Papa São Pascoal I (817-824 D.C.)

Pouco é conhecido da vida de Pascoal l antes de se tornar Papa, exceto que ele era de origem romana, foi educado na cúria papal, foi ordenado sacerdote e nomeado abade do mosteiro de Santo Estêvão Maior. Possivelmente durante parte de seu início de carreira, ele desempenhou um papel na administração papal. A evidência sobrevivente sugere que sua eleição para o ofício papal teve apoio geral em Roma.

Na época da eleição de Pascoal I, permaneceu uma variedade de perguntas não respondidas sobre o relacionamento entre o Papa e os Estados Pontifícios e os recém criado imperador romano do ocidente e seu império. Durante os últimos anos de seu reinado, Carlos Magno (768-814) pouco fez para esclarecer essa questão; nem teve o tumultuoso pontificado do Papa Leão III (795-816) contribuido para uma solução. Aparentemente preocupado com seu relacionamento com os francos, uma das primeiras ações de Pascoal foi estabelecer comunicações com o Imperador Luís, o piedoso (814-840), que assumiu o cargo imperial menos que três anos antes e já tinha mostrado sinais de se mover em novas direções em sua política e religiosa política. Pascoal despachou duas cartas para Luís. A primeira procurou explicar as circunstâncias em torno de sua eleição e consagração, que ocorreram sem o envolvimento do imperador. Esta carta enigmática parece refletir incerteza sobre o papel do imperador ocidental nas eleições papais e um forte desejo da parte de Pascoal para evitar qualquer sinal de impropriedade em relação ao imperador. A segunda solicitou que Luís renovasse o pacto de amizade que havia existido entre o papado e os governantes carolíngios desde a época do rei Pepino III (751–768) e reconfirmar as concessões territoriais concedidas ao papado por Pepino III e Carlos Magno. Mais uma vez o papa parecia ansioso para definir os limites dos Estados Pontifícios e esclarecer seu papel no Império Carolíngio. Luís respondeu prontamente emitindo em 817 um documento chamado o Pactum Ludovicianum que definir por escrito, os termos que Luís e o Papa Estevão IV (V) (816-817), antecessor imediato de Pascoal, combinaram durante a sua reunião em 816. Embora o autenticidade deste importante documento fosse contestada muitas vezes pelos historiadores modernos, agora é geralmente aceita como autênticas nas suas principais disposições. O Pactum renovou o pacto de amizade entre o papado e os francos e confirmou os territórios exatos e patrimônios que pertenciam ao papado de uma forma que  sancionou reivindicações papais para uma grande parte da Itália. Luís reconhecia a soberania papal nas funções administrativas e judiciais nos Estados Pontifícios, exceto nos casos em que o Papa pedisse ajuda imperial ou onde os habitantes dos Estados Papais que afirmavam ser oprimidos procurassem justiça do imperador. O imperador prometeu proteger

o Estado Papal e permitir a completa liberdade das eleições papais. Os generosos termos do Pactum Ludovicianum às vezes tem sido interpretado como uma instância onde a piedade mal dirigida de Luís levou a concessões indevidas à Igreja às custas da autoridade secular. Na realidade, o Pactum representou um passo importante passo na formalização dos Estados Pontifícios na estrutura do Império Carolíngio de uma maneira que deu a essa entidade e seu governante, o Papa, um lugar privilegiado, imune a maior parte de interferência externa.

Durante a maior parte do pontificado de Pascoal I, o Pactum Ludovicianum serviu como um arranjo viável concernente às relações papais-francas. Quando Luís o piedoso promulgou sua famosa Ordinatio imperii de 817, que organizou pela sua sucessão em termos que buscavam a preservação da unidade do império carolíngio em vez de observar a Tradição franca de dividir o reino entre todos os machos herdeiros, Pascoal deu sua aprovação. Pascoal respondeu ao pedido de Luís I que ele emprestasse apoio papal ao esforço missionário de Ebbo, arcebispo de Reims, na Dinamarca fornecendo Ebbo com uma carta que o designava legado papal para o campo missionário no norte. Em 821 Pascoal enviou legados com presentes para celebrar o casamento de Lotário, herdeiro do título imperial. Em 823 o Papa acolheu Lotário I a Roma e concedeu-lhe a coroa do reino da Itália e o título de imperador; Apesar de Luís I já ter designado Lotário I como co-imperador em 817, o ato de Pascoal reforçou a ideia de que a participação papal era necessária para legitimar a legitimidade da coroa imperial.

Durante a maior parte de seu pontificado Pascoal estava sobre controle total de assuntos nos Estados Papais com pouca interferência do imperador Luís I ou seu substituto na Itália, Lotário I. Pouco se sabe sobre a atividade papal durante estes anos. Pascoal deu um pouco de atenção para a renovação do Iconoclasmo pelo imperador do oriente, Leão V

(813–820), um assunto que lhe chamava a atenção principalmente pelos
apelos de Teodoro Studita, o líder da considerável forças anti-iconoclásticas que se opunham ao imperador Leão V no Oriente. Os apelos de Teodoro foram redigidos em termos que reconhecia o Papa como a principal fonte de ortodoxia doutrinal. Além de acolher vítimas de perseguição no império oriental, Pascoal escreveu cartas denunciando o iconoclasmo de Leão V e seu sucessor, Miguel II (820-829). Condenação papal foi um fator para sustentar a oposição dentro do império oriental. Pascoal também deu considerável atenção à reconstrução e redecoração de igrejas em Roma, dando continuidade à política de transformar a aparência física da cidade começada por seus antecessores durante o oitavo século.

Apesar da aparente calma concernente aos problemas durante a maior parte do pontificado de Pascoal I, nem tudo estava bem. Pedaços de informação espalhados pelos registros sugerem uma crescente onda de oposição à sua administração dos Estados Papais. A oposição veio principalmente da Nobreza secular romana, cada vez mais infeliz com o controle clerical dos Estados Papais. Em 822 a aparição do co-imperador Lotário I na Itália desencadeou uma crise, que veio à tona em 823, quando dois altos funcionários na administração papal foram mortos, aparentemente porque eles dirigiram uma facção em Roma favorável para Lotário I. Sua posição pró-franca levantou dúvidas sobre a sua lealdade para com Pascoal I. Embora Pascoal tivesse enviado uma carta para Luís alegando sua inocência, os defensores das vítimas trouxe-lhe uma versão dos acontecimentos em Roma que implicaram Pascoal I nos assassinatos. O imperador decidiu enviar enviados para investigar, mas antes do inquérito imperial pudesse ser concluído o Papa apareceu diante dos enviados imperiais e muitos bispos e fez um juramento de purgação jurando que ele era inocente de qualquer delito. Ele estava seguindo o exemplo estabelecido pelo Papa Leão III em 800 em uma situação semelhante. Luís ficou momentaneamente satisfeito com a negação de culpabilidade de Pascoal I; a morte do papa logo depois terminou mais uma investigação sobre sua conduta. Mas aparentemente Luís I logo se convenceu de que a situação em Roma exigia um exame mais detalhado da relação entre o papa e o imperador. Foi redefinido durante o pontificado do sucessor de Paulo I, Papa Eugênio II (824-827), na Constitutio Romana de 824, que proporcionou por mais controle imperial sobre a administração papal e as eleições papais que prevaleceram antes. Num sentido, o resultado final do pontificado de Pascoal I foi uma integração mais dos estados papais no império carolíngio através da imposição de severas limitações à independência do papa como governante dos Estados Papais. Essa conseqüência provavelmente não deve ser interpretada como uma ação antipapal por parte de Luís, o Piedoso. Pelo contrário, foi outra faceta do esforço do imperador para unificar a comunidade cristã em um único imperium Christianum em quais líderes espirituais e seculares poderiam agir de acordo para realizarem a vontade de Deus.

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