CÁTAROS E O HOMOSEXUALISMO

CÁTAROS E O HOMOSEXUALISMO

Um Aviso, esse, e futuros textos são registros do Inquisidor Jacques Fournier (3 volumes), todas as notas entre parenteses são do registro, (por exemplo: I, 41; II, 52 etc.) Texto latino editado por Jean Duvernoy.

Estes registros mostram o perigo e o caos social que uma heresia pode causar, em alguns momentos podemos identificar algumas situações que não nos parecem estranhas nos dias atuais, vemos a cultura do aborto, desprezo pela vida, a prática do homossexualismo, incesto, entre outras situações que estamos observando a cada dia o seu renascimento.

Onde vais? — perguntou-me guillaume.
— vou à igreja.
,— Ah, bem! Retorquiu Guillaume. — que excelente “eclesiástica” me saíste! Mais valia que rezasse a Deus na tua casa do que ir à igreja rezar-lhe.
Respondi-lhe que a igreja era um lugar mais conveniente para rezar a Deus do que a minha casa.
Então, ele murmurou-me simplesmente:
— Não és da fé.

Assim, para Guilherme Buscailh, simpatizante fervoroso das ideias cátaras (não quis ele um dia que a sua cunhada, então lactante, fizesse a greve do seio, a fim de deixar morrer de fome um bebê herético!) (I,499), a fé albigense é algo que se vive e se pratica em casa, por oposição ao Dogma católico, que prefere o Santuário Paroquial. Esta ideia, de resto, é geral: quando a Heresia se instala numa casa,declara um camponês a Jacques Fournier, é como a lepra; encrusta-se lá durante quatro gerações ou para sempre (II,110).Aude Fauré, de Merviel, neurótica, perde a fé na Eucaristia; confessa suas dúvidas à sua vizinha e parente, Emengarde Garaudy. Esta, horrorizada, previne a incrédula dama das consequências nefastas que tal ceticismo pode ter para casa que ela habita e para Aldeia onde reside: traidora, diz a Garaudy a Aude, está aldeia e este ostal (casa) foram sempre puro de todo o mal e de toda a heresia. Veja lá se não nos traz o mal de outros lados nem faz com que a nossa aldeia seja amaldiçoada (II,87). Na opinião de Garaudy, as vias da heresia são, portanto, perfeitamente Claras: basta o erro de uma única casa para que toda a aldeia se perca. Inversamente, a violência inquisitorial é considerada acima de tudo, pelas suas vítimas como uma agressão contra a domus herética e só depois como um ataque à liberdade ou à Vida deste ou daquele indivíduo: esses dois traidores trouxeram a desgraça à nossa casa e ao meu irmão pároco, declara Bernard Clerque, invocando a Detenção do reitor de Montaillou, denunciado por dois Espiões (II,281).

DA EMOTIVIDADE AO AMOR

Entre os cátaros do celibato e as relações passageiros, caracterizam as pessoas mais humildes, que ocassionalmente têm uma amiga, por vezes com fama de mulher de muitos amores, nas pastagens e nos Burgos. A vida dos casais, é totalmente deteriorada pela delinquência sexual, revela-se normalmente complexa; oferece, com era de esperar, todas as variedades de casamento e de comcubinato: uniões conjugais com ou sem amor. É somente ao nível da cidade que os rapazes de boas famílias vindo dos campos para estudarem nas escolas, correm o risco de se ligarem, fora das domus, a algumas redes de homossexualidade que podem funcionar nesta época. Essas redes são mais urbanas do que rurais e mais entre os padres cátaros do que sobre os laicos. Sobre este ponto preciso, relativo à homossexualidade não aldeã, registro de Jacques Fournier alarga-se, mais uma vez, à biografia psicológica. Vai além de uma simples e seca nota, levando a um verdadeiro estudo de personalidade. Permite, neste caso, a elaboração de um processo homossexual. Nesta conjuntura especial, vamos sair da referência das aldeias, os campos só podem ser compreendidos em relação à cidade que os domina; o amor em Montaillou só se pode descrever se comparamos com amor em Pamiers, cujas variedades são muito mais diversas. Face à muito relativa inocência campestre, Pamiers é já a cidade, a grande babilônia, é Sodoma ou mesmo gomorra.

O HOMOSSEXUAL

Arnaud de Verniolles, originário de Pamiers, subdiacono e ex- franciscano, foi iniciado na homofilia na infância por um camarada mais velho, condiscípulo e futuro padre(II,39, III,49). Eu tinha então 10 a 12 anos. Há mais ou menos vinte anos. O meu pai tinha-me mandado aprender a gramática para a casa do mestre pons de massabuco, mestre de escola, e que se tornou dominicano. Eu estava na mesma quarto com esse mestre Pons e com seus alunos, Pierre de Isle (de Montaigu), Bernard Baleada (de Pamiers) e Arnaud Auriol, o filho do cavaleiro Pierre Auriol. Esse Arnaud era de La Bastide-de-sérou; já fazia a barba e agora é padre. Havia também o meu irmão Bernard de Verniolles e outros alunos cujos nomes esqueci.

No quarto comum, do mestre e dos alunos, durante umas seis semanas deitei na mesma cama com Arnaud Auriol… Na quarta ou quinta noite que passamos juntos, pensando Arnaud que eu estava dormindo, começou a abraçar-me, e a meter-se entre as minhas coxas… e a mover-se como que eu fosse uma mulher. E assim continuou a pecar todas as noites. Eu não passava de uma criança, isso desagradava-me. Mas, cheio de vergonha, não houve regular a ninguém esse pecado….

Em seguida a escola do mestre Pons muda. Arnaud de Verniolles tem, assim, outros companheiros de cama, entre os quais o seu professor. Este documento, com a preocupação da poupança, dorme com dois de seus alunos. Mas ninguém ousa voltar a atentar contra virtude do jovem Verniolles. O mal, porém, está feito. Na promicuidade das dormidas, o aluno de Pamiers desperta uma tendência latente. Vítima de um ato de sedução infantil, está votado a tornar-se homossexual.

Em Toulouse, cidade grande, onde Arnaud de Verniolles prossegue, durante algum tempo, os seus estudos, essa orientação torna-se definitiva. E isso no segmento de incidentes fortuitos que o nosso estudante é, provavelmente, levado a aumentar e que interpreta de maneira abusiva: na época em que queimavam os leprosos, conta Arnaud, eu habitava em toulouse; um dia <> É, após a perpetração deste pecado, a minha cara começou a inchar. Acreditei, então aterrorizado que tinha ficado leproso; jurei que, de futuro, que jamais me deitaria com uma mulher; para ser fiel a este juramento, pus-me a abusar dos rapazes.

Após estes dois traumas, Arnaud afasta-se das mulheres. Pederasta ativo, mas não ainda notório, tem vários êxitos masculinos. Seduz adolescentes ou rapazes de 16 a 18 anos: por exemplo (III,49) Guillaume Rosa, filho de Pierre Ros de Ribouse ( atual Aude) é Guillaume Bernard de Gauldiès (atual Ariège). Estes alunos mais ou menos ingênuos são possuídos pelo antigo aluno, que outrora tinha sido seduzido na escola: reprodução cultural. Guillaume Ros e Guillaume Bernard são originários do campo mas residem na cidade. De tempos a tempos, Arnaud atira uma das suas conquistas pura e simplesmente para cima de um monte de estrume. Outras vezes, faz uma corte mais cerimoniosa: leva sua jovem presa para uma pequena cabana no meio das vinhas. Lá tem e dá prazer, arrancando à sua vítima uma adesão mais ou menos entusiasta: Arnaud ameaçou-me com uma faca, torceu-me o braço, arrastou-me apesar dos meus coices, mandou-me para o chão, apertou-me contra ele ia espalhando o seu sêmen entre as minhas pernas, conta Guillaume Rosa (III, 19). Mas Arnaud de Verniolles recusa admitir que uma tal cena de violência tenha ocorrido entre ele e o rapaz: consentimos os dois, diz, a propósito deste episódio ((III,43). Naturalmente, Arnaud esmera-se em executar o ato de sodomia em diversas posições: como com uma mulher ou por detrás, etc. (III, 31). Por vezes, numa pequena casa do campo que abriga os amantes, estes põem-se em túnica, lutam e dançam antes de praticar o ato de sodomia ou despem-se inteiramente (III, 40,41,42,44). Depois do amor e dos beijos, Arnaud e o amigo momentâneo juram sobre os quatro evangelhos, sobre um calendário (III,40) ou sobre a bíblia do refeitório de um mosteiro, jamais revelar a alguém o que se passou entre eles. O estudante oferece as suas conquistas, não sem reticências, pequenas dádivas, tal como uma faca,etc. Todas essas atividades preechem os lazeres do nosso homem, sobretudo por ocasião dos dias feriados, é durante a festa que ele faz a festa. São acompanhadas, no que diz respeito aos adolescentes que a isso se dedicam, e entre os monges e frades mendicantes que formam o meio social de Arnaud, de fortes tendências masturbatorias (III,43). A acreditar nele, Arnaud de Verniolles não tem uma ideia bem nítida de caráter criminoso de que se reveste a sodomia na ótica da Igreja de Roma. Eu disse a Guillaume Ros e com muito boa fé, declara ele, que seu pecado da sodomia e os da fornicação ou da masturbação deliberada, eram em gravidade, mais ou menos a mesma coisa. que achava mesmo na simplicidade do meu coração que a sodomia e a simples fornicação eram pecados mortais, é verdade, mas muito menos graves que a defloração das virgens, o adultério ou o incesto (III, 42, 49). Dito isto, Arnaud tem uma dúvida; tem uma espécie de retorno à cultura religiosa, dogmática e disciplinar. sabia, acrescenta ele, que o pecado da sodomia só pode ser absorvido pelo bispo ou porum procurador do bispo (III, 43).

Continua

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