SANTOS PROCESSADOS PELA INQUISIÇÃO

• SANTOS PROCESSADOS PELA INQUISIÇÃO

• Esta é uma questão muito comum por parte dos anticatólicos que acusam a igreja de processar até o Santos. A resposta é muito simples: antes de mais nada, é necessário dizer que foram muito poucos os casos de Santos processados pelo Tribunal. Digamos também em seguida que todos eles foram absolvidos. Depois deve-se ter em conta que naqueles tempos havia uma quantidade muito grande de ir embusteiros que, sobre uma máscara de pretensa santidade e ortodoxia, semeavam grandes e pequenas e heresias. Já foi visto em outros momentos o caso dos cátaros, alguns muito instruídos, que passavam exteriormente como cristãos e zelosos, que ocultamente conspiravam para destruir a integridade da Igreja. Uma vez surgida a dúvida, de que outra maneira, sem um processo, poderiam ser descobertos os hereges?

• Esta questão não poderá ser certamente entendida se ignorarmos o momento histórico particular em que estes acontecimentos tiveram lugar. Era a época dos assim chamados (iluminados) depois chamados Também molinosistas, falsos místicos que semeavam heresias por toda parte (os inquisidores reconheceram três tipos de místicos que deviam ser considerados hereges. Estes foram, primeiro os Iluminados, que se inspiravam na Suprema eficácia da Luz interior e desprezavam a autoridade eclesiástica e a instrução sacerdotal. Em segundo lugar, encontravam-se os deixados ou quietistas, que aniquilando-se em sua entrega a Deus, permitiram qualquer ideia ou impulso que se diz apresentar-se durante seus transes ou meditações. Finalmente, havia os impostores, que aproveitavam-se da ímpia simulação da santidade Mística e dons espirituais, enganando os crédulos. Turbeville, Op. Cit.,pg-95-97.), Estes especialmente em seus escritos.

Da mesma forma que os Santos em consideração, estavam dotados no geral de altíssima erudição, o que fazia com que suas heresias fossem quase imperceptíveis ao olho do censo comum. Era preciso então que, diante da dúvida, e a fim de separar o joio do trigo, se investigasse cada um deles. Não se pode esquecer que no momento de serem processados, eles estavam sujeitos ao Pecado como qualquer um: não eram Santos ainda, e não havia como os inquisidores saber que aqueles acusados um dia seriam Santos , não eran videntes. Como homens a serviço da Igreja e da Verdade tinham o dever de verificar cada caso. E foi bom que o fizessem! Reconheceu-se prontamente a inocência dos Santos, e de tantos outros homens sábios, condenando-se os falsários.

• Além disso, muitos destes místicos desencaminhados acharam por tornar-se promotores da degeneração Em Nome de Deus, arrastando atrás de si uma multidão crédula e ignorante. Turbeville destaca o caso de Ruiz de alcaraz, descoberto pela Inquisição de Guadalajara, que afirmava que só era necessária a oração mental, e que a união sexual era união com Deus; negava a eficácia da confissão, das indulgências e das boas obras.

• Uma história mal contada

• Santo Inácio de Loyola da companhia de Jesus. Houve quem dissesse que esse ilustre homem foi processado pela Inquisição, o que é completamente falso. O historiador espanhol Bernardino Llorca provou há tempos, servindo–se das eruditas pesquisas do Padre Fidel Fita, que este santo jamais foi processado pelo Santo ofício, mas sim pelo tribunal comum, que nada tinha a ver com o da Inquisição. Dos quatros processos iniciados por este tribunal, foi absolvido em todos.

• São João da Cruz: nunca foi incomodado pela Inquisição, nem teve seus livros proibidos. Mesmo assim, os inimigos da Inquisição vêm afirmando repetidamente que o santo foi perseguido, apoiando-se para isto em algumas poucas denúncias — não provenientes de funcionários do tribunal — que haviam sido recebidas contra ele. No entanto, como bem indica Llorca, o tribunal “nunca se deixou arrastar” por essas denuncias sem fundamento. O santo teve apenas alguns atritos com alguns frades calçados, que se opunham às reformas por ele propostas.

• Beato João de Ávila: o processo contra este beato foi publicado pelo padre Camilo Maria Abas. Nele se demonstra que, depois de alguns incômodos, permitiu-lhe continuar livremente sua vida normal de apostolado. O mentiroso Llorente cita-o como uma vítima da Inquisição pelo mero fato de ter sido processado ou repreendido em alguma oportunidade, omitindo deliberadamente o desenlace do caso: a absolvição. Deve-se acrescentar, como demonstra Menendez y Pelayo e Llorca, que o Audi Filia, incluido no Index, não era sua obra, como ele mesmo esclareceu.

• Padre Mariana: célebre, entre outras coisas, por sua clássica História da Espanha. Não só não foi jamais processado pelo tribunal como nem sequer se registram denúncias contra ele no Santo Ofício. Como demonstra Bernadino Llorca, é neste caso em particular que melhor se manifesta a má fé dos inimigos da Inquisição, pois foi justamente esta quem lhe encomendou , em 1538, a redação do novo índice de livros proibidos. Llorente permitiu-se inclusive falsificar as palavras de padre Mariana, confirmando sua grande vocação de mentiroso, como já foi mencionado.

• Santa Teresa de Jesus: a Inquisição nunca lhe chamou à atenção ou fez alguma crítica às suas obras. Sua autobiografia seria entregue aos inquisidores pela tristemente célebre Princesa de Eboli, como afirma Llorca, tendo sido aprovada sem correção alguma. Todos os seus escritos gozaram sempre do maior prestígio.

• São Francisco de Bórgia: é frequentemente apresentado como uma vítima do “terrorismo inquisitorial”. Em 1559, a Inquisição havia condenado uma obra que corria com o seu nome, descobrindo-se pouco depois que se tratava de um volume que continha textos de vários autores, dos quais apenas dois — que não eram a causa da proibição — correspondente ao santo. Jamais foi processado.

• Bartolomeu de Carranza, arcebispo de Toledo: Carranza teve de sofrer um processo muito longo (17 anos), no qual influíram diversas paixões humanas, como os ciúmes do inquisidor geral Fernando de Valdés e a inimizade com seu irmão de ordem, Melchior Cano. Estas vicissitudes fizeram com que o processo assumisse um tom de ódio e violência, tendo inclusive Felipe II chegado a intervir. Concordo neste ponto com apologistas católicos de primeira linha com Jaime balmes, Bernardino Llorca e Menéndez y Pelayo. Este último fez o seguinte e oportuno esclarecimento: “a intenção do autor podia ser boa, mas o certo é que sua obra dava ocasião a não poucas censuras”. Afirmação verdadeira, como depois se reconheceu em Roma. Das 16 proposições condenadas em seu catecismo cristão, duas tinham um indubitável sabor de luteranismo. Afirmava em uma delas que a fé sem obras bastava para a salvação. Na outra, que a fé é o primeiro e principal instrumento para a justificação. Em 1576, Gregório XIII, sem considerá-lo herege, considerou-o fortemente suspeito de Heresia, suspendeu-o durante cinco anos da administração de sua arquidiocese, tempo que deveria passar em um mosteiro. Morreu pouco tempo depois. A pessoa Arcebispo, comenta o historiador espanhol Escudero, ficou reabilitada e glorificado desde o princípio, e sobretudo desde a comovedora profissão de fé em seu leito de morte, quando proclamou sua firme adesão ao Dogma católico e o fato de nunca ter aceitado erro algum de forma voluntária.

• Antes de concluir esta breve menção, é necessário fazer notar , por um momento, a deslealdade com que procedem alguns historiadores. Neles se observa uma atitude torta nos seu argumentos e contraditória, quando lhes convém. Diz Juan Antonio Llorente sobre o arcebispo de Toledo: “uma das vítimas mais ilustres ou talvez a mais ilustre da forma de processar e proceder do Santo Ofício”. Charles Lea, naturalmente, é da mesma opinião. O Curioso é que Bartolomeu Carrazza havia sido durante toda a sua vida Implacável perseguidor de hereges, atividade pouco simpática, sem dúvida, aos olhos de Llorente, Lea e a todos que batem no Santo Ofício. Porém, ao que parece, existem para eles excessões quando assim lhes é conveniente, como neste caso, Em que fazem do “açoite dos hereges” uma espécie de Mártir. Subitamente, assim como no caso de Galileu, começam a venerar como Santos e Mártires aqueles que antes detestavam.

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