A MORAL E A PENITÊNCIA PARA A SANTIFICAÇÃO O casamento e o celibato:

A MORAL E A PENITÊNCIA PARA A SANTIFICAÇÃO

O casamento e o celibato:

Uma vida santificada uma vida santificada — Este é o ideal cristão. Será necessário acrescentar que se trata de um ideal que pressupõem uma vida moralmente transformada?

O grande chamado de Cristo, aquele que se fez ouvir ao longo de toda a sua mensagem, foi sempre este: “convertei-vos”. Viver no Senhor seguir o seu exemplo, é o mesmo que levar a cabo uma renovação tão completa quanto possível. Esta a base da moral Cristã. Não se trata da doutrina de um filósofo, cujos preceitos possamos ou devemos escutar; trata-se simplesmente de um reforço para a luz acender a luz e identificarmos com Cristo. São Paulo, e muitas paisagens das suas epístolas, tinha feito compreender perfeitamente Qual o alicerce sobre o qual devia as entrar a moral dos batizados: a semelhança com Cristo, a identificação com Cristo. Sede puros, porque os vossos corpos são membros de Cristo (1Cor. 6,15). Sede generosos como Cristo, que, sendo Rico, se fez pobre por nosso amor, para que fôssemos ricos pela sua pobreza (2Cor.8 9-11). Esquecei-vos de vós mesmos, como aquele que, sendo Deus, tomou para si a condição de servo (Fil 2, 5-7). Maridos, Amai as vossas esposas. Como Cristo amou a sua igreja (Ef 5, 25). Não há nenhum 2 princípios da moral que não se encontre transfigurados pela ideia da identificação Sobrenatural com Cristo.

Em volta desta noção fundamental, nos encontrar em todos os textos da Igreja Primitiva, os pensadores cristãos, os primeiros padres, irão desenvolver os seus ensinamentos de acordo com o temperamento de cada um. Em atenção a uma concepção moral mousse simples, muito humana, como o autor da Didaquê, que se limita a extrair os seus preceitos da escritura; ou como Hermas, o autor do pastor, Telecine assim o ideal dos verdadeiros cristãos: “constantemente simples, felizes, sem azedume no trato mútuo, cheio de compaixão para com todos e repletos de uma candura infantil”. Outros, como Santo Inácio de Antioquia, acentuaram o lado Místico do esforço moral; e o outros ainda, como Clemente, para quem a vida é “um combate espiritual”, sublinharão o lado ascético. Não se trata aqui senão de simples matizes; O que conta é o desejo de renovação, que o chefe da igreja exige incessantemente dos fiéis; é essa imagem perfeita do homem, encarnada em Jesus, que propõe a meditação dos fiéis.

Vejamos, por exemplo, Os Problemas do Casamento e da vida sexual. É conhecida a gravidade de que esses problemas se revestiam na sociedade romana. O divórcio e o celibato minam os alicerces da família, e a escravidão, pela facilidade com que põe à disposição dos Senhores as mulheres, por toda parte uma gente desmoralização. A condição normal do cristão é ser casado. São Paulo estabelecerá já com justiça os princípios do casamento dos fiéis. A igreja não só não rejeita o casamento, como ser o Point na gente a todos os hereges que os condenam. “Mostremos, exclama Tertuliano, mostremos a felicidade do casamento, , que é a oblação confirma, que a benção sela, que os anjos conhecem e que o Pai ratifica”. Não foi o próprio Cristo que ordenou aos esposos que fossem “uma só carne” e que nunca se separassem? O divórcio é, pois, inadimissível segundo a ótica Cristã, e o celibato só é compreensível se tiver em vista uma realização mais alta, uma união Mística com a pureza absoluta. A concepção Cristã da virgindade liga-se a esse mesmo ideal. Muito antes da aparição dos monges e das Freiras, há na igreja homens e mulheres que renunciam ao casamento para se entregarem a Deus. Era um costume que já foram posto em prática em Israel pelos nazarenos e pelos essênios. No cristianismo primitivo, as mulheres virgens são mais numerosas que os homens, Por que aqueles que queriam consagrar a sua existência ao Senhor faziam-se sacerdotes. Desde os primeiros tempos, como por exemplo em Antioquia na época de Santo Inácio, as virgens formam um grupo à parte, muito venerado na igreja. São Cipriano denominá-las-á “a coroa da igreja”, e Origines exclamará: “um corpo imaculado, eis a hóstia viva agradável ao Senhor!”. É, com efeito, sobre o duplo aspectos de uma Perfeição no ideal de Pureza e de um matrimônio místico com Cristo que temos de conceber esta instituição e especificamente Cristã. Fala-se da virgindade como um verdadeiro substituto do martírio, abundante em Graças; e quando o conselho hispânico de Elvira, Por volta do ano 300, declara excomungados as virgens cristãs que tenham violado os seus votos, não faz se não homologar um uso corrente. É nesta concepção da virgindade, virtude superior e união com Cristo, que devemos ver a origem do celibato dos sacerdotes, que os apóstolos e os primeiros discípulos não tinham posto em prática e que só veio a estabelecer se lentamente.

Mas, segundo o cristianismo, o próprio casamento assume um sentido novo e se torna diferente do casamento Pagão, embora Ester na mente adote os seus principais usos: os cortejos, as coroas, as manifestações de regozijo. O acordo dos casais, que os pagãos reconhece ainda em muitos casos como indispensável ubi Gaius, ibi Gaia —, não é suficiente. A necessidade social de ter filhos, os deveres familiares, cujos princípios foram perfeitamente expostos por Clemente de Alexandria e em nome dos quais os imperadores tinham legislado inutilmente, não constituem as verdadeiras bases da União Cristã. É em Deus que os esposos se devem unir, no espírito de amor e de Pureza semelhante em tudo àquele que Cristo demonstrou para com a sua igreja. E Tertuliano evoca esses esposos que “se apoiam mutuamente nas vias do Senhor, que oram juntos, que se aproximam juntos da mesa de Deus e que, juntos, enfrentam as provações”. O casamento tornou-se assim, não já uma instituição que as melhores leis podem proteger, mais um Sacramento. Eu no dia em que a sociedade for Cristã, encontrará nele um dos alicerces que mais abaladas estavam no mundo Pagão. (A Igreja Primitiva mostra-se hostil a um segundo casamento. No entanto, São Paulo tinha dito que as viúvas jovens deviam tornar a casar-se(1tim 5,14). Mas as segundas núpcias foram criticados e até proibidas em algumas comunidades. Atenágoras classifica-ad como “um adultério decente”. Não podemos negar que havia grandeza nesta concepção do casamento, Dom em que os esposos se entregam um ao outro uma só vez em Deus e por ele, e que a própria morte não podia romper, porque a vida eterna era uma certeza. “Por quem fazes a tua oferenda — perguntava-se há um que se casaram novamente —, pela tua mulher morta ou pela viva?” Com efeito, a qual delas se juntaria ele, após a ressurreição? Mas este rigorismo não se Manteve e a igreja passou a aceitar essas uniões, Possivelmente para evitar abusos).

A mesma mudança se opera atitude do homem em relação aos bens deste mundo. Não é que o fiel os devo rejeitar sistematicamente; não se julgue que os membros desta Igreja Primitiva eram um povo de monges e de ascetas. “Lembremos — diz Tertuliano — do grande conhecimento que devemos a Deus. Não há um único fruto das suas obras que nós recusemos!” O que o cristianismo Condena é o abuso, o excesso de afeição que o homem dedica aos bens da terra e que o faz diz conhecer o verdadeiro sentido e valor limitado que tem. Clemente de Alexandria e muitos outros padres denunciam com Rigor o luxo, os vestuários de riscos coloridos, “as sandálias bordadas a ouro, sobre as quais os pregos se enrolam em espiral”, a gulodice desmedida dos ricos, as gastronomia requintadas “e a vã habilidade dos doceiros”. O ensinamento da igreja é que se deve fazer uso de tudo aquilo que Deus deu aos homens, mas com gratidão, com medida, sem perder de vista as riquezas celestes que não passam e o alimento Celeste que é “o único prazer seguro e puro”.

Bibliografia: Daniel Rops, A Igreja dos Apóstolos e Mártires

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