UMA BREVE E VERDADEIRA HISTÓRIA DOS CÁTAROS E INQUISIÇÃO CATÓLICA MEDIEVAL

UMA BREVE E VERDADEIRA HISTÓRIA DOS CÁTAROS E INQUISIÇÃO MEDIEVAL

A discussão sobre a heresia cátara, acabando com as informações desonestas, alguns historiadores e anticonvulsões colocaram esses hereges em uma condição de perseguidos, sem nenhum evento, e a igreja católica, mais uma vez como uma malvada que persegue os outros por simplesmente não concordar com As suas opiniões, em primeiro lugar, não são de opinião, mas sim a heresia, que era um problema sério e ameaçador de uma ordem moral dentro da sociedade medieval.

Vamos a região, em que esta heresia teve como centro, que foi a região de Montaillou é uma pequena cidade da França situada no sul dos Pirineus do atual departamento de ariege, muito perto da Fronteira franco-espanhola. O departamento de Ariége corresponde ao território da diocese de Pamiers e do antigo Condado medieval de foix, que constitui um Principado dos Pirineus, outrora independente; A partir dos anos XIII e XIV, este Principado, governado por grande família dos Condes De foix, tornara-se satélite do poderoso reino da França; como possessões francesas, por seu turno, incluindo uma grande Província de languedoc, limítrofe de Ariége.

Aldeia de camponeses e de pastores, situada a mil e trezentos metros de altitude, a comunidade de Montaillou não teria interesse particular se não tivesse sido objeto entre 1318 e 1325, de um inquérito monumental, extraordinariamente minucioso e exaustivo: de repente, esta modesta localidade tornou-se a aldeia europeia e mesmo Mundial mais conhecida de toda a idade média! Este velho Inquérito é a obra de Jacques fournier, futuro papa de Avinhão; em 1320 ele é bispo de pamiers e inquisidor local. Jacques fournier, de modo geral, é muito benevolente em relação aos seus confrades na repressão anti-herética. Mas a sua inteligência, a sua paciência e a sua atenção ao pormenor fazem dele, segundo o historiador inglês Hilton um dos grandes inquisidores de todos os tempos.

Jacques fournier era um prelado lúcido, devorado por um selo inquisitorial, pertence as novas elites Occítânicas, que vão dominar o papado de avinhão. Será Papa em Comtat, mais tarde, com o nome de Bento XII. Não é apenas célebre pelo seus vigorosos contributos para teoria da visão beatífica. Etnógrafo e esbirro, soube ouvir durante o seu episcopado os Camponeses no Condado de foix, interrogava-os com minúcia e durante Largo tempo, a fim de detectar entre eles a heresia cátara, ou simplesmente, um desvio em relação ao catolicismo oficial. Esta escuta chegou até nós no volumoso manuscrito Latino que Jean Duvernoy publicou em edição integral. Assim foi posto à disposição dos historiadores e do público de língua latina, este testemunho da terra Occítânicas sobre si própria; testemunho que ultrapassa em muito o estrito Domínio das perseguições por heresias, dentro do qual Jacques fournier teria podido normalmente confinar-se, se se tivesse limitado a seguir a sua vocação de inquisidor.

Historicamente, montaillou é a última Aldeia que sustentou ativamente, enquanto tal, a heresia cátara ou albigense. De fato, esta desaparecerá totalmente do território francês, depois de ter sido em 1318-1324, definitivamente extirpada de Montaillou, Graças aos bons ofícios de Jacques fournier. Esta Aldeia é portanto a ave rara que os historiadores de boa vontade procuram e que, em geral, só muito raramente encontram! Ela é o último testemunho Vivo, e bem vivo em 1320, de uma Formação Cultural e religiosa voltada a partir de dentro ao mais completo desaparecimento.

A heresia cátara merece por si mesma algumas explicações. Digamos que o catarismo é uma das principais heresias medievais: manifestou-se nos séculos XII e XIII no Languedoc (atual sul da França), no norte da Itália, e sob formas um pouco diferentes nos balcãs. Convém não confundir o catarismo com o Valdismo ou heresia valdenses (lionesa), de resto pouco importante em Ariége. O catarismo formou-se talvez a partir de longínquos influências orientais, maniqueístas nomeadamente, mas sobre esse ponto estamos mais na condição das hipóteses.

Em contrapartida, conhece-se bastante bem a doutrina e os ritos do catarismo do languedoc e do norte da Itália. Na França Meridional, ainda se chamava albigenses, ou partidários do albigismo, aos cátaros (do nome da cidade de Albi, na qual vivia e onde era assinalado um certo número destes heréticos).

O catarismo ou o albinismo é uma heresia cristã; sobre este ponto não existe qualquer dúvida! Com efeito, os seus sequazes consideram-se e proclamam-se verdadeiros cristãos, bons cristãos, por oposição a Igreja Católica oficial que, segundo eles, traiu a autêntica doutrina dos Apóstolos. Mas, ao mesmo tempo, o catarismo situa-se a uma considerável distância da doutrina Cristã tradicional, que se pretende, como é sabido, monoteísta. De fato, admite a existência (de tipo maniqueísta) de dois princípios opostos, ou mesmo de dois Deuses: um do bem, e outro do Mal. Um Deus; o outro Satã. Ou ainda: luz e sombra. Mundo espiritual, bom, e mundo terreno, carnal, corporal, corrompido. E aliás, esta exigência essencialmente espiritual de pureza, em relação a nossa terra totalmente diabólica e má que suscitou posteriormente a etimologia, Sem dúvida falsa, da palavra cátaros (pretendeu-se que esta derivava da palavra grega que quer dizer puro; na realidade, cátaro vem de um termo alemão cujo sentido nada tem que ver com pureza). Independentemente desta etimologia inexata, o dualismo bem/mal ou Deus/Satã, subdivide-se em duas correntes, ou tendências, segundo as regiões: temos, por um lado, o dualismo absoluto, característico do catarismo languedoquiniano do século XIII (que proclama a oposição eterna dos dois princípios, bom e mal). E, por outro, o dualismo mitigado característico da heresia italiana: Deus ocupa nele um lugar mais eminentes e mais eterno do que o diabo.

O catarismo baseia-se na distinção entre um grupo de escolhidos de puros, que são os perfeitos, homens-bons, ou heréticos; e, por outro lado, a massa dos simples crentes, ou credentes. Os perfeitos obtêm o seu título prestigioso depois de ter recebido, no final de uma iniciação o sacramento albigense do batismo pelo livro e pelas palavras (e não pela água). Este Sacramento chamava-se, em língua cátara, o consolamentum (Consolação). O comum das pessoas chama isso simplesmente heretização, ou heretizar alguém. Uma vez heretizado, o perfeito deve permanecer puro abstendo-se de carne e de mulheres. (Trata-se, como se vê, de uma heresia muito pouco feminista, embora não totalmente antifeminina). O perfeito tem o poder de benzer o pão e de receber o melioramentum ou adoração-saudação ritual, que lhe é dirigida pelos simples crentes. Dá-lhes a sua bênção e o seu beijo de paz (caretas). Os simples crentes, por seu turno, apenas recebem o consolamentum ou heretização nas vésperas do seu falecimento, quando este se apresenta como inteiramente provável na previsão de uma indubitável agonia. Esta regularização tardia permite aos crentes, durante a sua vida, levar uma existência bastante agradável e não demasiado estrita do ponto de vista moral. Mas, Em contrapartida, uma vez heretizados o casa torna-se Sério! Devem pôr-se (pelo menos no catarismo tardio dos anos 1.300) em estado de jejum total e suicida ou Endura. isso permite-lhes perder a vida, mas salvar de certeza a alma, dado que, desse modo, não tocarão mais em mulher nem em carne até que sobrevenha para Eles, rápida e seguramente, a morte pela agonia natural ou pelo suicídio-endura.

O catarismo tinha contaminado parcialmente, por volta de 1200 regiões bastante vastas do Languedoc, província que no início do século XIII, não pertencia ainda ao reino de França. Aquilo não podia continuar! em 1209, uma cruzada anti-albigense, conduzida por Barões originários do Norte da França, põe-se em marcha em direção ao sul, para esmagar a heresia, de acordo com o apelo do Papa. Apesar da Morte, em 1218, de Simmon de montfort, chefe dessas cruzadas setentrionais, o Rei da França alarga progressivamente o seu domínio sobre o sul, e aproveita-se deste pretexto anti-herético para anexar de fato o Languedoc em 1279 (Tratado de meaux). Esta anexação deixará, no que vai tornar-se futuramente o sul da França, marcas duradouras e ressentimento. Estas serão ativadas no século 20 pelo Renascer do regionalismo occitânico. Em 1224 é tomada Montségur (Ariége), última Fortaleza herética; os albigenses obstinados que ocupavam aquela praça são enviados para fogueira em Montségur ou em Bram.

Contudo, o cadáver do catarismo ainda mexe após 1250. Nas Montanhas da alta Ariége, esta heresia conhece mesmo, entre 1300 e 1313, uma modesta reanimação, de que um dos centros é justamente a aldeia de Montaillou. Esta reanimação é devida entre outras causas, a ação enérgica e militante dos irmãos Authié, notários de Ariége que se tornaram Missionários do albigismo. Instalada em carcassonne (Languedoc) e sobretudo em Pamiers (Ariége), A inquisição de fournier e dos seus colegas consegue finalmente desalojar Este último um ninho de resistência, graças a uma investigação minuciosa seguida de condenações a fogueira e sobretudo, a prisão e as Cruzes amarelas, são de fato condenados a trazer nas costas grandes Cruzes de panos amarelas, cosidas do vestuário. O catarismo não se voltará a erguer após Este último golpe de 1320. Tragicamente os acusados de montaillou são de fato Os Últimos dos últimos, sobre as condenações e números de condenações a fogueira, e formas de se conseguir as confissões falaremos posteriormente.

Bibliografia: Emanuel Le Roy Ladurie, Montaillou Cátaros e Católica numa aldeia Occítâna- 1294-1324

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