocadas por interesses econômicos e foram realizadas da pior forma possível, como no caso da expulsão sofrida na França, onde foram expropriados de todos os seus bens, sendo perseguidos até o último dia. Outras, entretanto, corresponderam a motivos legítimos de estrita segurança interna e externa, como na Espanha dos Reis católicos, que só aceitaram a expulsão definitiva como último recurso. Houve alguns países europeus dos quais foram expulsos duas vezes e até 3 vezes: França (1182, 1306 e 1394) e Alemanha (1348, 1375). Em 1290 os judeus foram prescritos da Inglaterra, sendo aceitos novamente apenas no século XVII. Os califas muçulmanos, por sua vez, haviam-nos expulsado de seus domínios em 1066, e da mesma forma no século XIII, quando Reinavam os últimos califas abássidas de Bagdá sob a proteção dos grandes capitães turcos. Quando chegaram os almôades, foram expulsos da Andaluzia Moura, precisando mudar o centro da Comunidade Judaica espanhola para os Estados cristãos do Norte da península. Os judeus Russos haviam sido expulsos pelos cumanos (tribo nômade de origem turca que no século XIV estabeleceu-se em diversas partes da Europa Oriental) no século XII, e também de outras regiões depois de 1492: de Viena em 1670, da Boêmia em 1744, de Rotemburgo em 1519, de Bremen, Lubeck, Colónia, Frankfurt, Worns, etc.
• Na Espanha, foram expulsos apenas em 1492, após serem concedidas reiteradas oportunidade, permitindo-lhes venderem seus bens e propriedade e levarem suas Posses — até mesmo para evitar a queda dos preços de venda —, de modo que não ficassem nas mãos de terceiros que poderiam liquidá-las mais tarde.
• A expulsão definitiva dos judeus em 1492 não deveria causar surpresa, pois no final de 1482 haviam sido expulsos da Andaluzia, no ano seguinte do arcebispado de Sevilha e do bispado de Córdoba, e em 1486 da arquidiocese de Saragoça e das dioceses de Albarracin e Teruel. Estes antecedentes de expulsões parciais dão uma pauta precisa de que o rigor foi sendo aplicado, gradual e lentamente, como aviso do que estava por vir, caso continuassem os assassinatos e as práticas anticristãs. não se deve esquecer que, até o decreto de expulsão, os judeus continuavam ostentando vários dos cargos mais importantes da Península Ibérica. Os que regressavam para receber o batismo eram acolhidos e era devolvida a totalidade de seus bens pelos preços que tivessem recebido. É preciso notar que, apesar da determinação real que impedia a maior parte dos judeus de levar seu dinheiro em forma de ouro — determinação que se aplicava a todos os espanhóis, e não apenas aos judeus —registra-se uma grande quantidade de casos em que o fizeram, de forma legal e ilegal (a determinação que proibia tirar o ouro da Península Ibérica valia para todos os espanhóis, não apenas para o judeus. No entanto já se provou que esta disposição como tantas outras não foi cumprida de forma efetiva, principalmente por que a vigilância Era bastante fraca. Mesmo quando se tentou ter algum controle sobre isto, os judeus engoliam o ouro. Estes casos são relatados pelo Historiador americano Thomas walsh principalmente em seu livro Isabel A Cruzada. Outro Historiador Ricardo albanes, assegura que o tesouro real Não fez nenhuma apreensão dos bens dos judeus, nem os expropriou de seus Imóveis. Ricardo albanez os judeus através dos séculos México 1939).
• Foi-lhes concedido um prazo de 4 meses — alguns afirmam de 6 meses — para preparar sua partida, tempo durante o qual estiveram sob seguro Real; quer dizer, ninguém podia molestar-lhes. Convém destacar o gesto do Inquisidor Geral Torquemada, que acrescentou Por sua conta outros nove dias a este prazo para compensar os atrasos havidos na publicação do Decreto.
• É preciso admitir que a expulsão dos judeus da Espanha foi uma medida Popular celebrada inclusive pela Universidade de Paris (a Sorbonne), que felicitou abertamente os reis católicos (Jean Dumont, processo contraditório contra a inquisição espanhola ediciones encuentro Madrid 2000). Por sua vez, Maquiavel, Giucciardini, Pico Della Mirandola e muitos outras conhecidas figuras culturais do renascimento consideravam a expulsão como “um ato de bom governo”. O Judeu protestante Henry Kamen reconhece que “não houve nada de surpreendente nem de extraordinário na expulsão”. Através da sua história, os judeus haviam sido expulsos da maior parte dos países da Europa, por razões que iam geralmente do fanatismo à cobiça. A Espanha, ou a sociedade medieval espanhola, deve ser elogiada por haver tolerado essa minoria por muito mais tempo do que outras Nações: a expulsão de 1492, por exemplo ocorreu dois séculos depois da expulsão dos judeus da Inglaterra, decretada em 18 de julho de 1290 por Eduardo I. Assim, a importância da que ocorreu em 1492 não está na expulsão em si, mas em seu contexto histórico”(Henry Kamen, A Inquisição Espanhola). Da mesma opinião, Julián Juderias escreve: “e assim, a expulsão dos judeus deve ser julgada tendo-se em conta o que então se pensava dos judeus não só na Espanha, mas em toda a Europa”. Diz o Santanderino menendez y pelayo: “Por muito menos os judeus foram expulsos de toda a Europa”, acrescentando que “é muito fácil dizer — como o senhor Amador de los Ríos — que os reis católicos deveriam ter-se oposto à corrente da intolerância. Mas quem é capaz de opor-se ao sentimento de todo um povo? Uma vez excitadas as paixões até o último grau, quem poderia impedir que se repetissem as matanças de 1391? A decisão dos Reis católicos não era boa nem má: era a única que se poderia tomar, o cumprimento de uma lei histórica.
• Sobre os motivos do Decreto de expulsão dos Reis católicos que geraram a conversão em massa de judeus. Alguns atribuíram as razões econômicas, o que é aberto, pois ao expulsá-los perdia-se justamente importantes fontes de empréstimos da Coroa, deixando a península em uma situação econômica frágil, e perdendo Além disso dezenas de milhares de seus melhores contribuintes. Quando os judeus foram expulsos da Espanha, o sultão Bayeceto (1481-1502) falou dessa medida, dizendo que o rei da Espanha queria empobrecê-la prescindindo de gente tão hábil para ganhar dinheiro. Por isso, bem observa o académico espanhol Antonio Domínguez Ortiz, quando diz que “a melhor maneira de estabelecer o imposto sobre o capital não é suprimir o capitalismo e os capitalistas; Seria o mesmo que matar a galinha dos ovos de ouro”.
• Henry Kamen reconhece que “o rei insistia em que as razões espirituais eram mais importantes do que as meras considerações materiais da economia nacional”. Esta política de antepor sempre os interesses da Fé — que eram um alimento da sociedade — aos financeiros refletir-se-ia em sua resposta às cortes da Catalunha, que se opunham ao estabelecimento da Inquisição nessa cidade por crerem que isso prejudicaria suas atividades comerciais — dada a quantidade de conversas judeus que residiam ali —, trazendo como consequência uma crise econômica: “antes que houvéssemos deliberado dar lugar a que esta Inquisição se fizesse em qualquer cidade de nossos reinos, pesamos e consideramos bem todos os danos em incrementos que disto resultaria e que nossos direitos e renda Reais proviriam. Porém nossa firme intenção e zelo é antepor o serviço do Senhor Nosso Deus ao nosso, e assim queremos que aquela em todo caso se realize, não obstante todos os outros interesses”. Por isso, diz Joseph Pérez Que tal hipótese de uma suposta cobiça dos Reis “não resiste ao exame”.
• Existe uma série de estudos amplamente aceitos, como os do Historiador francês Jean Dumont, que rechaçam a crença comum pela qual os judeus eram os principais financiadores dos projetos nacionais. Observa que o patrimônio de Abraham Senior, chefe da Comunidade Judaica, e seu homem mais rico, rondava 1.500.000 maravedis, enquanto que o orçamento do Estado Castelhano era então de 240.000.000. outro grande financista judeu, Abravanel, devia ao estado cerca de um milhão de maravedis: “era, Portanto, o estado Cristão que o financiava”, conclui o historiador francês, acrescentando que os 2.275.000 maravedis que entraram no tesouro real vindos dos judeus que permaneceram por concessão mal foram suficientes para cobrir os gastos com a expulsão. Este fato foi provado e publicado pelo Historiador Azcona. Em apoio a sua tese, publicou-se recentemente um estudo da Universidade de Castela — La Mancha, em que se comenta sobre a grande quantidade de judeus endividados no momento da expulsão, chegando Alguns deles a dever importantes somas de dinheiro à coroa e a diversos credores, que naturalmente não puderam ser cobrados. Isto confirmam, uma vez mais, o quão longe estiveram os reis de Pretender algum benefício econômico com esta medida.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: