A REVOLUÇÃO FRANCESA E A REFORMA PROTESTANTE, ERA DAS LUZES OU TREVAS? Parte I

A REVOLUÇÃO FRANCESA E A REFORMA PROTESTANTE, ERA DAS LUZES OU TREVAS?

É preciso mentir como um demônio, escrevia Voltaire: não timidamente, nem só temporariamente,mas sempre e com audácia” (Carta a Theriot).

Para entender melhor a relação entre reforma protestante, renascença e maçonaria eu indico ler um outro texto meu de título “A REFORMA PROTESTANTE FILHA DA RENASCENÇA”.
O papel revolucionário da maçonaria consiste mais em criar o estado de ânimo revolucionário do que em agir diretamente.
Vou citar, como prova, através deste texto bem resumido alguns textos maçônicos, e palestras dadas por alguns maçons, que foram registradas dentro da história:
“À República francesa, filha da Maçonaria francesa, à república Universal do Futuro, filha da Maçonaria Universal…” >>( Brinde do presidente do Grande Oriente em 1923. Convenção do Grande Oriente 1923 página 403).
“Quando consideramos o trabalho realizado, temos o direito de nos orgulharmos da nossa propaganda. Sabemos perfeitamente que a tarefa ainda está incompleta; mas que são dois séculos, na vida da humanidade?”
“Dois séculos depois do seu aparecimento, o próprio cristianismo não parecia ter correspondido à esperança dos seus profetas e, contudo, acabou dominando o mundo ocidental”.
“Dar-se-á o mesmo com a Maçonaria, porque, com o progresso constante da instrução e da ciência que matam os deuses e as superstições, ela aparecerá, cada vez mais, como a única religião Divina dois homens”.
“Não temos o direito de desanimar, porque o nosso segredo continua sendo o que revelava um curioso livrinho, hoje esgotado, publicado em Bruxelas em 1744, A Maçonaria ou a revelação dos mistérios dos maçons por Mim, consiste em edificar, insensívelmente, uma república Universal e democrática que terá como rainha a razão e como Supremo conselho, uma assembleia de sábios…”>>( Albert Lantoine, Hiran aí jardim des Oliveira, pág.30-32, Paris, 1928).

A MAÇONARIA E A REVOLUÇÃO DE 1789

De todos os historiadores clássicos que atuaram na Revolução, e deram continuidade às suas ideologias, nenhum deles menciona o papel que a Maçonaria desempenhou na revolução.
É sabido que alguns, muito raros, souberam a verdade, e por termo ou por interesse, conservaram-se sob silêncio.
Pouquíssimos falaram: foram considerados visionários. Muitos dentre eles — que destacamos como pessoas sinceras — perceberam que as manifestações revolucionárias de 1789 não eram inteiramente espontâneas. Presentiram um impulso secreto, sem poder descobrir a origem.
Na época atual, a maçonaria reconhece abertamente a revolução francesa como obra sua.
Na câmara dos deputados, na sessão de 1 de julho de 1904, o marquês de Rosanbo pronunciou as seguinte palavras:

“A Maçonaria trabalhou em surdina, mas de uma maneira constante, para preparar a revolução”.

Junel —”efetivamente orgulhamo-nos disto”.
Alexandre Zévaès — “É o maior elogio que V.Sª Só pode fazer”.
Henri Michel (Bocas do Ródano)—”Eis a razão pela qual vossa senhoria e os seus amigos a detestam”.
Mas Rosanbo — “Estamos, pois, perfeitamente de acordo sobre este ponto: a Maçonaria foi a única autora da revolução e os aplausos que recebo da esquerda e aos quais estou pouco habituado, provam senhores, que reconheceis comigo que ela fez a revolução francesa”.
Junel — “fazemos Mais Do Que reconhecê-lo: proclamamo-lo”.
O plano maçônico foi o seguinte:
É preciso destruir a civilização cristã no mundo. O ataque deve começar pela França que é a sua representante mais poderosa; é preciso aniquilar o que constitui a sua força: a monarquia e o catolicismo. Privada destas bases, a ordem social ficará indefesa e será possível abolir a Hierarquia, a disciplina, a família, a propriedade, a moral.

Como a Maçonaria não pode entrar em luta aberta com a igreja, atacará os seus esteios naturais: a monarquia e a nobreza; Portanto o seu sentido e contigo não é só político, mas essencialmente social e religioso, desde que a civilização ocidental tem por base a doutrina e a disciplina Cristã.

Abolição da monarquia por direito divino era a condição do êxito do plano inteiro. A revolução que aceleram ter sido feita pelo povo foi, na realidade, praticada contra ele. A monarquia e à nobreza não foram aniquiladas, porque oprimiam a França, mas, pelo contrário, porque a protegiam demais.
Esse plano foi traçado minuciosamente e por escrito, pela mão de Weishaupt, chefe da seita maçonica dos iluminados, eram visíveis no arquivo de Munique. (Esses documentos foram reproduzidos, em parte, pelo Padre barruel, em seu livro Memoires pour servir a l’histoire du jacobinisme, 1798, e mais recentemente, na Conjuração anticristã de Monsenhor Delassus,1910. Veja também Le Forestier, Les iluminès de Bavière, 1914 e N. H webster, the world Revolution, 1922).
Segundo Colorido d’ Herbois, o princípio geral é: “tudo é lícito para a Vitória da revolução”.
Essa força misteriosa que dirigia o ataque espalhava algumas ideias belas e sublimes, Na aparência, mas que eram, na realidade, uma arma terrível de destruição. Além disto, teve a seu serviço o verdadeiro gênio da fórmula: o essencial é dizer as massas a frase exata, sonora e cheia de Belas promessas; pode ser depois fazer o contrário do que se promete, que não terá mas nenhuma importância. Sirvam de exemplos as três palavras de origem maçônica: liberdade, igualdade, fraternidade, que serviram para destruir a França.
Resumindo: a revolução de 1789 não foi o movimento espontâneo de revolta contra a tirania do antigo regime, nem um impulso sincero e entusiástico a favor das ideias novas de liberdade, igualdade e fraternidade, como se desfazer acreditar. A Maçonaria foi a inspiradora do movimento. Se não criou completamente a nova doutrina, cuja origem provém da reforma, colaborou os princípios de 1789, difundidos nas massas e contribuiu ativamente para sua realização.
Vamos fazer agora conhecer a preparação revolucionária dois enciclopedistas. O que se ignora é o papel preponderante que a maçonaria desempenhou em toda a revolução. Vamos ver o testemunho do maçom Bonet, orador da convenção do Grande Oriente da França em 1904:
” No século XVIII a gloriosa casta 2 enciclopedistas encontrou nos nossos tempos um auditório fervoroso que, o único naquela época, invocava a radiosa divisa, ainda desconhecida das multidões: “liberdade, igualdade e fraternidade”. A semente revolucionária germinou depressa nesse meio seleto. Os nossos ilustres irmãos d’Alembert, Diderot, Helvétius, d’Holbach, Voltaire, Condorctet relataram a evolução dos espíritos, prepararam a NOVA ERA. E, quando a Bastilha desmoronou, coube à Maçonaria a suprema honra de outorgar à humanidade a carta que, com tanto carinho elaborara.
Foi o nosso irmão de La Fayette quem primeiro apresentou ‘o projeto de uma declaração dos direitos naturais do homem e do cidadão vivendo em sociedade’, que forma o primeiro capítulo da Constituição.
A 25 de agosto de 1789, a constituinte, que contava, entre seus membros, mais de 300 maçons, adotou definitivamente e quase palavra por palavra, tal como fora longamente estudado nas lojas, o texto da Imortal Declaração dos Direitos do Homem. Naquela hora decisiva para civilização, a Maçonaria francesa representou a consciência Universal e não cessou, depois, de contribuir com o resultado das lentas elaborações das suas lojas para as improvisações e as iniciativas dos constituintes”.
Entre os documentos que atestam ação revolucionária da maçonaria, os mais completos são os dois iluminados.
Observamos quê em circunstâncias diversas o governo da base área mandou apreender, em Munique, o arquivo da seita do Iluminismo, a 11 de outubro de 1786. O chefe Weishaupt conseguiu fugir. Da perseguição Uberaba que resultou o descobrimento de um minucioso plano de revolução Mundial. (Todos os documentos foram reunidos sob o título de escritos originais da ordem e da seita dos iluminados e publicados por A. François, tipografia da corte, em Munique, 1787.
A alma da sociedade era o seu chefe, Weishaupt. Na sua histoire de la révolution, Louis Blanc, revolucionário bastante puro para que não seja possível duvidar das suas palavras, assim lhe caracterizou a ação:
“Conseguir simplesmente pela atração do mistério, única força da sociedade, submeter a mesma vontade e animar com a mesma ideia milhares de homens, em várias regiões do mundo e principalmente na Alemanha e na França, transformar esses homens em seres inteiramente novos, por meio de uma educação lenta e gradual, tornando-se obediente até ao delírio e á morte a chefe invisíveis e ignoradas, influir secretamente com peso de semelhante Região sobre os corações, circundar os soberanos, dirigir, sem que percebam, os governos elevar a Europa inteira ao ponto de aniquilar toda superstição (leia-se religião cristã) de derrubar toda monarquia, de declarar injusto qualquer privilégio de nascença e de abolir o próprio direito de propriedade: tal foi o plano gigantesco do Iluminismo”.
Para passar da preparação à atividade, trabalho de organização e de concentração maçônica. Para este fim, instalou-se em Wilhelmsbad, perto de Frankfurt, em 1784, congresso maçônico europeu no qual os iluminados tiveram um papel preponderante e em que foi posta em discussão A Marcha da obra e, segundo alguns autores, a morte de Luís XVI e de Gustavo III da Suécia.
Temos sobre este ponto os testemunhos particulares de mirabeau, no conde de Haugwitz, do conde de Virieu, do Reverendo P. Abel, etc.
No Congresso de Verona em 1822, o delegado da Prússia, Conde Haugwitz, leu um relatório em que confessava ter sido maçom e encarregado das reuniões maçônicas em diversos países. ( O escrito desse estadista foi publicado pela primeira vez em Berlim, no ano de 1840 na obra intitulada Dorrev’s Denkschiften und Briefe zur Charakteristik der welt Endereço Literatura, [vol.IV, pág. 211-221].

Eis um trecho do seu relatório:

“Foi em 1777 que me incumbi da direção das lojas da Prússia, da Polônia, e da Rússia.
Frequentando as adquire a firme convicção de que tudo quanto aconteceu na França desde 1788, Ou seja a revolução francesa, inclusive o assassinato do Rei com todos seus horrores, não só fora resolvido naquela época, mas fora preparado com reuniões, instruções, juramentos e indícios que não permitem a mínima dúvida, acerca da Inteligência que tudo preparou e dirigiu”.
O Conde de virieu Fora delegado em Wilhelmsbad, como representante da loja maçônica dos cavaleiros benfeitores de Lião. Depois do seu regresso a Paris, atemorizado pelo que soubera, declarou:

“Não vos direi os segredos de que sou portador, mas jogo podemos adiantar que se está tramando uma Conjuração tão bem urdida e tão profunda, que dificilmente a religião e o governo deixaram de sucumbir”.
O Reverendo P. Abel, filho do ministro da Baviera, numa conferência em Viena, por ocasião da Quaresma de 1898, pronunciou estas palavras:

pronunciou estas palavras:

“Em 1784, houve, em Frankfurt, uma reunião extraordinária da Grande Loja eclética. Um dos membros por pois a votação da sentença de morte de Luiz XVI, rei de França, e de Gustavo III, rei da Suécia. Esse homem era meu avô”.

Um jornal O Judeu a nova Imprensa Livre censurou o orador porque assim diz considerado a sua família na conferência seguinte o P. Abeu declarou:

“Antes de morrer, meu pai determinou, como última vontade, queria aplicar-se em reparar o mal que ele e os nossos parentes tinham praticado. Se eu não tivesse de executar essa prescrição do testamento de meu pai, datado de 31 de julho de 1870, não diria essas palavras que pronunciei”.
Copin Albancelli, na sua obra Le pouvoir occulte contre la France (o poder oculto contra a França),analisa, nestes termos, o estudo de Cochin e Charpentier:
“Esses dois escritores estudaram os documentos dois arquivos municipais e nacionais de 1788 e 1789, Nos quais encontraram inúmeros vestígios da são maçônica. Para exemplificar, diremos que se aplicaram de maneira especial ao estudo Eleitoral de 1789 na Província de Borgonha, e aqui está transcrito o resultado desse estudo:
Verificaram que as principais petições contidos nos cadernos desta província não tinham sido redigidos pelos Estados nem pelas corporações da região, mas por uma insignificante minoria, por um reduzido grupo composto de uma dúzia de membros, médicos, cirurgiões, procuradores e advogados. Esse grupo não só redigia as proposições, mas manobrava, para que fossem aceitas sucessivamente por todas as corporações; usava astúcias e subterfúgios, para atingir os seus fins; e, quando não os alcançava, chegava ao ponto de falsificar os votos adotados.
“Não é tudo: verificaram mais que, os documentos provenientes desse grupo em ação na Borgonha, era empregada uma gíria que agora conhecemos perfeitamente a gíria maçônica. E, finalmente, para completarem a sua demonstração, os nossos dois autores, estendendo as suas pesquisas, encontraram processos análogos aplicados em outras províncias, as mesmas insignificantes minorias, formadas de elementos semelhantes, agindo em toda parte do mesmo modo, obedecendo, portanto, à mesma ordem, empregando essa mesma gíria tão especial e tão fácil de reconhecer e provando por conseguinte, que essa ordem emanava da maçonaria. De modo que — concluem Cochin e Charpentier — de 1787 a 1795 nenhum movimento — excedo o da Vendéia — foi propriamente popular, mas todos foram decididos, organizados, determinados em todos os seus detalhes pelos chefes de uma organização Secreta, agindo, em toda parte, ao mesmo tempo e com os mesmos métodos e fazendo executar, em todos os lugares, a mesma ordem”.
A obra do maçom Gastão Martins fornece sobre o papel preparatório da revolução desempenhado pela maçonaria uma série clara e copiosa de documentos. Este autor acusa de marfim todos os adversários da maçonaria. Isto corta qualquer discussão. ” A Maçonaria não é subversiva, afirma ele; respeita o rei, a religião e as leis. Todavia, convém acrescentar que esse respeito não é passivo. As leis são respeitáveis, mas não são intangíveis” (pág.43). Como espíritos esclarecidos que se orgulham de ser, os Maçons reservam-se o direito de alterar as leis e efetivamente propagam princípios que tem por objeto a sua destruição.

Tudo isto não passa de um jogo de palavras; restam os fatos, sobre os quais todas as opiniões coincidem.

A Maçonaria proclama e difunde em grupo sistema de ideias políticas e religiosas que constituem uma civilização diferente e radicalmente opostas à antiga. Para a Maçonaria, ela é, por definição, superior; portanto a maçonaria é uma força construtora.

Nós a julgamos, pelo contrário, perigosa e maléfica e como, para estabelecer essa nova civilização, é indispensável destruir primeiro a outra, temos o direito de afirmar que a Maçonaria é uma força destrutiva.

G. Martin estuda a ação da maçonaria francesa no período preparatório da revolução.
1ª) A elaboração da doutrina revolucionária
2ª) A propagação da doutrina.
3ª) O papel ativo da maçonaria.

Bibliografia: A conjuração anticristã, Monsenhor Delassus
As forças secretas da revolução, Léon de poncis

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