A MAÇONARIA REVOLUCIONÁRIA NA EUROPA

• A MAÇONARIA REVOLUCIONÁRIA NA EUROPA

• PORTUGAL

• “Em Portugal, a liberdade de pensamento, a República e a maçonaria andam de mãos dadas, mas, dos três a que se dirige é a maçonaria que antes de tudo, protege a liberdade de pensamento e difunde o seu ensino”.

• À frente da maçonaria portuguesa está o Grão-Mestre Magalhaes Lima, jornalista, advogado, político, livre pensador, republicano, revolucionário e um dos personagens dirigentes da maçonaria universal.

• Em dezembro de 1907, esteve em Paris e realizou nas Lojas da capital francesa, uma série de conferências sob o título de: Portugal, Destruição da Monarquia, necessidade da República.

• Algumas semanas depois, el-rei D. Carlos e seu filho mais velho eram assassinados. D. Manuel subia ao trono, mas, como era inofensivo, limitaram-se a envia-lo para o exílio.

• Os maçons nem se dignaram ocultar que eram os autores da revolução portuguesa. Na seção de 12 de fevereiro de 1911, o maçom Furnemont, grande orador do Grande Oriente da Bélgica, dizia:

• “Lembrai-vos do profundo sentimento de altivez que todos experimentamos, ao sabermos da rápida revolução portuguesa? Em poucas horas, ruía o trono, o povo triunfava e a república era proclamada. Para os profanos, foi um raio no céu sereno. Mas nós meus irmãos, nós sabíamos, conhecíamos a maravilhosa organização dos nossos irmãos portugueses, o seu zelo infatigável, a sua atividade incessante. Conhecíamos o segredo desse glorioso acontecimento”.

• Citando essa passagem, Wichtl acrescenta:

• “Quereis outra prova? Vede o Bundesblatt, órgão oficial da Grande Loja prussiana Zu den derei Weltkügeln. Esse jornal fala de um livro do professor português Jorge Graínha sobre a história da maçonaria em Portugal, de 1733 a 1912, e cita as primeiras palavras do prefácio:

• “A maioria dos homens que se distinguiram no decorrer das convulsões políticas, religiosas e literárias de Portugal, nos dois últimos séculos, pertencia a maçonaria. ”

• “E o Dr. Grainha acrescenta:

• Todos os chefes importantes da revolução política de 5 de outubro de 1910 eram maçons”

• Os que auxiliaram a queda da monarquia pertenciam as famílias seguintes: Castro, Costa, Cohenn, Pereira, Ferreira, Teixeira, Fonseca, etc; famílias poderosas, ocupando postos importantes na Espanha, na Holanda, na Inglaterra, na América, unidas pela maçonaria e pela aliança israelita universal.

• Espanha

• Na Espanha, como em toda parte, o fim principal da maçonaria é a destruição da Monarquia e da Religião. O Grão-Mestre Morayta disse-o claramente, no congresso maçônico internacional de Madri (julho de 1894):

• “O povo seguiu sempre a política do rei; esse tempo passou; na Espanha, a república é um progresso próximo e necessário”.

• Se não conseguiram assassinar Afonso XIII, não foi por faltas de tentativas. O número de atentados contra o rei é impressionante. Todavia, falaremos apenas do caso Ferrer que é interessante, porque revela a organização mundial da maçonaria:

• “Sob um vão pretexto, ouve em Barcelona uma revolta e os incêndios e os massacres obrigaram o governo a estabelecer, na cidade, o estado de sitio. O agitador Ferrer foi preso. Em lugar de ser fuzilado imediatamente, foi entregue ao tribunal militar que o condenou à morte. E, logo, despachos mentirosos foram enviados a todos os jornais do mundo: Ferrer não julgado conforme as leis, seu defensor foi preso. O clero e o próprio Papa foram responsabilizados pelo fato. ‘A mão sangrenta da igreja, que é parte no processo, escrevia a lanterna, dirigiu tudo e os esbirros do rei da Espanha cumpriram apenas as suas determinações. Todos os povos se devem insurgir contra essa religião de assassínio e de sangue’. E para reforçar o efeito de tais palavras, uma caricatura representava um padre com um punhal nas mãos. Ameaças de represálias, de assassínios do Rei e do Papa choveram em Madri e em Roma. Petições circulavam de Paris a Roma, a Bruxelas a Londres e a Berlim, para protestar contra o julgamento. Ferrer foi executado. Imediatamente, se realizaram em todas as principais cidades da França e de todos os países europeus, numerosas e sangrentas manifestações. Para cúmulo, armou-se, nas ruas de Paris, uma espécie de Triunfo em que, sob a proteção da polícia e com a participação do exército, Ferrer foi glorificado, ao som das estrofes da Internacional.

• “Os governos foram interpelados, nos diversos parlamentos, conselhos departamentais e municipais assinaram protestos. 57 cidades da França resolveram dar o nome de Ferrer a uma de suas ruas.

• “A espontaneidade e o número prodigioso dessas manifestações, por uma causa estranha aos interesses dos diversos países indicam uma organização extensiva a todos os povos atuando até nas suas localidades menos importantes.

• “O conselho da Ordem do Grande Oriente de Paris enviou a todas as suas Lojas e a todos os poderes maçônicos do mundo um protesto contra a execução de Ferrer, no qual reivindicavam o agitador como um dos seus membros: ‘Ferrer foi um dos nossos. Sentiu que na obra maçônica, se concentra o mais sublime ideal que o homem pode realizar. Afirmou os nossos princípios, até a morte. O que procuraram ferir nele foi o ideal maçônico. Diante da marcha do Indefinido Progresso da humanidade, eleva-se uma força retrógrada que, com seus princípios e sua ação, visa rejeitar nos nas trevas da Idade Média’

• “A maçonaria declarou, portanto, com palavras e atos, que considerava e defendia Ferrer como a Encarnação do seu ideal. Por uma carta do próprio ser a um dos seus amigos conheceremos uma parte desse ideal: “para não alarmar o povo e não oferecer ao governo o protesto de fechar os meus estabelecimentos, denomino-os Escola Moderna, em lugar de Escola de Anarquistas. Porque o fim da minha propaganda, confesso-o francamente, é formar nas minhas escolas anarquistas convictos. O meu voto é atrair a revolução. Momentaneamente, todavia, devemos limitar-nos inculcar aos cérebros da Mocidade o princípio da revolução violenta. Ela deve aprender que, contra os esbirros e a tonsura, existe um único meio: a bomba e o veneno”.

• Eis o homem que a Maçonaria apresentou ao mundo, como um dos Apóstolos do seu ideal.

• Alguns dias depois da execução de Ferrer, o ministério de Madri foi obrigado a apresentar sua demissão; os chefes dos partidos liberal e democrático, obedecendo, sem dúvida, as injunções das Lojas, comunicarão ao presidente Maura que se oporiam implacavelmente a qualquer projeto ou medida apresentados por ele. A sua retirada encheu de alegria todos os adeptos da liberdade de pensamento, na Europa. O jornal Acácia escreveu:

• “Não é verdade que no mundo inteiro se travou um duelo formidável, o mesmo em toda parte, entre as religiões e o pensamento Livre, entre a autocracia e a Democracia, entre o absolutismo e a revolução? A fronteiras para a igreja e tenho Vaticano para? Não se encontra o drama da humanidade, não se encontra o drama da humanidade, ao redor das forças internacionais que são a convenção e a escola? A queda do gabinete Maura e a execução de Ferrer são apenas episódios desse grande e infinito drama”.

• Itália

• As revoluções que, a partir de 1821, se desencadearam, na Itália, foram obra da maçonaria, segundo afirmou o maçom Chiossone, em uma conferência realizada, em 1907, na loja parisiense solidariedade.

• O mais célebre revolucionário italiano é Mazzini, cuja atividade Europeia, entre 1830 e 1872, é tão conhecida, que não há necessidade de evocar nestas páginas. Seu intuito era a revolução universal e ele mantinha relações com os revolucionários do mundo inteiro. Mazzini e Garibaldi são considerados as estrelas de primeira grandeza da maçonaria italiana.

• Mazzine for nomeado grão-mestre em 1875. Como seria necessário dedicar um livro inteiro para mencionar os nomes dos revolucionários italianos, vou apenas mencionar alguns, com poucas palavras sobre os documentos da Alta Venda Romana de que já foi falado em outros textos. Essas cartas, de cujo conteúdo foi enviada, naquela época, uma cópia a todas as cortes da Europa, tem uma importância capital, pois provém de um dos grandes Supremos da Maçonaria; foram publicadas em parte, no livro de Crétineau-Joly, L’Église Romaine em face de la révolution, e revelam a organização secreta geral do movimento revolucionário, na Itália. Na base, estavam as lojas maçônicas; acima destas, as associações ou vendas ou carbonários que eram, segundo Louis Blanc, a parte militante da maçonaria.

• À frente de todas, ficava a Alta Venda, composta de 40 membros, todos Escolhidos cuidadosamente, entre os revolucionários de eleição das lojas e das vendas. o chefe era Nubius, cujo verdadeiro nome não foi revelado pelo Vaticano. Nubius dirigiu a Alta Venda até 1844. Tornou-se então, repentinamente fraco de espírito e morreu quatro anos depois.

• Entre esses 40 adeptos, muitos eram membros das mais importantes famílias de Roma; outros haviam sido admitidos pelo seu valor pessoal, outros, finalmente, eram judeus, pois Como já vimos e veremos em outros textos posteriormente, que os judeus constituem sempre a maioria nos conselhos superiores das sociedades secretas.

• Diversos membros da alta renda frequentavam continuamente a corte de Roma, eram íntimos dos Cardeais e do Papa, sem que ninguém tivesse qualquer suspeita, nem pudesse desconfiar deles. Foi só mais tarde que se descobriu o seu verdadeiro papel, quando os documentos caíram em poder do Papa; entretanto, não se pôde saber como o Vaticano os conseguiu obter.

• A existência da alta venda era ignorada de todas as vendas inferiores e, portanto, da Maçonaria inferior. Contudo, acima dela, havia outro grupo ainda mais secreto, desconhecido dos próprios membros da Alta Venda que lhes obedeciam cegamente, sem saber de onde provinha a ordem. Prova-o a carta de um deles, Melegari, dirigido ao doutor Breintenstein em 1836.

• “Queremos sacudir todo jugo e a um que não se vê, que apenas se sente e pesa sobre nós. Donde vem? Onde está? Ninguém o sabe ou, pelo menos, ninguém o diz. A sociedade é secreta, até para nós veteranos das sociedades secretas. Exigem de nós, às vezes, coisas de arrepiar os cabelos; e acreditareis que me informam, de Roma, de que dois dos nossos, bem conhecidos pelo seu ódio ao fanatismo, foram obrigados, por ordem do Chefe Supremo, a ajoelhar e a comungar, pela última Páscoa? Não discuto a minha obediência, mas quisera saber o objeto de Tais falsas provas de devoção”.

• Essas cartas são, sem dúvida, documentos extraordinários, como eram trocadas entre confrades, os 40 membros não se constrangiam e manifestavam claramente os seus verdadeiros pensamentos, dando provas de um cinismo frio e tranquilo e diversidade impressionante.

• Infelizmente, a maior parte dos textos originais foram queimadas e Crétineau-joly compôs o seu livro, baseando-se em notas e borrões que haviam sido conservados. Foi, portanto, acusado de não ter publicado o texto original e de ter feito Literatura. Embora a parte essencial da obra seja exata, pois, do contrário, o Vaticano não autorizaria a sua publicação, não é possível garantir a autenticidade literal do texto. Transcrevo, a título de amostra, a carta de Vindice, escrita de Castellamare a Núbius, a 9 de agosto de 1838, na qual se desenvolve o plano da Alta Venda:

• “Os assassínios que os nossos comentem, ora na França, ora na Suíça e sempre na Itália, causa-nos vergonha e remorso. É o apólogo de Cain e de Abel, explicando a origem do mundo, e nós progredimos tanto que tais meios já não nos podem satisfazer. De que serve matar o homem? Só para amedrontar os tímidos e afastar de nós os corações valentes. Os carbonários, nossos predecessores, não compreendiam o seu poder. Não é no sangue de um homem isolado ou de um traidor que deve ser exercido, mas sobre as massas. Não individualizemos o crime; para emgrandecê-lo até às proporções do patriotismo e do ódio contra a Igreja, devemos generalizá-lo. Uma punhalada não tem significação nem consequência. Que resulta, para o mundo, de alguns cadáveres desconhecidos, semeados nas ruas pela vingança das Sociedades Secretas? Que importa ao povo que o sangue de um operário, de um artista, de um fidalgo e até de um príncipe seja derramado, em virtude de uma sentença de Mazzini ou de algum dos seus sicários”? O mundo não tem tempo de prestar ouvidos aos gritos das vítimas; passa esquece. Somos nós, meu Nubius, os únicos que podem suspender-lhe a marcha. O catolicismo não teme mais do que a monarquia, mas estas duas bases da ordem social podem desmoronar, pela corrupção; logo, não cessemos de corromper. Tertuliano dizia, com razão, que o sangue dos Mártires gerava cristãos. ficou assentado, em nossos Concílios, que não queremos mais crostãos; logo, não façamos novos mártires, mas vulgarizemos o vício entre as multidões. Respirem-no estas, pelos cinco sentidos, até à saturação; esta terra, em que caiu a sementeira de Arentino, está sempre disposta a receber ensinamentos lúbricos. Formai corações de viciosos e não tereis mais católicos. Afastai o sacerdote do trabalho, do altar e da virtude, procurai habilmente dar outra ocupação ao seu tempo e aos seus pensamentos, tornai-o ocioso, guloso e patriota, e ele será ambicioso, intrigante e perverso. Alcançareis um resultado mil vezes melhor do que matando e estilhaçando os ossos de alguns pobres coitados.

• Eu não quero e vós também não desejais — não é verdade, amigo Nubius? — dedicar a minha vida aos conspiradores, para continuarmos a trilhar a senda antiga.
• Empreendamos a corrupção em larga escala, a corrupção do povo pelo clero e a corrupção do clero por nós; a corrupção nos levará, um dia, a enterrar a Igreja.
• Ouvi, ultimamente um dos nossos amigos rir-se filosoficamente dos nossos projetos, observando: “Para abater o catolicismo seria preciso suprimir, primeiro a mulher. O conceito é verdadeiro, mas, como não podemos suprimir a mulher, corrompamo-la com a Igreja. Corruptio optime pessima. O fim tem bastante atrativos, para tentar homens da nossa têmpera. Não nos desviemos dele, pela satisfação de algumas míseras vinganças pessoais. O punhal mais apropriado, para ferir o coração da Igreja, é a corrupção. Mãos à obra, pois, e até o fim!”

• Após a morte de Mazzine, seus discípulos melhores e mais fiéis assumiram a direção da Maçonaria. Foi nomeado então o primeiro conselho da ordem dos maçons italianos, com 33 membros. No decorrer de 1872, fundou-se a unidade Maçônica italiana que, em 1887 consolidou as suas posições.
• A Maçonaria italiana foi sempre unicamente revolucionária e, assumindo o poder, o fascismo a dissolveu.
• A este respeito, Popolo d’itália publicou:

• “Pela primeira vez, um partido no poder tem a coragem de quebrar o obscuro abraço envolvente e sufocante da maçonaria. Pela primeira vez, uma coalisão governamental ousa lançar um desafio irreparável e essa velha seita secreta, cujos tentáculos, se haviam insinuado em todas as organizações do Estado e que, até há pouco tempo, costumava impor uma espécie de investidura a todos os gabinetes derivados do temeroso e vacilante liberalismo italiano. Desde que era necessário resolver o problema, toda tergiversação reforçaria o oculto poder do Palácio Giustiniani e confirmaria mais uma vez, a invulnerabilidade da seita que se julgava um governo dos governos, um Estado acima do Estado. O ato corajoso do Grande Conselho demonstrou, pelo contrário, que o fascismo, partido de mocidade e de reforma, possui um poder tão seguro e mediato, que ousa desafiar a maçonaria e afrontar, com iluminada energia, todo risco de desordens interiores.
• “Uma vida nova se inicia para a Itália”.

• COMENTANDO ESTE MANIFESTO, ALBERT LANTOINE, ESCREVEU:

• “Obrigada, por assim dizer, a retroceder sobre si mesma, a Maçonaria vai consagrar-se a trabalhos espirituais, evitar toda tentativa de manifestação, que seria muito mal recebida, e, chegada a hora da possibilidade de represália, saberá vingar-se da afronta que lhe foi infligida”.

Bibliografia: A conjuração anticristã, Monsenhor Delassus.

As forças secretas da revolução, Léon de poncis.

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