CONSTANTINO E A IGREJA: A AÇÃO DA IGREJA CONTRA OS PAGÃOS

CONSTANTINO E A IGREJA
A AÇÃO DA IGREJA CONTRA OS PAGÃOS
Eis um trecho de estudo que estou fazendo sobre a ação da Igreja contra os pagãos:
A época de verdadeiras restrições aos pagãos começou mais tarde. As coisas se tornam compreensíveis na obra jurídica de Justiniano I (527 565). Ele dispôs de todas as doações e heranças a favor da conservação do paganismo fossem proibidas. Nessa época surgiu também, pela primeira vez, a ideia do batismo forçado para todos os que ainda não estavam batizado. Os pagãos deviam abjurar sua crença antiga, qualquer atividade instrutiva foi desautorizada, eles perderam a capacidade de contrair atos legais e foram excluídos do exército e do serviço público estatal. A academia platônica de Atenas, a universidade por assim dizer, foi fechada por causa de seu caráter pagão (529).
CONSTANTINO E A PROIBIÇÃO DOS ADIVIHOS:
Temos alguns documentos da igreja primitiva que demonstram que Constantino favoreceu o cristianismo, e graças a Deus, é só por favorecimento de Deus é que a igreja pode crescer e espalhar o evangelho ao mundo, Constantino foi um instrumento para a igreja conquistar o mundo para Jesus Cristo.
A legislação de Constantino a favor da igreja Supressão dos adivinhos(319) Cod. Theod. IX. XVI.I (Nullus haruspex)

Nenhum arúspice >[ Na Roma antiga ,era o sacerdote que fazia prognósticos, advinhações, consultando as víceras de animais sacrificados] aproximar-se-á do limiar de seu vizinho, ainda que com outro propósito (diferente do de adivinhar). A amizade com gente dessa profissão deve ser encerrada, mesmo que seja antiga. O arúspice que violar o domicílio de seu vizinho será queimado. Qualquer pessoa que o convidar, seja por persuasão ou por pagamento em dinheiro, será privada de seus bens e banida a alguma ilha. Os que desejarem continuar em suas superstições poderão ser autorizados a praticar seus ritos em lugar público.
Quem delatar tais contravenções não será considerado como delator, mas será merecedor de recompensa.
Dado em roma, a 1° de fevereiro, quinto ano do consulado de Constantino Augusto e de Licínio César.
A evolução do século IV de alguma maneira pode ser acompanhado através do destino dos santuários pagãos. Inicialmente, Constantino apenas tinha ordenado o fechamento dos grandes templos, que por causa da prostituição sagrada pareciam representar de maneira especial um perigo para os bons costumes. Incluído estava templo de Astarte em Afaka, na fenícia; em heliópolis (Baalbek), mandou também edificar uma igreja cristã no lugar do templo de Afrodite (Astarte). Não se consegue mais esclarecer por que em sua época também foi arrasado o templo de Esculápio em Aigai, na Sicília. Casos especialmente crassos e conhecidos na época mas tardia são a destruição do Serapeum em Alexandria (391) e a do Marneion em Gaza (402). O despovoamento dos templos apresentava um difícil problema, pois do lado cristão havia a consciência de que alguns deles constituíam obras de arte tão significativas que não se podia abandoná-los à total ruína. Houve assim um conjunto de determinações legais que tinha por objetivo a conservação de templos significativos, por causa da arte, como monumentos históricos. Uma disposição do ano 399, por exemplo, diz assim: “Os sacrifícios proibimos totalmente, mas queremos que os templos, como ‘obras de arte’, sejam preservados” (Codex Theotosianus 16, 10 e 15; 10, 20). Já anteriormente (346) foi disposto que os edifícios dos templos que se achassem fora dos muros da cidade fossem preservados, por causa do jogos que lá se realizavam. Um terceiro estágio da evolução do tratamento das construções culturais pagãs, enfim, ocorre com sua transferência à propriedade dos cristãos. Foram então transformados em igrejas cristãs. Evidentemente em conformidade com a fé cristã, primeiro tinham de ser libertados da influência dos demônios mediante o Exorcismo. A expiação desses prédios mediante a afixação do crucifixo parecia o expediente adequado. Esse terceiro estágio de ocupação e transformação está muito bem descrito numa inscrição na igreja de São Jorge em Esra:

Em casa de Deus foi transformado o parque dos demônios. luz de salvação brilha onde as trevas tudo cobriam. Onde ardiam os sacrifícios aos Ídolos agora estão os coros dos Anjos. Onde antes se ofendia a Deus soam agora preces implorantes (corpus inscriptionum Grae. 4, 8627, do ano 452).
Mais um documento da igreja, onde demonstra que a igreja passou por períodos de paz, muito antes de Constantino, mas quem diz que Constantino fundou a igreja vai dizer que nunca viu esses documentos, só veem o que interessa pra difamar a Igreja.
A PERSEGUIÇÃO NO REINADO DE VALERIANO (253-260)
Cipriano, ep. LXXX.I
No princípio de seu reinado, VALERIANO pareceu favorecer ao cristianismo. Havia cristãos em seu palácio que foram mencionados no rescrito como, por exemplo, Caesariani (ver Dionísio de Alexandria, Eusébio, H. E. VII. X. 3ss). O seguinte extrato expressa bem a tendência de seu segundo rescrito. O primeiro determinava os sacrifícios exigíveis dos bispos e sacerdotes e negava aos cristãos o direito de reunião e o uso de cemitérios. Toda contravenção era punida com a morte.

 

Rumores falsos estão circulando. A verdade, porém, é esta: VALERIANO enviou um reescrito ao senado ordenando que sejam castigados imediatamente os bispos, sacerdotes e Diáconos; os senadores, cavaleiros e fidalgos romanos devem ser privados de suas propriedades e degradados; e, se persistirem na fé cristã, decapitados; as matronas, privadas de seus bens e desterradas. Qualquer membro da casa de césar que confessou ou que ainda confessa ser cristão perderá seus bens e será entregue preso para trabalhos forçados nas terras do imperador.
O rescrito de Galiano(261)
Eusébio, H.E.VII.XIII.2
Um edito de 260, cujo texto está perdido, permitiu que as basílicas fossem reabertas, os cemitérios restaurados e a liberdade de culto concedida. O cristianismo tornou-se assim, religio licita.
O imperador César p. Licínio Galiano, pio, Félix, Augusto, a Dionísio, pina, Demétrio e demais bispos. Ordenamos que se estenda a toda terra a indulgência que inspirou nossa bondade, de tal maneira que todos os nossos súditos abandonem os antros da superstição. Podereis, pois, vós também, usar das disposições de nosso rescrito, para que doravante ninguém vos moleste. Aliás, já foi concedido há tempo o que legalmente vos podeis fazer. Deixo o procurador de assuntos públicos, Aurélio Cirênio, encarregado de dar cumprimento a esta disposição em vosso favor.
RESTITUIÇÃO DOS BENS ECLESIÁSTICOS POR CONSTANTINO
Nesse documento, vemos Constantino devolver às Igrejas e seus bens aos cristãos, me respondam, como alguém pode devolver um bem a uma instituição (segundo alguns desonestos) que ele mesmo criou?

Apoio de Constantino a Igreja na Restituição dos bens eclesiásticos
Constantino à Anulino, procônsul da África (313)

 

Eusébio, H.E. X.V15-17
Salve, estimadíssimo Anulino.

É costume de nossa Benevolência exigir que as coisas pertencentes ao direito alheio não só sejam respeitadas, mas também restituídas….16. Portanto, mandamos que, ao receber esta carta, faça com que sejam restituídas imediatamente às igrejas cristãs as propriedades que estejam sob poder de qualquer pessoa em qualquer cidade ou lugar. É nossa vontade que voltem a seus proprietários legais o que as referidas igrejas possuíram outrora. 17. Toda vez que vossa fidelidade souber ser verdadeira esta nossa injunção, ponha mãos à obra para que, quanto antes, lhes sejam devolvidos os jardins, as casas e qualquer outra propriedade que legalmente lhes tenham pertencido, de modo que conste que obedeceu ao nosso preceito, Adeus, amado e estimado Anulino.
Carta de Constantino a Sapor, rei dos persas (333)
Mantendo a fé divina, sou feito participante da luz da verdade: guiado pela luz da verdade, avanço no conhecimento da fé divina. É por isso que, como minhas próprias ações evidenciam, professo a religião mais sagrada; e este culto declaro ser aquele que me ensina um conhecimento mais profundo do Deus mais santo; auxiliado por tal poder Divino, começando desde as próprias fronteiras do oceano, eu despertei cada nação do mundo em sucessão a uma bem fundamentada esperança de segurança; de modo que aqueles que, gemendo em servidão aos tiranos mais cruéis e cedendo à pressão de seus sofrimentos diários, estivessem quase totalmente destruídos, foram restaurados através de minha ação para um estado muito mais feliz. Este Deus confesso que mantenho honra e lembrança incessantes; este Deus me agrada contemplar com pensamentos puros e sinceros no auge de sua glória. ESTE Deus, eu invoco com os joelhos dobrados, e recuo com horror do sangue dos sacrifícios de seus cheiros repugnantes e detestáveis, e de todo fogo mágico nascido na terra: pois as superstições profanas e ímpias que são contaminadas por esses ritos têm caído e consignado para a perdição de muitas nações do mundo gentio. Pois aquele que é o Senhor de todos não pode suportar que aquelas bênçãos que, em sua própria benevolência e consideração das necessidades dos homens ele revelou para a ascensão de todos, sejam pervertidas para servir às concupiscências de qualquer um. Sua única exigência do homem é a pureza de espírito e um espírito imaculado; e por este padrão ele pesa as ações da virtude e piedade. Pois seu prazer está em obras de moderação e delicadeza: ele ama os mansos, e odeia o espírito turbulento: deleitando-se na fé, ele castiga a incredulidade: por ele todo poder presunçoso é derrubado, e ele vinga a insolência dos orgulhosos. Enquanto os arrogantes e pretensiosos são totalmente derrubados, ele invoca o humilde e perdoador com recompensas merecidas: assim ele honra e fortalece com sua ajuda especial um reino justamente governado, e mantém um rei prudente na tranquilidade da paz. NÃO POSSO, então, meu irmão acreditar que eu errei em reconhecer este único Deus, o autor e pai de todas as coisas: a quem muitos de meus antecessores no poder, desviados da loucura do erro, se aventuraram a negar … Pois eu mesmo testemunhei o fim daqueles que ultimamente assediaram os adoradores de Deus por seu ímpio decreto. E esta abundante ação de graças é devida a Deus que, através de sua excelente Providência, todos os homens que observam suas santas leis se alegram com o renovado prazer da paz. Por isso, estou plenamente convencido de que tudo está na melhor e mais segura postura, visto que Deus está concedendo, através da influência de seu serviço religioso puro e fiel, e sua unidade de julgamento respeitando seu caráter divino, reunir todos os homens para a si mesmo.

DANIEL-ROPS, Henri, A Igreja dos apóstolos e dos mártires — São Paulo, quadrante, 2014, capítulo XII; BETTENSON, Henry, documentos da Igreja Cristã, São Paulo, Astra, 2011, página 50 à 57; PELIKAN, Jaroslav, A tradição Cristã volume 1, São Paulo, Shedd publicações, 2014.

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