A Celebração Eucarística no Rito Caldeu

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A JMJ’ 11 me ofereceu a oportunidade de participar na Celebração da Eucaristia em Rito Caldeu e posso dizer que foi uma vivência única. O povo de Puente del Arzobispo (Toledo) acolheu a esses peregrinos, a maioria são filhos de Caldeus que agora vivem na diáspora dada a perseguição que sofrem; também havia alguns que vinham do Iraque e, como já sabem , hoje em dia, estão estendidos pelos 5 continentes.

Eu gostaria de falar do Sacramento da Eucaristia no Rito Caldeu mas antes teria que destacar que esta Tradição tem 9 Sacramentos, e não 7, como a nossa : Imposição das mãos, Consagração do Altar, Batismo, Eucaristia, Consagração Monástica, Funerais , Matrimônio, Penitência e Unção dos Enfermos.

“Raze” (Mistérios) é o termo com o qual se designa a Eucaristia e faz referência aos Mistérios do Corpo e Sangue de Cristo que os fiéis recebem para sua santificação.

Vejamos de forma esquemática a Celebração Eucarística:

I. LITURGIA DOS MISTÉRIOS NO BEMA (Lit. Catecúmenos)

1.- Início, “Marmitha” (salmos 14, 150 e 116 cantados alternativamente), Antífonas, Hino “Lakhu Mara” (A ti, Senhor de todas as coisas, nosso louvor, a ti, Jesus Cristo, nossa prece, porque tu ressuscitas nossos corpos e salvas nossas almas ) , Triságio (Santo Deus, Santo Forte, Santo Imortal, tende piedade de nós ) e Oração do Triságio (Oh, Deus santo, glorioso, forte e imortal, que habitas no santo, onde descansa tua vontade, te suplicamos que nos escutes, oh Senhor, e tenhas compaixão e misericórdia de nós, como acostumas fazê- lo sempre, oh Senhor do mundo, Pai , Filho e Espírito pela eternidade. Amém ).

2.- Leituras: 2 do AT (Lei e Profetas), Apóstolo e o Evangelho.

3. “Karuzutha”(Litania), despedida dos catecúmenos (Oh Senhor, Deus forte, te pedimos que aperfeiçoe em nós tua graça e derrames por nossa mediação teus dons. Que tua piedade e tua misericórdia outorgue a teu povo o perdão dos pecados, e a todas as ovelhas do rebanho, que Tu elegeu, a remissão de suas culpas, por tua graça e tua misericórdia, oh Senhor do mundo, Pai , Filho e Espírito Santo na eternidade) , preparação das oferendas sobre o altar.

II. LITURGIA DOS MISTÉRIOS NO SANTUÁRIO (Lit. Fiéis)

1.- Credo e “Karuzutha”.

2.- Quddasva (Anáfora; literalmente Santificação):

2a. Rito da Paz, Karuzutha, Prefácio(o reza profundamente inclinado) e Santo.

2b. Oração e Palavras da Instituição (Depois da consagração adora o Corpo do Senhor e diz : Como se nos disse , estamos unidos teus humildes, débeis e míseros servos; porque Tu nos deu uma grande graça ao encher aos homens de tua vida divina e ao tirar nossa debilidade. Tu has expiado nossos pecados e nos levantou outra vez da morte; Tu has perdoado nossas culpas, das quais nos justificou; Tu iluminou nossa ciência e desterrou a nosso inimigo, divino Senhor. Assim o outorgou a victória a nossas debilidades pela preponderante misericórdia de tua graça).

2c. Oração e Epiclesis (Põe as mãos, uma sobre a outra, sobre as oferendas).

3.- Rito da Assinalação (sphragís) e Fração do Pão

3a. “Karuzutha” e Pai Nosso.
3b. Profissão de fé.
3c. Comunhão e Ação de graças.

Enquanto à Anáfora teria que dizer algo sobre a Anáfora de “Addai e Mari” (da qual temos anunciando em nosso Blog que haverá um Congresso en Roma em Outubro); esta Anáfora é usada pelos Ortodoxos e Caldeus, que tem mais outras duas, e também é a única que usam os de Rito Malabar. É uma Anáfora cujo original está em siríaco e que expõe um sério problema: não contém as palavras do Relato da Instituição; intentando dar solução a este problema em alguns Missais Caldeus ficaram no meio da Oração post Sanctus, no Missal Siro Oriental Ortodoxo ao final desta oração e no Malabar fora da Anáfora, justo antes da Fração.

“Malca”: Fermento Santo. O Malca é uma tradição que somente tem os Siro-Orientais Ortodoxos e é o fermento com o qual se elabora o pão para a celebração eucarística. No Altar sempre há um cálice pequeno que contém farinha, sal e água e no qual se deposita um fragmento do pão consagrado na celebração, que servirá para a confecção do pão da seguinte Eucaristia. Esta Tradição se remonta até a última Ceia em que Jesus deu a São João Evangelista um pedaço de pão , que por sua vez o misturou com a água que caiu do corpo de Jesus em seu Batismo e com o sangue e água que brotaram do lado de Cristo, e este foi repartido a todos os Apóstolos.

Atualmente, o Malca é consagrado na quinta-feira santa e os pedaços de pão velho são jogados em um poço que chega até as bases da igreja.

Finalizo o Post com algumas das coisas mais curiosas da Celebração:

– Enquanto aos Ornamentos: o Sacerdote usa capa em lugar da casula; e os Subdiáconos levam a estola ao redor do pescoço e cai para frente e para trás na altura do ombro esquerdo.
– O Sacerdote realiza mais de 30 atos de humildade e contrição ante a imponente majestade de Deus; na Anáfora, por exemplo, se inclina perante o altar e coloca as mãos sobre ele com as palmas para cima; e após a epiclesis, que tem lugar depois da Anáfora, se inclina para beijar o altar e as mãos se cruzam sobre seu peito.
– Há ao redor de 18 genuflexões.
– Outros gestos: são numerosíssimas as vezes que se beija o altar (em uma ocasião beija o centro do altar e cada um de seus ângulos) se faz o sinal da cruz, seja sobre o povo,
as oferendas ou sobre o altar
– O Leitor recebe a bênção do Sacerdote antes de ler.
– No Evangelho um Subdiácono incensa perante o que proclama o Evangelho; e o Sacerdote abençoa ao povo com o Evangeliário antes e despois da proclamação deste.
– As oferendas, uma vez colocadas no altar, se cobrem com um véu .
– “Sepultura do Senhor “: o Sacerdote dobra o véu ao redor dos vasos sagrados desde a Anáfora ate a elevação do cálice.
– Gesto da Paz: o Sacerdote põe entre suas mãos as mãos do mais próximo dele , e este por sua vez ao seguinte e assim passa o gesto a todo o povo; de maneira que a paz do Senhor passa diretamente do Celebrante a todos os presentes.
– Na Consagração toma a patena com o pão, eleva os olhos ao céu e traça a bênção sobre ele e finaliza fazendo uma inclinação profunda;
-Como em muitas liturgias orientais e na liturgia Hispano-Moçárabe, usa as palavras Sancta Sanctis e as diz de frente para as pessoas com as mãos estendidas e inclinando a cabeça.
– No Agnus Dei coloca a Hóstia sobre o cálice, se retira para o lado, e com sua mão direita no peito em sinal de contrição, assim o mostra ao povo
– Na Fração parte a Hóstia em duas partes e uma metade a introduz dentro do cálice e, a seguir, faz o sinal da cruz sobre os cibórios que contém o Corpo de Cristo para a comunhão dos fiéis.

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Bibliografía:
– Dalmais, Irenne-Henri. Las Liturgias Orientales. DDB, Bilbao 1991.
– Liesel, Nicolás. Las Liturgias de la Iglesia Oriental. Espasa-Calpe, Madrid 1959.
– Nin, Manuel. Las Liturgias Orientales. CPL, Barcelona 2008.

Tradução: David Nesta

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