ROMA, O TRIUNFO DO CRISTIANISMO OU DE CONSTANTINO?

ROMA, O TRIUNFO DO CRISTIANISMO OU DE CONSTANTINO?
• A PEREGRINAÇÃO DO PAPADO, DE JERUSALÉM À ROMA.
• Para finalizar a sequência dos textos sobre os estudos da peregrinação da Igreja que à levou de Jerusalém à Roma como a capital do cristianismo, primeiro quero fazer um comentário sobre a obra de três doutores da Unicamp, e assim confirmar que as ideologias modernistas tem afetado o campo de trabalho científico, o modernismo tem uma influência marxista muito grande. Vamos a um trecho, “Jesus de Nazaré, pode ser considerado um dos grandes sábios da antiguidade que, não deixou nada por escrito, assim como Sócrates e sidarta gautama, o Buda. Eles têm em comum, além disso, a imensa influência que tiveram, mesmo sem serem deixado nada registrado. Mais do que isso, os três parecem ter defendido o princípio de retribuir a agressão com o amor. Claro, como não deixaram nada escrito, esta é uma inferência retirada dos seus seguidores imediatos e que parece ser verdadeira, pelo inusitado. No caso de Jesus de Nazaré 4 a.C. – 30 d.C), não podemos desvencilhar este imenso personagem do Mediterrâneo oriental em que nasceu e viveu. Jesus pode ser considerado a pessoa com maior número de seguidores no mundo, em todos os tempos e isto se deve a muitos fatores, dentre os quais sua inserção nessa encruzilhada cultural. Até pela falta de dados diretos de Jesus, muitas teorias foram desenvolvidas sobre ele: seria um filósofo cínico grego, uma asceta, um Místico persa, um líder camponês, um revolucionário? ou apenas um judeu influenciado por tudo isso e muito mais”?
• “Sabemos muito pouco, de fato, sobre a vida de Jesus, tudo que conhecemos foi escrito por seus seguidores, décadas depois de sua morte, quando já era considerado Cristo. Mesmo assim. Pode deprender-se dos Evangelhos de Marcos (70d.C.), Mateus e Lucas (90 d.C) e João (100 d. C.)
• segundo esses doutores, nós temos uma idéia errada sobre a Igreja Primitiva, de que era homogênea sem divisões e separações.
• Segundo esses doutores, não existia uma igreja institucional como conhecemos hoje. Logo, não havia unidade de pensamento. Ao longo de cerca de 300 anos de que a Igreja viveu na ilegalidade, até chegar Constantino, cometem um erro ao dizer que a religião cristã foi composta por diferentes grupos, que divergiam em especial pelo modo como interpretavam a personalidade do o iniciador do movimento Jesus de Nazaré. Como veremos mais adiante, discussões aconteceram muitas vezes, esse foi o motivo do primeiro Concílio apostólico, a ortodoxia doutrinária vem dos apóstolos, não é simplesmente um preconceito com um pensamento diferente, mas se manter no tronco Apostólico.
• É fato que houve discussões desde o início entre grupos cristãos que eram menos ou mais influenciados pelas tradições judaicas; menos ou mais influenciados pelo processo de helenização. Não aceitam um cristianismo com uma linha ortodoxa, eles comentam que existiam várias correntes de pensamento e confundem com o essas correntes, afirmando que existiam vários tipos de cristianismo. Infelizmente, este tipo de atitude também existe entre cristãos modernistas, os protestantes gostam desse tipo de argumento, justamente para justificar suas crenças. Entre esses grupos heterodoxos estão vários grupos que nós chamamos de heréticos, temos os ebionitas, entre outros. Qual é a verdade? São alguns grupos que fogem do tronco principal, empenham-se na defesa de um Jesus humano, negando sua divindade, outros seguiam o caminho contrário. Ainda no final do século I, em particular nas comunidades da Ásia menor, disseminava-se uma perspectiva segundo a qual Jesus não teria um corpo físico. Chamada de docetismo, esta corrente de pensamento de tendência gnóstica também acreditava e defendia que Jesus teve apenas um corpo aparente. Para eles, a hipótese de um Deus feito humano, crucificado e morto era absurda, pois como gnósticos, entendiam que toda matéria é má e incapaz por natureza, enquanto o espírito, em oposição à matéria, deve ser considerado superior e bom. Como, então, a divindade assumiria qualquer parcela da matéria encarnando-se nela? Com essa convicção os docetistas negavam a condição humana e a realidade Histórica de Jesus de Nazaré.
• O outro movimento que importante do século II era o monarquianismo, também chamado de Patripassionismo. O mais proeminente seguidor desta corrente de pensamento foi um cristão chamado Práxeas, que levava o monarquianismo Patripassionismo passeando da Ásia para Roma por volta do ano 190. Por não abrirem mão do monoteísmo herdado da tradição Judaica e, ao mesmo tempo, não rejeitar a crença na divindade de Jesus de Nazaré, os monarquianis entendiam que considerá-lo uma pessoa distinta do pai Seria o mesmo que afirmar a existência de outro deus. A alternativa proposta pelos Monarquianos era definir que Jesus não era a pessoa distinta, mas a própria e a única pessoa de Deus que, hora manifestava-se como pai, hora manifestava-se como filho, dessa forma segundo os Monarquianos foi Deus pai que, tornando-se filho, desceu ao seio de Maria, viveu, cresceu, morreu e ressuscitou. A partir dessa interpretação, os monarquianos também foram conhecidos como Patripassianos, por entenderem que o próprio Deus pai sofrera o sacrifício da Cruz. vemos aí uma ideia de um Deus bipolar.
• A última corrente Cristã proeminente em relação à interpretação cristológica que antecedeu a liberdade de culto dada ao cristianismo no tempo de Constantino, foi o arianismo, contemporâneo ao Imperador que vamos falar mais à frente detalhadamente em outro texto tanto do arianismo quanto do Imperador.
• Podemos ver claramente que nos tempos dos Apóstolos haviam controvérsias, a Igreja estava se desenvolvendo doutrinariamente e nos dogmas, vemos isso claramente nas epístolas católicas de São Paulo, Daniel Rops faz um comentário de um momento desses que os doutores marxistas chamam de pluralidade cultural da Igreja, nós chamamos de erros e Heresias. “Conhecemos homens que, capazes de conceber uma grande obra, são incapazes de levá-lo a bom termo. São Paulo, gênio completo, dotado de todos os dons, sabe não só projetar, mas vigiar e rematar; a prova disso é a temporada que passou em Éfeso (Atos 19). Chegando à grande metrópole helênica na primavera de 53, no começo da sua terceira missão, fica lá dois anos, desprezando os perigos que corre e o combate contra as feras que tem de travar. A comunidade cristã que ali encontra, ao voltar de Corinto, parece-lhe promissora e, ao mesmo tempo, frágil. A propaganda da Boa Nova, feita por um alexandrino chamado Apolo, apresenta graves lacunas. Paulo põe-lhes remédio, corrige erros, elimina certa tendência para a magia e fortalece a fé com sua pregação e os seus milagres”. Diante dessa situação podemos pensar que os apóstolos eram opressores? Não, cuidavam da ortodoxia da doutrina que estava sendo elaborada a cada dia, diante de cada situação diferente que encontravam nos povos que pregavam, então temos a plena certeza que devemos continuar como os apóstolos, defendendo a sã doutrina.
• A questão é, havia diversidade ou unidade? No último texto que fiz abordei sobre esse tema, já vimos as discussões que levaram ao primeiro Concílio apostólico em Jerusalém, vamos recordar; sabemos que as discussões naquela época estavam em torno dos pagãos convertidos guardassem as práticas judaicas, como a circuncisão e dietas judaicas.
• Nada indica que entre Paulo e os apóstolos, depositários da mensagem de Jesus, tem havido contradição sobre este ponto essencial. Pelo contrário, o acordo foi rapidamente selado: Tiago, Cefas e João, que eram considerados as colunas da igreja. Deram as mãos a Barnabé e Paulo, em sinal de comunhão” (Gálatas 2, 9). Fixaram-se os princípios por meio de um decreto e determinaram-se com exatidão as observâncias judaicas que convinha manter. A concepção de São Paulo acabava de estabelecer como doutrina as tendências Profundas, mais ainda pouco elaboradas, da consciência Cristã (Atos 15,1 – 35). Mas em Antioquia, Pedro parece tomar o partido do judaizantes. Mais fechados e e desviar-se do cristianismo Universalista, é Paulo quem o repreende com uma firme amizade. Conforme esclarece Tertuliano, não se tratava da parte do Príncipe dos Apóstolos, senão de “um erro de atitude e não de um erro de doutrina”; mas poderia vir a ter consequências graves, e São Paulo evitou que ele o cometesse (Gálatas 2,1).
• O apóstolo Paulo é levado a Roma para ser julgado. Não foi por acaso que sempre foi desejo de São Paulo ir à cidade eterna, e o procurador Festo tinha sem Saber servido de instrumento do designo de Deus. Já em 58, quando se encontrava em Corinto. Paulo tinha escrito aos romanos a carta que lhes anunciava a sua ida e, louvando a sua fé viva, tão renomada, lhes espunha o essencial da sua doutrina sobre o pecado, a redenção, a justiça de Deus e o Poder da Fé.
• Roma era era o centro do mundo. Talvez um milhão de habitantes nesta cidade, latinos, gauleses, os negros da África, estavam todos ali representados, assim como o espanhol, grego, Sírio, e o dálmata. por isto Este foi o principal campo de ação do apóstolo Paulo. Entre estes grupos heterogêneos, a colônia judaica destacava-se pela sua Coesão e pela sua força. Sem pretender igualar a de Alexandria, não devia ter menos de 40 ou 50 mil almas. Assim, por exemplo, no ano 4 antes da nossa era a delegação Israelita que tinha ido ver Augusto compunha-se de oito mil homens; por outro lado, dentre os judeus, Tibério tinha levado quatro mil soldados para sua expedição à Sardenha. Em sua maioria, era um sobretudo homem de negócios e de pequenos ofícios. Espalhados por toda a cidade e não reunidos em Gueto, como durante muito tempo se acreditou, habitavam o centro da cidade, o campo de Marte e as cercanias da porta Capena. Possuíam uma dezena de sinagogas e vários cemitérios, onde a arqueologia encontrou os seus grafites artísticos, Candelabros de 7 braços e o armário da Torá.
• Dos começos desta comunidade, não conhecemos senão um episódio narrado por Suetônio. Sob o reinado de Cláudio, sem dúvida cerca de 49, houve tumulto na colônia Judaica por instigação de um certo Chrestus – fórmula vaga, escrita por um homem bastante mal informado. Mas que permite imaginar a realidade do incidente, as disputas e as invejas entre judeus do templo e judeus da Cruz, as suas arruaças e, por último um decreto do Imperador exilando os turbulentos. O episódio referido por suetônio é confirmado pelos Atos dos Apóstolos, que nos falam de Áquila e Priscila, protetores e amigos de São Paulo em Corinto, como os judeus desterrados de Roma por Cláudio. Este fato prova a vitalidade desse primeiro núcleo de cristãos na cidade de Roma e a efervescência provocada pela evangelização.
• Mas, para explicar o seu sucesso que a história confirmará não será necessário supor a presença de uma outra personalidade além da de São Paulo na comunidade Romana? A igreja pensa que sim, e não apenas a mais alta tradição católica, mas também liberais como Harnack e Protestantes como Lietzmann, que afirmam: o homem que contribuiu para esta Fundação, eminente entre todas, muito antes de São Paulo desembarcar em Pozzuoli, não foi outro senão aquele a quem o senhor havia confiado o cuidado de dirigir a sua igreja, o príncipe dos Apóstolos, São Pedro, a velha Rocha. (A permanência de São Pedro em Roma constitui um dos assuntos mais discutidos a respeito deste período da história cristã, e a discussão é tanto mais viva quanto uma relação precisa entre a Igreja de Roma e São Pedro é evidentemente de toda a importância para se determinar a origem da autoridade dos Papas. Ficaremos aos trabalhos do Historiador protestante H. Lietzmann [Petrus und Paulus in Rom, Berlim, 1927], impõe-se a conclusão de que, por volta do final do século II, estava firmemente estabelecida em Roma a tradição da permanência e do martírio do Príncipe dos apóstolos na cidade eterna. Todos os documentos literários depõe nesse sentido: um texto do letrado Gaio, que escreveu perto do ano 200 e foi citado por Eusébio; o famoso catálogo liberiano, iniciado por volta do ano 235, que estabelece a lista dos bispos de Roma, e que depois irá até o século IV, o Papa Libério (352-366); cartas de Santo Irineu, Bispo de Lyon, por volta do ano 180, e do bispo Diniz de Corinto, da mesma época. Os dois textos mais antigos que se conhecem são os famosos comentários das sentenças do senhor, em que Papias, o velho Bispo asiático de hierápolis, que conheceu os discípulos diretos dos Apóstolos, assegura que Marcos resumiu o no seu evangelho as pregações de São Pedro em Roma, e uma carta de São Clemente papa e Mártir, terceiro sucessor de São Pedro, que dirigindo-se aos Coríntios Por volta do ano 95, fala claramente do martírio de Pedro e Paulo em Roma. Por outro lado, as pesquisas arqueológicas provaram que, no decurso do século III, os cristãos das catacumbas veneravam a memória dos dois Apóstolos. A questão parece, portanto, resolvida quanto ao fato. Quanto à duração, pelas datas que se lhe podem assinalar, todos os historiadores sérios, cristãos ou não, concordam em que apenas se podem estabelecer hipóteses. Eusébio diz que são Pedro chegou a Roma no ano 42 e sofreu o martírio no ano 67).
• OS PRIMEIROS CRISTÃOS AGUARDAM A VOLTA DE JESUS E O FIM DOS TEMPOS
• É difícil para nós, imaginar os apóstolos e aqueles que começaram a se reunir em volta deles, todos tinham pressa de difundir o evangelho por volta de 50-60. Para muitas dessas pessoas Jesus e decerto o Messias, o filho de Deus. A fé é que lhes permitirá entrar num universo desconhecido. No entanto, elas não conheceram Jesus. Imaginam a sua silhueta, como nos dias de hoje muitos ainda discutem até a cor da pele de Jesus, mas podemos imaginar que foram inúmeras vezes descrita; só isso. O homem de Nazaré, àquele que passeava pelo Tiberíades, atravessa os tempos e penetra na imaginação pelos tempos. É certo que as pessoas ouvem a pregação dos discípulos e participam das reuniões de oração. Seu desejo oculto é se aproximar de seu modelo. Sua esperança é a volta dele. Pois Ele assim quem prometeu. voltará. Então, a antiga Terra terá acabado, outra surgirá. O mundo terá enfim se tornando esse Jardim cheio de leite e mel descrito na Bíblia. O fim dos tempos – Isto é, o advento do Reino dos que crêem, tanto pobres quanto ricos, ele é o Senhor do gênero humano total, e não de uma classe social desfavorecida – será também o reino de Deus. Isto também foi anunciado por Jesus.
• Essa incrível revelação precisa ser o quanto antes transmitida aos homens do mundo inteiro. Quantos são eles? onde estão? Mistério para os humildes Apóstolos que conquistarão o mundo. Para esses cristãos das origens, seu universo vai do eixo de Nazaré a Cafarnaum ao de Jerusalém-hebron. É a antiguíssima terra prometida a Moisés. Ademais, toda a evangelização iniciada se Desenrola nesse país do tamanho de um bairro. No entanto os apóstolos sabem que precisarão se afastar dessa população Judaica que os ouve com sentimentos acalmados. O que está além do País das origens os aguarda.
• É aí que nossa imaginação voa. O que é o Império Romano para esse judeus que, em geral, nunca viram o mar, mesmo que saibam perfeitamente situá-los? Esses judeus para quem as cidades como Antióquia ou Gaza são remotas e meio Fabulosas.
• Naturalmente, há a diáspora dos judeus. Há quase dois séculos, comunidades mais ou menos importantes vêm sendo implantadas em Roma, Éfeso e Alexandria. A população destas cidades aumentará maciçamente logo depois da guerra. Mas desde os anos 50-60, elas podem servir de pouso, se é possível dizer. Em seu seio, as pessoas encontram pelo menos uma maneira de viver, de comer, de rezar. Com os judeus da diáspora, elas podem se expressar na língua comum: o aramaico, Às vezes o hebraico. Na verdade, os que ousarem deixar o ninho original se beneficiarão, bem ou mal, da existência desses grupos afastados as disputas continuarão, como ni Templo de Jerusalém.
• É verdade, e no entanto é uma derradeira ilusão. Chegará um momento, muito rápido, em que será necessário realmente deixar o mundo judeu, fora dele estão o Império, uma potência Universal, que a maioria dos judeus detesta, mas cuja imensidão tem algo de apavorante. Roma fará do cristianismo uma religião Universal, pois tem os povos, os portos, as estradas; seu exército é onipresente. Mais graves tem seus deuses, tem seus ritos, sua língua. A que Romano se dirigir para tentar ensinar a revelação Cristã?
• Pois que uma evidência perturba o espírito da minúscula igreja das origens: a Grécia, ela está relativamente próxima. Inventou tudo, afirma-se; em todo caso, a filosofia, pelo menos. Não só os gregos dispõe de uma língua universal. O que não intimida muitos judeus. Pode-se fingir ignorar-los, mas, na verdade, isso é impossível. Será necessário então transpor esse rio imenso.
• Apóstolos e discípulos tem consciência desses obstáculos? Não explicitamente. O que não impede que cada um dos Evangelhos tenha como alvo – sem que isso seja dito – uma população determinada. É evidente que Paulo em geral se dirige as comunidades helenizadas. Lucas escreverá para elas também, o que não basta. Mais uma vez o grego não é somente uma língua – que a maioria dos judeus instruídos compreende -, é também uma maneira de estar no mundo. Se os cristãos querem transmitir a revelação do norte e do Sul, se querem ser bem compreendidos tanto em Atenas quanto em Alexandria, é preciso que a passagem de Jesus por esta terra entre nas categorias intelectuais gregas; é o preço a pagar para que o mundo se torne de Cristão.
• Teriam esses primeiros cristãos consciência das extravagâncias do desafio que lançavam à mais alta cultura da antiguidade? Sem duvida não, mas pouco importa. Eles têm fé. Seus ouvintes não crêem em mais nada. Os cristãos partiram então para a conquista da cultura grega.
• A EXPANSÃO
• Quem é o sucessor de Pedro? Os documentos, são extremamente raros. Apenas dois nomes que Irineu (século III) menciona sem comentários: Lino 67-79 e Cleto (79-90). Eles teriam dirigido a comunidade de Roma nesse período. Ou seja, por mais de 20 anos. Só por volta do ano 100 é que vai surgir um personagem com mais que temos referências bibliográficas abundantes, o Papa Clemente, que nitidamente têm a Constituição de um responsável. Clemente é conhecido pela epistola que dirige aos Coríntios. Nessa carta, ele descreve com detalhes a comunidade de Roma, que compreende episcopos e diáconos (os primeiros se tornarão bispos os segundos fiscais e intendentes). Ele, Clemente, é o chefe de duas Hierarquias paralelas. Menciona os Martírios de Pedro e Paulo. Demonstra os ter conhecido no início de sua conversão. Participa sua experiência de conversão e de vida cristã. Evidentemente, é um papa preciso e modesto, é preciso então esclarecer o significado do termo Papa desde início do século II.
• O que é uma comunidade cristã em 100 d.C.? Temos as mais precárias informações: é a propaganda boca-a-boca, trata-se dos envolvidos e muitas vezes anônimos e inconscientes missionários que em seus contatos cotidianos e por seu estilo de vida despertavam a atenção para o cristianismo. Esse processo de fermentação não deve ter operado apenas a partir dos séculos II e III (Harnack), Mas deve ter se desenvolvido desde o início (Reinbold). É bem entendido um grupo de mulheres e homens dispersos no seio de uma cidade, em lugar nenhum a evangelização começou pelo campo. Entre os cristãos, há artesãos, Comerciantes, pescadores, aos quais deve-se acrescentar funcionários, às vezes oficiais, e com frequência o que chamaríamos de notáveis.
• Na maioria dos casos a assembléia reúne-se pelo menos uma vez por semana. Muitas vezes na noite de sábado para domingo. o Bispo Preside as cerimônias religiosas. Trata-se de orar junto e compartilhar o pão e o vinho, obviamente, é o rito da missa como conhecemos começando a se desenhar sob nossos olhos. Muitas vezes foi escrito que essas reuniões em Roma, realizavam-se nas Catacumbas. Literalmente: De fato tratava-se de cemitérios subterrâneos usados como locais de culto, mas cuja existência nada tinha de secreta, a polícia os conhecia e os invadia com frequência. Essas reuniões nas catacumbas foram na verdade bastante raras. Em tempos normais a cerimônia era realizada na sala comum da casa de um dos cristãos. Isto era uma espécie de rodízio em algumas casas, que faz as vezes da igreja, são os patriarcas familiares que dão lugar a reunião dos cristãos, provavelmente daí surgiram os patriarcados regionais, ainda levará muitos anos para que elas comecem a desenhar o território do que será a cristandade. Não conhecemos todos os detalhes da cerimônia, um texto de Justino – um filósofo Pagão que se converteu e morreu como mártir, decapitado em 165 – nos dá algumas indicações. Justino redige suas Apologias por volta de 150. Mas o que ele descreve é muito antigo. Primeira certeza: lemos a memória dos apóstolos. Porém elas ainda não constituem um conjunto fixo, parece que assistimos ao nascimento da forma pública dos Evangelhos. Essas leituras são um momento privilegiado, já que narram para a assembleia Os Sermões relativos aos atos de Jesus.
• Segunda certeza: recitam-se “os escritos dos Profetas”, Justino não diz de que textos se trata, mas devem ser as epístolas de Paulo e de Pedro que são lidas para os participantes, naturalmente, é preciso acrescentar alguns textos selecionados do Antigo Testamento. Não estamos muito longe da divisão atual das leituras. Os fiéis ouvirão em em seguida a homilia. Depois rezarão em conjunto por esta ou aquela intenção dita em voz alta. Trocarão o beijo da Paz; finalmente receberam o pão e o vinho consagrados.
• Vamos abordar rapidamente o que foi o triunfo do cristianismo, mas que para os inimigos da Igreja foi o triunfo de Constantino. Devido às interpretações cristológicas e também sobre outros temas relacionados à crença dos primeiros cristãos, todos os movimentos que fazem uma interpretação errada sobre esse assuntos, são é sempre foram sectários. Na perspectiva histórica é necessário avaliar as origens da doutrina cristã, e para fazer uma avaliação honesta é necessário verificar quem estava certo e quem estava errado em termos teológicos – o cristianismo não se trata de pluralismo cultural.
• Para deixar bem claro para o leitor vamos analisar rapidamente a heresia Ariana, contemporânea à Constantino, na mesma época houve o conflito entre os clérigos africanos que foi o donatismo. Após a perseguicão de Diocleciano, alguns cristãos, tanto leigos como clérigos, retornavam às comunidades das quais faziam parte. No entanto, dependendo do modo como se comportaram frente às perseguições, foram bem ou mal recebidos pelos que haviam permanecido nas comunidades. A questão é que alguns desses sobreviventes, ao retornarem, foram chamados de “traditores” ou traidores por, quando presos, terem negociado com os soldados romanos em troca da liberdade. Eram acusados de entregarem textos litúrgico e sagrados para serem queimados, além de negarem a fé e de terem fugido do martírio.
• Como consequência, os cristãos mais rigorosos defendiam que os traditores, para serem aceitos novamente, deveriam ser rebatizados e, em caso de clérigos, deveriam ser proibidos de administrar os sacramentos da igreja. Até o bispo primaz de cartago, Mensúrio, estava na lista dos chamados traditores censurado pelos mais rigorosos. Com a morte de Mensúrio, seu arquidiácono Ceciliano foi escolhido para substituí-lo. Também odiado, Ceciliano foi pressionado e deposto pelos radicais, que elegeram para seu lugar o capelão Marjorino.
• As informações sobre esse conflito na Igreja africana chegaram à corte Romana através do eclesiástico Ósio Córdoba, resultando na primeira intervenção de Constantino, cujo objetivo era evitar divisões nas províncias do império, aqui vemos a grande motivação para Constantino convocar o concílio de Nicéia, resolver os conflitos internos da Igreja.
• Para entendermos e entrar nas questões do pensamento debatidas e decididas no concílio de Nicéia, de início podemos afirmar que foi um Concílio que, apesar da participação de Constantino, ele apenas promoveu o Concílio, podemos dizer que no Concílio de nicéia onde haviam 318 Bispos de vários locais de todo o império, entre os bispos presentes, alguns eram arianos é uma forma em que verificamos quê não foi um Concílio de um pensamento só, Eusébio de cesaréia ao que tudo indica, era ariano ou semi-ariano, e levou ao Concílio a Confissão de Fé que utilizava em sua igreja local, o que era muito comum à época.
• O que foi relatado acima é mais um motivo para quê não acreditemos que Constantino teve qualquer influência na ortodoxia da igreja, e que ao final do concílio foi definida. Constantino dentro da sua opinião, acreditava que o credo de Eusébio era suficiente para solucionar o problema em torno da cristologia Ariana. A única observação feita pelo Imperador após provável orientação de Ósio, foi a de que deveria ser acrescentado ao texto um termo que explicitasse a ideia de que o pai e o filho tinham a mesma substância divina.
• No entanto, o arianismo foi condenado em nicéia, e continuo ganhando expansão. Os arianos mesmo após a condenação no concílio ainda seriam beneficiadas pelo Imperador Constâncio II que se declarava contrário as decisões nicenas. Então podemos ver que os imperadores não influenciaram as decisões do Concílio, pelo contrário foram contrariadas. Ao tornar-se o único Imperador após a morte de seus dois irmãos Constantino II e Constante, Constâncio II teria relativa facilidade para fazer de Roma um império Ariano. Assim como Ário e seus adeptos foram obrigados a se exilar após Nicéia, com a ascensão de Constâncio II os principais adversários do arianismo – em especial Atanásio (295-373) – também foram exilados, em quanto os arianos retornaram do exílio e foram amplamente beneficiados pelo novo Imperador.
• Verificamos que mesmo antes da morte de Constantino, os arianos conseguiram experimentar alguns momentos de tolerância Imperial, transitando entre o exílio e a liberdade. Porém, foi com Constâncio II que eles voltaram a ser favorecidos. E em muitos momentos saquearam Roma a cidade eterna, ele era defensor declarado do arianismo, Constâncio II investiu todo seu poder político em prol da expansão Ariana naquele que já era um império cristão, foi este Imperador por exemplo, que ordenou o terceiro exílio de Atanásio, dando a este a possibilidade de escrever sua Apologia de fuga, na qual quis defender-se da condenação Imperial que lhe foi imposta. Após a morte de Constâncio II, já nos tempos de Juliano, Atanásio retornou para Alexandria, mas ainda enfrentaria mais dois filhos antes de morrer.
• Vejamos a leitura que Charles Freeman, ele insinua que houve uma ruptura com a narrativa convencional do chamado Triunfo de um único e verdadeiro cristianismo. Em contrapartida, Seguindo os passos que Freeman, que que segundo ele havia uma série de cristianismos, de tal maneira que alguns buscavam seu espaço em meio àquela diversidade, enquanto outros pretendiam conquistar autenticidade sobre os demais. O que podemos dizer sobre essas palavras? define que ele quer dizer que houve uma imposição. O que é bem contraditório, pois é só voltar algumas linhas atrás e veremos que não foi uma imposição imperial, mas uma decisão filoso-teológica, a vitória foi do cristianismo que defendia a trindade, nas duas substâncias e uma natureza de Cristo, e que é chamado de ortodoxia. Não são opiniões que foram estabelecidas em nome de uma dogmática providencial, posicionada sobre a diversidade Cristã, que na chamamos de sectarismo, heresia, está é a ortodoxia desde os apóstolos, houveram ou discussões teológicas, e sempre chegaram a decisão sobre os assuntos, nunca existiu um cristianismo ambíguo ou relativo, e continuando, ele insinua que isso coincide com o triunfo político de Constantino, como o texto não é apenas histórico, mas é um texto que para marcar a história da igreja, que é muito além de acontecimentos naturais, podemos dizer que o triunfo foi do cristianismo e não de um Imperador.
• Bibliografia: Constantino e o triunfo do cristianismo na antiguidade tardia, Jeferson Ramalho, Pedro Paulo Funari, Claudio Umpierre Carlan
• A Igreja dos apóstolos e dos mártires, Daniel Rops
• Tu és Pedro, Georges Suffert
• História ecumênica da Igreja, Thomas Kaufman, Raymund Kottje, Bernard Moeller, Hubert Wolff

 

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