S. Clemente I ( c. 92- c. 99)

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Dados biográficos precisos sobre Clemente de Roma são escassos. Sua identidade com o Clemente mencionado em Fil 4.3 ou com o Cônsul Titus Flavius Clemente, morto por sua fé pelo imperador Domiciano, é conjectural. Não existe evidência para apoiar a opinião de que ele era um convertido do Judaísmo. Devido a relatos divergentes em tão primitivos cristãos como Tertuliano (De Praescriptione 32) Irineu (Adv. Haer. 3.3.3), e por causa dos esforços de Epifânio (Panarion 27.6) de reconciliar os dados conflituosos, o tradicional terceiro lugar de Clemente ( depois de Lino e Cleto) na lista dos sucessores de Pedro não é certo. Seu pontificado é geralmente atribuído à última década do primeiro século. Relatos de seu martírio são lendários, baseados na Passio S. Clementis, escrito ou no quarto ou quinto século.

Primeira epístola. Apesar das incertezas biográficas,Clemente de Roma é um importante Padre Apostólico, cuja Eminência é fundada na Primeira Epístola de  Clemente para os coríntios. O texto da epístola em nenhum lugar reivindica Clemente como seu autor; afirma apenas que a Igreja de Roma está escrevendo pa ra a Igreja de Corinto. Irineu (loc.cit.), no entanto, sustentou que Clemente era o autor dessa carta. Ele observa que durante o episcopado de Clemente, a Igreja de Roma escreveu uma carta mais adequada para a Igreja de Corinto. Eusébio (Hist. Eccl. 4.23.11) cita uma carta escrita por Dionísio, bispo de Corinto, ao papa Sotério logo após a metade do século 2° que liga claramente o envio da epístola a Clemente. Seu nome tem sido associado com a carta desde a antiguidade crist ã primitiva e sua autenticidade não é questionada. A carta foi considerada inspirada e lida em muitas igrejas da era subapostólica. Tem sido por muito tempo estudada por causa da evidência da permanência e martírio de Pedro e Paulo em Roma, pelo seu conteúdo dogmático e juridico (a distinção entre clero e leigos, a ilicitudede privar os funcionários devidamente nomeados do seu cargo), e por referências ao código moral e liturgia da igreja primitiva em Roma.

Contexto histórico. O contexto histórico da epístola ainda precisa de esclarecimento. Corinto foi a sede administrativa da província romana de Acaiae como um centro comercial atraiu um grande número de Gregos, judeus e outros povos. No curso de sua segunda jornada missionária, São Paulo fundou uma florescente comunidade cristã lá. Mesmo durante sua vida conflitos e facções, entre outras desordens, causaram sérios problemas para a comunidade (1 Cor 1,11-16). Pelo visto,condições semelhantes se desenvolveram nos dias de Clemente durante a última década do século I.

Estrutura. Em estrutura, a epístola consiste em uma introdução(1–3), duas seções principais (4–36 e 37–61), e uma breve conclusão (62-65). Depois de chamar a atenção para a outrora florescente comunidade cristã, deplora Clemente as facções presentes e exorta a comunidade a penitência, pi edade, humildade e hospitalidade, acrescentando citações e exemplos das Escri turas para cada admoestação. Depois de lembrar os coríntios daharmonia em toda a criação e da bondade e onipotência de Deus, ele termina a primeira seção com observações sobre a ressurreição e julgamento e uma exortação à fé e boas obras. O pensamento estóico é um elemento dessa doutrina que, no entanto, pode ter vindo dos livros sapênciais do A.T.

A segunda seção principal lida diretamente com a discussão na igreja local. Deus requer ordem e obediência de todas as criaturas, conseqüentemente obediência e disciplina são necessários na Igreja. Assim como havia definido ofícios e deveres estabelecidos por Deus na Lei Antiga, assim também Cristo  escolheu os Apóstolos, que por sua vez nomearam bispos e diáconos para continuar o seu trabalho. Os elementos contenciosos entre os coríntios, os membros mais jovens, são exortado a fazer penitência, bem como ser submissos.

A conclusão resume as exortações e expressa a esperança de que os enviados que entregaram a carta retornem com a boa notícia de que a paz foi restabelecida. Não há provas  de que a Igreja de Corinto apelou à Igreja de Roma para uma decisão autoritária, nem o tom da epístola indica que é umaresposta oficial a uma situação formalmente apresentada para ação e solução. Na verdade, a carta afirma claramente que dá conselho (58.2) e está fazendo um pedido (59.2).

Saudação. A saudação da epístola, ” A Igreja de Deus que se aloja em Roma para a Igreja de Deus que permanece em Corinto”, ecoa em suas próprias palavras a preocupação da idade subapostólica com a iminência da Parúsia, a segunda vinda de Cristo como juiz. Em espírito de solidariedade fraterna, a Igreja em Roma apela à comunidade cristã em Corinto a restaurar a paz e a harmonia, usando uma linguagem exortativa ao em vez de peremptória. Já que Clemente escreveu no nome da comunidade e não em seu próprio nome, muitos estudiosos concluem que o episcopado monárquico não existia em Roma naquela época e que uma estrutura comunal era provável. Além disso, ele usa episkopoi (supervisores) e presbyteroi (anciãos) como termos equivalentes, sugerindo que esses ofícios não haviam atingido linhas firmes em Roma. Alusões de Clemente à filosofia estóica e sua citação da fênix como uma prova natural da ressurreição, mostram que a comunidade romana não evitou completamente a cultura pagã.

A chamada segunda epístola de Clemente aos Coríntios não é uma carta, mas uma homilia escrita talvez em Corinto por um autor desconhecido, provavelmente perto do meio do século 2°.

Festa: 23 de novembro.


New Catholic Encyclopedia. pp. 773-775

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