Papa Santo Estevão I (254-7)

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Um romano de nascimento, da gens Julia, ele sucedeu Lucio I depois de uma vacância de alguns sessenta dias. Um papa de alguma importância no desenvolvimento da Santa Sé, ele é principalmente conhecido por certos confrontos que ele teve com Cipriano, o influente bispo de Cartago. O primeiro surgiu da deposição de dois Bispos espanhóis que tinham apostatado sob perseguição. Um deles foi para Roma e persuadiu Estevão a reabilitar ele e seu colega. As igrejas espanholas então apelaram para Cipriano, e ele, tendo convocado um concílio de bispos norte-africanos, publicou uma carta sinódica confirmando a deposição; o concílio desculpou Estevão dizendo que ele tinha sido enganado sobre os fatos. O segundo por causa do Bispo Marciano de Arles, que adotou as visões rigoristas do antipapa Novaciano e estava recusando até a reconciliação do leito de morte para os cristãos que haviam caído em perseguição. Os bispos locais escreveram para Estêvão instando-o a depor Marciano, mas ele não tomou nenhuma ação. Eles viraram-se, portanto, para Cipriano, que assumiu o caso e exortou o papa a excomungar Marciano, arranjar um novo bispo para substituí-lo, e informar ao episcopado africano o seu nome para que eles pudessem saber com quem eles estavam em comunhão. O terceiro confronto foi mais importante teologicamente, sendo sobre a questão se o batismo administrado por hereges era válido. Cipriano, com as igrejas da África do norte (exceto por alguns céticos), Síria e Ásia Menor em geral, estavam certos que não: o batismo só poderia ser concedido dentro do igreja e hereges em busca de reconciliação
portanto, precisariam de batismo católico, ou seja, precisavam serem rebatizados. Estevão, representando a tradição de Roma, Alexandria, e Palestina, estava inflexível sobre o batismo herético ser válido: para ser reconciliados, hereges e cismáticos precisam, não serem batizados novamente (o que ele considerava ilegítimo), mas apenas receberem absolvição pela imposição das mãos. A questão estava em franca polêmica naqueles tempos no norte da África, e Cipriano realizou dois sínodos em 255 e 256, que reafirmaram sua posição. Enquanto isso Estevão, determinado a impor a visão romana em todos os lugares, escreveu às igrejas da Ásia Menor, declarando que ele não podia mais manter comunhão com eles desde que eles rebatizaram hereges; e quando Cipriano procurou informá-lo das decisões de seus sínodos, ele se recusou a receber seus enviados ou até mesmo oferecê-los hospitalidade. Rebatismo, ele argumentou, era um inovação que violava a tradição, e não podia ser aceita. Uma ruptura aberta entre Roma e grandes seções da cristandade agora ameaçadas; não é surpreendente que o bispo Dionísio de Alexandria, enquanto compartilhava sua visão da impropriedade do rebatismo, sentiu-se obrigado a escrever para Estevão implorando-lhe para adotar uma linha mais pacífica.A situação poderia ter ficado desesperadora se Estevão não tives se morrido em 2 de agosto de 257 e Cipriano, como mártir, um ano mais tarde.

Esses incidentes lançam luz sobre o crescente reconhecimento, na metade do 3° século sobre a posição preeminente de Roma, como um tribunal de recurso em qualquer lugar desde a Gália e Espanha, e como a Sé que as outras Sés julgam necessária estar em comunhão. Estevão surge como um prelado imperioso e intransigente, plenamente consciente de sua prerrogativa especial; seus bispos rivais não hesitam em colocar a culpa por dividir a igreja nele. É interessante que ele foi acusado de ‘glóriar sua posição como bispo e de reivindicar a sua sé como tendo a sucessão de Pedro, em quem as fundações da igreja foram colocadas ‘. Ele foi de fato o ‘primeiro papa, até onde se sabe, a encontrar um base formal para o primado romano no encargo do Senhor ao Apóstolo Pedro, citado em Mat 16: 18. A Lenda posterior refletida no LP o tratou como um mártir, mas o calendário romano de 354 o nomeia apenas na sua lista de bispos falecidos (não em mártires). Ele foi enterrado na cripta papal no cemitério de Calisto na Via Ápia.

Festa: 2 de Agosto


J.N.D Kelly, The Oxford Dictionary of Popes. pp. 20-21

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