Papa São Calisto (217-22)

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Sua carreira é principalmente conhecida pelo relato distorcido, mas factualmente reveladora de seu crítico amargo, Hipólito. Na juventude ele foi o escravo de um cristão libertado, Carpóforo, que o colocou em um banco. Ele entrou em pânico e fugiu quando o negócio falhou, com graves perdas para os depositários cristãos, mas seu mestre o trouxe de volta e o colocou para trabalhar em uma esteira. Seus credores, que esperavam recuperar sua dinheiro, arranjaram sua libertação, mas ele foi acusado de brigar em uma sinagoga no sabbath e foi sentenciado pelo prefeito da cidade  ao trabalho duro nas minas de Sardenha. Quando Márcia, amante do Imperador Cômodo (180-92), indagou Vitor I sobre o nomes de condenados cristãos nas minas e obteve sua liberação, Calisto se beneficiou e foi libertado também, embora Victor tenha deliberadamente omitido o nome dele. Quando ele voltou para Roma, o Papa enviou-o a viver em Anzio sob uma pensão mensal. O sucessor de Vitor, Zeferino, no entanto, lembrou-se dele, fez dele seu principal diácono e conselheiro, deu-lhe o controle do clero inferior, e nomeou-o curador do cemitério da igreja na Vila Ápia (agora as catacumbas de S. Calisto). O poder que ele subseqüentemente adquiriu sobre o papa, bem como suas habilidades administrativas, fizeram dele o poder real na Igreja romana, e na morte de Zeferino ele foi eleito papa. O presbítero Hipólito recusou-se a aceitar esta decisão e (de acordo com o relato aceito) se fez eleger bispo por um grupo cismático.

O reinado de Calisto foi marcado por brigas com o agressivo antipapa, que acusou ele de * modalismo e de frouxidão na disciplina, mas quem ele parece nunca ter formalmente censurado. A primeira acusação pode ser dispensada, porque ele excomungou Sabélio, o líder intelectual do modalismo, que sustentou que Pai, Filho e Santo Espírito não representam distinções reais na divindade, mas os modos sucessivos de sua auto-revelação. Isso não satisfez Hipólito, que zombou que ele só tinha passado a sentença com medo dele e que ainda era um modalista.

Na verdade, Calisto estava tentando direcionar um curso intermediário entre o modalismo, que ele rejeitou, e o ensino de Hipólito que a Palavra é uma hipóstase distinta ou pessoa, que ele via como diteista. Hipólito também reclamou que Calisto permitiu que um bispo culpado de ofensas graves permanecer no cargo, estava preparado para ordenar homens que tinham sido casados duas ou mesmo três vezes, recusou-se a condenar o clero que casavam, reconheceu uniões (condenadas pelo Direito romano) entre mulheres de classe alta e homens de status inferior e readmitiu à igreja conversos de seitas heréticas ou cismáticas sem penitência preliminar. A implicação disso não é, como tem às vezes foi entendido, que Calisto era um inovador ousado na prática penitencial; ele não era o “supremo pontífice” que publicou um ‘decreto peremptório’ sobre a penitência ridicularizado por Tertuliano (d. f.225). Em vez disso, em contraste com rigoristas antiquados como Hipólito, ele ensinou a cada vez mais aceita
visão que a igreja era (como a parábola do joio no meio do trigo sugeriu)lar de pecadores e santos, e deve, portanto, ofere cer a reconciliação a Cristãos que haviam caído em pecado depois batismo.

Embora seu nome apareça em um calendário de mártires do 4° século, é improvável, em vista da a ausência de perseguição no reinado de Alexandre Severo (222-35), que Calisto foi um mártir no sentido estrito. Uma Paixão lendária alegando descrever o seu fim sugere que ele morreu uma morte violenta, possivelmente em um motim popular. Ele foi enterrado em Trastevere na Via Aurélia, não no cemitério nomeado graças a ele onde outros papas do 3°século foram enterrados; e isso concorda com a história na paixão que sua morte teve lugar em Trastevere. Sua tumba real foi descoberta em 1960 no cemitério de Calepodius na Via Aurélia; a cripta é decorada com afrescos posteriores representando o seu alegado martírio.

Festa: 14 de outubro


J.N.D Kelly, The Oxford Dictionary of Popes. pp. 13-14

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