SAKEBI NO HIROSHIMA, INORI NO NAGASAKI ( HIROSHIMA GRITA, NAGASAKI ORA)

36546373_1755163301243985_1441010898457067520_nShigeru Idei é professor de matemática e lecionou em várias universidades de Tóquio, entre as quais a famosa Waseda. Abandonou a matemática para dedicar-se integralmente a um movimento pela paz que tinha, principalmente, inspiração xintoísta. Seu pai iniciou o movimento nos tempos obscuros dos militaristas japoneses antes da segunda guerra mundial, depois de ter passado vários anos na prisão por se opôr à corrida precipitada do Japão para guerra. Seu filho seguiu o compromisso do pai com a paz, viajando a Sidney para conversar sobre pedras da Paz. Em espírito ecumênico com outras religiões, seu grupo tem erigido monumentos de pedra no Japão, na Europa e nas Américas. Perguntei-lhe sobre a diferença entre Hiroshima e Nagasaki, e ele respondeu: “a canção popular a expressa perfeitamente: Sakebi no Hiroshima, Inori no(Hiroshima grita, Nagasaki ora )”. Pode ser mero comentário que a Hiroshima que grita consegue o melhor Ibope na TV pelo mundo. É preciso, porém, esclarecer que os que gritam naquelas manifestações políticas não são predominantemente pessoas de Hiroshima são segundos habitantes indignadas de Hiroshima. São, segundo os habitantes indignados de Hiroshima, forasteiros que vêm de outras cidades para “usar” um dia que deveria ser de profunda reflexão.

É graças a Takashi Nagai, mais do que a qualquer outra pessoa, que no aniversário da bomba atômica em Nagasaki reina uma verdadeira atmosfera espiritual. Sua concepção de Hansai foi, no início, como uma bofetada no rosto dos sobreviventes histéricos. Uma bofetada no rosto pode fazer milagres em pessoas histéricas, porque é uma experiência da realidade nua e crua. E não são só aqueles que sofreram com a bomba atômica que precisam de um tratamento severo. Vêem-se muitos das gerações pós-bomba atômica que se tornaram histéricos e dão as costas à realidade. Assim é a geração dos desesperados. Muitos deles são pessoas que ficaram desmoralizadas ( literalmente) e aterrorizadas, fora de si, com a possibilidade de uma guerra nuclear. Tal desespero da alma é, sem dúvida, uma precipitação radioativa, pior que a radiação que matou o corpo de Takashi!

Hino a Nagasaki, Paul Glynn. Tradução: Pe. Lino Stahl, SJ. Edições Loyola. Pág. 242.

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