A CARNE DE JESUS CRISTO NÃO SERVE PARA NADA?

A CARNE DE JESUS CRISTO NÃO SERVE PARA NADA?

“João 6:63
É o Espírito quem dá vida; a carne em nada se aproveita; as palavras que Eu vos tenho dito são Espírito e são vida”.
A versão do conceito de divinização desenvolvido por Cirilo de Alexandria dá ênfase especial a salvação e a transformação da Carne por intermédio da Encarnação do logos imutável e impassível. Cirilo, ao definir o propósito da Encarnação, “declarou que o “unigênito se tornou um homem perfeito a fim de libertar nosso corpo terreno da corrupção externa” e que Cristo, ao fazer isso, tinha atingido a alma do homem com a estabilidade e a imutabilidade de sua própria natureza”, tornando-a participante de sua divindade impassível (Cirilo sobre a encarnação do unigênito). Cirilo, usando fórmulas idênticas em outras passagens, acrescentou que o unigênito tinha libertado o corpo terreno da corrupção ao tornar sua própria alma mais poderosa que o pecado e capacitando a alma humana com sua própria “estabilidade e imutabilidade como a lã é impregnada pela tintura (Cirilo para Teodósio 20).

Se tinha de haver uma congruência entre a doutrina soteriológica e a cristológica, a relação entre o Divino e o Humano na pessoa de Cristo tinha de ser adequada para efetuar isso por meio de uma transformação na própria natureza do homem. E mais, a natureza do homem tinha de ser transformada e salva. Uma teoria da relação entre o Divino e o humano em Cristo que protegeu a impossibilidade de Deus ao atribuir sofrimento e morte só ao homem que o Logos tinha assumido reduziu a doutrina da salvação. Pois se isso fosse verdade, então como se pode dizer que ele se tornou Salvador do cosmo, e não antes [apenas] do homem, como um Peregrino ou viajante por intermédio de quem também somos salvos? (Cirilo que Cristo é um). Mas, uma vez que era para ele ser aquele por intermédio de quem o mundo foi salvo, a conexão entre o homem Jesus e o Logos (por meio de quem o mundo foi criado) tinha de ser mais íntima do que permitia a doutrina da Assunção de um homem pelo Logos. Pois se de acordo com Hebreus 2.14,15, o salvador tinha de “destruir aquele que tinha o poder da morte, ou seja, o demônio”, tinha de ser “o criador do universo, o logos de Deus rico em misericórdia” que se esvaziou e nasceu de uma mulher (Cirilo sobre a encarnação do unigênito). Não uma mera Associação, nada menos íntimo que união entre o Logos-criador e aquele que nasceu e foi crucificado seria suficiente para libertar aqueles que tinham sido entregues para a escravidão de uma vida inteira por meio de seu medo da morte. Se a salvação tinha de ser um dom de impassibilidade e imortalidade, o salvador tinha de ser ele mesmo o Logos, não só um homem assumido pelo Logos.

Era possível interpretar cada um desses temas de uma maneira bem diferente e, portanto, de extrair outra cristologia deles. Teodoro, a despeito da questão retórica que acaba de ser citada de um texto de Cirilo, ensinou que Cristo tinha salva o mundo e não apenas o homem —- mas que ele salvou o mundo ao salvar o homem. O universo foi composto de seres invisíveis e Racionais, como os anjos e das coisas materiais e visíveis, composto dos quatro elementos: Terra, ar, água e fogo. O homem foi relacionado ao invisível por intermédio de sua alma, ao visível por meio do seu corpo (Teodoro de Mopsuéstia exposição de Efésios 1.10). ele era a única ligação entre as várias ordens do universo criado, e seu pecado é morte por em risco a unidade deste universo. Cristo é o salvador do mundo todo no sentido de que a salvação do homem, o microcosmos, também efetua a salvação do macro-cosmo. “Portanto, a conexão entre todas as coisas também é estabelecida com base em nossa renovação. O primeiro fruto disso é ele que é Cristo segundo a carne, em quem é realizada uma muito boa e, por assim dizer, concisa nova criação de todas as coisas”. Assim, conclui-se que “o acordo, harmonia e a conexão de todas as coisas existentes serão salvas para a incorruptibilidade (Teodoro exposição de Colossenses 16).

A graça da adoção Divina não é uma ficção… é uma realidade. Deus outorga àqueles que tem fé no seu verbo a filiação Divina, diz São João: “a todos aqueles que o receberam, aos que creem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus (Jo.1,12). Esta filiação não é nominal, é efetiva: “para que sejamos chamados filhos, e nós o somos” (jo 3,1). Entramos em posse da natureza Divina: participantes da natureza Divina 2Pd 1,4).

É certo que esta vida Divina, não é em nós mais que uma participação, “consorte”, uma semelhança, uma assimilação que faz de nós, não deuses, mas seres deiformes. Mas nem por isso é menos verdade que é, não uma ficção, se não uma realidade, uma vida nova, não igual, senão semelhante à de Deus, e que, segundo o testemunho dos nossos livros santos, supõe uma nova geração ou regeneração: quem não renascer da água e do espírito santo, não poderá entrar no reino de deus” (Jo 3,5).” Mediante o batismo da Regeneração e renovação pelo Espírito Santo (Tt 3,5). “Regenerou-nos em nova esperança”(1Pd 1,3). “Por sua vontade é que nos gerou pela palavra da verdade” (TG 1,18).

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