Papa SISTO V (24 de abril de 1585 a 27 de agosto de 1590)

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Um filho de um trabalhador agrícola, Felice Peretti foi nascido em Grottammare, na Marca de Ancona, em 13 de dezembro de 1520. Um tio que era franciscano cuidou de seu ensino, e aos 20 anos ele se juntou à ordem nas proximidades de Montalto. Depois de uma brilhante carreira estudantil, ele foi ordenado em Siena em 1547 e em 1548 se graduou doutor de teologia em Fermo. Já um pregador impressionante, ele foi levado para Roma em 1552 pelo cardeal Carpi, protetor dos franciscanos. Aqui, seus sermões de Quaresma o deram renome. Em 1556 Paulo IV, que havia notado o frade asceta, o colocou em suas comissões de reforma, e no ano seguinte, se tornou inquisidor para Veneza. Sua severidade levou a ser chamado de volta, mas Pio IV o reapontou em 1560. Em 1566 Pio V, quem, como grande inquisidor, o valorizara, nomeou-o vigário geral dos Franciscanos e bispo de Sant’Agata dei Goti (perto de Caserta) e, em 1570, nomeou ele cardeal; ele foi bispo de Fermo 1571-7. Sob Gregório XIII, com quem ele colidiu em uma missão na Espanha em 1565, o cardeal Montalto (como ele veio a ser chamado) estava sob uma nuvem, e gastou o longo reinado em sua casa no Esquilino preparando uma edição claramente irregular de St. Ambrósio. Estes anos de descanso também com seu cuidado para evitar ofender, significaram que ele ficou praticamente desconhecido, exceto para um poderoso círculo de amigos, a quem ele devia sua eleição unânime como sucessor de Gregório em um conclave praticamente livre de influência de grande poder. Ele tomou o nome Sisto por consideração de Sisto IV, um Franciscano como ele.

Um homem nascido para governar, enérgico, violento,e inflexível, Sisto finalmente restarou a ordem dos estados papais, que Gregório tinha deixado no controle de incontrolável banditismo. Ele fez isso em dois anos, usando medidas implacavelmente repressivas. Milhares de bandidos foram executados publicamente, e os nobres em que eles buscavam o abrigo eram punidos sem piedade. Ele então se virou para reformas econômicas e financeiras. Ao regular preços de alimentos, drenagem de pântanos e incentivar a indústria da agricultura, lã e seda, ele melhorou o lote de seus súditos. Seu sucesso em reabastecer o tesouro papal, deixado vazio por Gregório, foi espetacular. Ao reduzir as despesas até os limites (Seus padrões pessoais eram franciscanos), criando novos impostos, explorando venda de ofícios e concedendo empréstimos, ele acumulou em Castel Sant’Angelo, apesar de enormes despesas com obras públicas, mais de quatro milhões de scudi, a maioria deles em ouro. Isso o tornou um dos mais ricos príncipes na Europa e assegurou-lhe um independência financeira sem precedentes.

O prestígio de Sisto como papa recai sobre a sua reorganização duradoura da administração central da igreja. Em 3 de dezembro de 1586, pela a constituição Postquam verus, ele fixou o número máximo de cardeais em setenta, um total não excedido até João XXIII. As próprias nomeações dele eram, em geral, responsáveis, embora tenha nomeado de seu sobrinho de quinze anos Alessandro, o que causou um choque. Ele também remodelou o secretariado de estado, criando (22 de janeiro de 1588) quinze permanentes congregações de cardeais, seis para supervisionar a administração secular e o resto para supervisionar os assuntos espirituais. Este arranjo, que permaneceu praticamente inalterado até o Concílio Vaticano II (1962-5), reduziu a importância do consistório e, assim, as reivindicações do colegio sagrado de co-governar com o papa. Sisto usou a sua nova estrutura curial para impor efetivamente os decretos do concílio de Trento, em particular a proibição da simonia e pluralismo. Um ponto de viragem na reforma católica foi sua reconstituição (20 de dezembro 1585) da regra segundo a qual os bispos deveriam visitar regularmente a santa sé e enviar relatórios do estado de suas dioceses. Além disso, em conformidade com Trento, criou uma comissão para revisar a Vulgata, mas, impaciente com o seu progresso, assumiu a tarefa com suas próprias mãos e publicou (2 de maio de 1590) uma versão tão cheia de erros que teve que ser retirada após sua morte. Simpático com os os jesuítas, ele era generoso com os Franciscanos, e declarou o franciscano teólogo St Boaventura (d. 1274) um doutor da Igreja.

Em relações internacionais, os interesses de Sisto variaram amplamente. Em momentos visionários ele sonhou em usar seu tesouro para esmagar os Turcos e criar um estado cristão ao redor do Santo Sepulcro. Mais praticamente, ele ajudou os reis Estevão Bathory (1576-86) e Sigismundo III Vasa (1587-1632) para avançar o catolicismo na Polônia, induziu Carlos Emmanuel, duque de Savóia (1580- 1630), para anexar Genebra ao seu reino, e prometeu a Felipe II da Espanha (1556-98) enorme subsídios para a invasão da Inglaterra – mas recusou-se a pagá-los após a derrota da Armada (julho-agosto 1588). Desconfiado da dominação espanhola, ele procurou manter um equilíbrio de poderes católicos, mas sentiu-se obrigado a ajudar Felipe contra o Huguenote Henrique de Navarra (Henrique IV da França, 1589-1610), a quem ele excomungou em 1585. Nos últimos meses, no entanto, a perspectiva de fazer Henrique bom uso de sua pretenção à coroa francesa e ser convertido ao catolicismo o fez resistir às exigências de Filipe, mesmo com o risco de ruptura aberta. No mundo mais amplo, ele promoveu esforços missionários no Japão, na China, Filipinas e América do Sul.

Constantemente chamado ‘o papa de ferro’, Sisto era um esplêndido patrono da construção e bolsas de estudos no espírito da renovação católica. Largamente através de suas construções, Roma tornou-se uma magnífica cidade barroca; ele também iimaginativamente remodelou seu esboço, abrindo avenidas para vincular a sete igrejas de peregrinação, plantando obeliscos com curvas cruzadas em locais-chaves e construindo aquedutos para fornecerem um novo abastecimento de água, o ‘Acqua Felice ‘. Ele reconstruiu o palácio de Latrão e completou a cúpula de São Pedro. Ele também construiu uma nova e mais espaçosa biblioteca do Vaticano, e estabeleceu a imprensa do Vaticano,que em 1587 publicou uma edição da Septuaginta.Seu fim, provocado por sucessivos ataques de malária, foi apressado por confrontos acrimoniais, nas últimas semanas, com o embaixador espanhol sobre a realeza francesa. Geralmente considerado um grande papa, ele foi execrado por seus súditos; ao ouvir a morte dele, a multidão romana derrubou sua estátua no Capitólio.


J.N.D Kelly, The Oxford Dictionary of Popes. pp 271-273

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