OS COMUNISTAS E SOCIALISTAS SE OPUSERAM A QUE O DR. CATÓLICO TAKASHI NAGAI FOSSE ACLAMADO HERÓI NACIONAL DO JAPÃO

31392970_1680617542031895_5883518713440763904_nPor volta do fim de 1948 , no Japão , todo mundo lia as obras de Takashi Nagai. No dia 25 de maio de 1949, o ministério de Previdência Social conferiu uma condecoração especial ao livro Filhos de Nagasaki. Com o lançamento do filme Os Sinos de Nagasaki, o Ministério da Educação japonês recomendou- o para todas as escolas e incluiu trechos sobre Takashi nos programas dos livros escolares. Takashi Nagai também se tornara conhecido no exterior. O primeiro livro , em inglês, escrito por um sobrevivente da explosão da bomba atômica foi a reunião de histórias de Takashi sob o título Nós de Nagasaki. Os leitores da América do Norte e do Sul começaram a lhe enviar presentes. Aumentava o número de periódicos que publicavam artigos sobre o cientista moribundo que continuava a trabalhar e escrever. Em rápida sucessão, foram publicados quatro livros novos de Takashi .

Em setembro de 1949 , foi apresentado na Câmara dos Representantes do Parlamento japonês um projeto de lei um tanto Extraordinário. Ele visava honrar dois Japoneses que haviam contribuído muito para restabelecer a nação desmoralizada : o primeiro Prêmio Nobel do Japão , o físico Hideki Yakawa e o cientista e homem Santo de Nagasaki , Takashi Nagai. Os parlamentares comunistas e socialistas opuseram-se ao projeto. Aceitaram as credenciais de Yakawa, mas se opuseram totalmente a qualquer condecoração do Parlamento para o “sentimentalismo religioso” Nagai.

A campanha virou difamação : afirmavam que Takashi nem sequer era vítima da bomba atômica e tampouco sofria da verdadeira doença da radiação ! Diziam que ele não escrevia os livros e artigos publicados em seu nome , mas sim valia- se de um Ghost-Writer, se aproveitando da solidariedade das pessoas para ganhar dinheiro fácil. Os políticos contrários a Takashi tinham acesso aos meios de comunicação , que foram usados inescrupulosamente para impedir que o cristão Takashi Nagai fosse aclamado herói nacional.

Um certo Dr. Shimizu, por exemplo, escreveu um artigo para o jornal Nihon Dokusho, com argumento de que um homem nas condições físicas de Takashi , estaria completamente impossibilitado de produzir o material publicado em seu nome. Amigos de Takashi, entre eles o historiador Kataoka , ficaram furiosos e insistiram em que Takashi se defendesse das acusações públicas. Takashi Nagai negou- se por motivos incompreensíveis para eles. Tinha sido ofendido, sem dúvida nenhuma, porém dizia : “Deixem. Dizem que não escrevi os livros. Fundamentalmente,estão certos porque todas as ideias em meus livros e artigos são da Bíblia ou de outras pessoas. E de meu valor literário, não tenho ilusões. A graça de Deus é a fonte de toda a inspiração de meus escritos.” Mas o primeiro-ministro japonês, na ocasião, não tinha a paciência e a humildade de Takashi. Era Shigeru Yoshida , que se destacara como diplomata no exterior, antes da Guerra. Como embaixador na Grã-Bretanha, cujas tradições e sistema judiciário respeitava profundamente. Se opôs Inexoravelmente aos novos militaristas do Japão. Foi obrigado pelos militaristas a deixar seu posto, a não participar das negociações da guerra , já no Japão, e foi aprisionado em Tóquio antes do final do conflito. Depois da guerra, ocupou o cargo de primeiro-ministro por sete anos , mostrando-se declaradamente liberal e favorável ao Ocidente. Tinha aversão aos comunistas japoneses que , segundo ele, estavam dispostos a arruinar o Japão por causa de uma ideologia estrangeira. Suspeitava que os Comunistas atacavam Takashi apenas por sua fé cristã. Yoshida não era Cristão, mas tinha profunda estima pelas irmãs do Sagrado Coração de Jesus , que haviam educado sua filha e as filhas de inúmeros amigos diplomatas no Japão e no exterior. Yoshida nomeou uma comissão no Parlamento para investigar os ataques contra Takashi.

O presidente da Comissão foi a Nagasaki e conversou com funcionários da cidade, o corpo docente da Universidade, médicos e editores de Nagasaki. Chegou a verificar manuscritos de livros escritos penosamente à mão por Takashi. Os editores de revistas apresentavam-se com artigos que Takashi fizera gratuitamente. Asanaga , Professor assistente da faculdade de Medicina de Nagasaki, documentou o caso clinico de leucemia de Takashi desde o tempo em que ele trabalhava como radiologista : Desde 1932 , por 12 meses, Takashi trabalhara entre os pioneiros do uso do aparelho de raio- X, que naquele tempo não oferecia proteção contra radiação. Entre 1934 e 1937, período em que os médicos ainda não tinham a certeza sobre a quantidade de radiação que podiam absorver sem perigo de leucemia, Takashi fazia radiografias durante oito horas, e até mais , por dia. De 1940 a 1945, Takashi foi pioneiro e responsável pela unidade de detecção de tuberculose do hospital , tirando um grande número de radiografias, pois a guerra reduzira drasticamente a equipe de radiologia. Além disso, havia um programa sobrecarregado de Raio X por conta dos pacientes do hospital e das aulas práticas dos estudantes de Medicina. Dr. Asanaga concluiu que a consequência normal de toda essa radiação deveria ser o câncer. Acrescentou um diagnóstico minucioso da leucemia crônica de Takashi, após sua exposição à radiação depois da explosão da bomba atômica.

Pessoas simples, que tinham enviado cartas a Takashi lhe contando seus problemas começaram também a defendê-lo, revelando as comoventes respostas recebidas. Pacotes de tal correspondência ainda podem ser vistos no Museu da Nyokodo. Em 1985 , ao visitar um amigo doente no distrito oeste de Tóquio, encontrei-me com um dos correspondentes de Takashi. Encontrava-se em uma instituição para pacientes com hanseníase estabilizada. Enquanto estávamos conversando no quarto, a enfermeira-chefe Koseki entrou e perguntou o que eu estava fazendo em Tóquio. Quando lhe disse que estava recolhendo materiais a respeito do Dr. Nagai , ela reagiu imediatamente: ” Dr. Nagai ? Verdade? Espere Um Momento.”

Ela saiu correndo, o deixando-me perplexo, mas logo regressou meneando uma carta : ” Olhe , Esta é a resposta do Dr. Nagai a uma carta que enviei a ele “, e contou a história. Em 1949, ela trabalhava como enfermeira em um leprosário do governo. Naquele tempo, frequentemente os pacientes hansenianos perdiam a visão, e o serviço de enfermagem incluía a leitura de algum livro para eles. De alguma forma, um livro de Takashi chegou às suas mãos. Leu- o para seus pacientes, depois escreveu ao autor transmitindo-lhe como fora comovedor ver lágrimas correrem daqueles olhos cegos.” A resposta de Takashi era a carta que ela segurava nas mãos. A carta continha um poema Waka, que podia ter causado profundo ressentimento, se tivesse vindo de outra pessoa. ” HITO NI TORITE TOTOKI MONO WA TAMASHI TO SHIRASHIMEN TAME NI RAI WA ARU NARI”. A lepra lhes fez conhecer que a propriedade mais valiosa do homem é seu espírito “.

Hihara- San, meu amigo cego, bateu na mesa baixa à qual estávamos sentado sobre o tatame. “Está certo está certo”. Quando contraí lepra , eu era um homem jovem , com uma linda mulher e uma filha , mas eu não refletia sobre as coisas. A sociedade repudiou-me, isolou-me de minha mulher e minha filha e baniu-me para uma colônia de leprosos cercada por um fosso. Entrei em desespero e tentei o suicídio. E lá estava Takashi, que perdera tudo , moribundo , mas em paz consigo mesmo e com o mundo. A enfermeira-chefe continuou a ler os livros de Takashi , e ele começou a escrever para nós. Foi ele que me levou a Cristo e a fé que descobre que tudo na vida é um dom e uma graça. Há 50 anos contraí lepra, e posso dizer : agradeço a Deus pela lepra e agradeço a Deus por Takashi. ”

No dia 23 de dezembro de 1949 , a comissão que investigava Takashi Nagai voltou a Tóquio, e o Parlamento japonês aprovou a condecoração de Takashi Nagai como herói Nacional. O ministro do Estado foi fazer a entrega na Nyokodo , onde também se reuniram o governador da Prefeitura de Nagasaki e o prefeito da cidade. Na ocasião, o Imperador enviou a Takashi três taças de prata para saquê, gesto que anteriormente fizera uma única vez.

Hino a Nagasaki, Paul Glynn. Tradução : Pe. Lino Stahl, SJ. Edições Loyola. Pág.201 ,202 ,203 e 204

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