EUCARISTIA – ESTE SACRAMENTO, QUE RECEBESTES, TEM POR FONTE A PALAVRA DE CRISTO (Santo Ambrósio, bispo)

Vemos que são maiores as obras da graça do que as da natureza. Entre as obras da graça, incluímos a graça da bênção profética. Se a bênção humana teve a força de mudar a natureza, que diremos da própria consagração divina, em que agem as palavras mesmas do Senhor e Salvador? Porque este sacramento que recebes se realiza pela palavra de Cristo. Se tanto pôde a palavra de Elias que fez o fogo descer do céu, não terá a palavra de Cristo o poder de mudar a substância dos elementos? Já leste acerca da criação do mundo inteiro que ele falou e tudo foi feito, ele ordenou e tudo foi criado. Portanto a palavra de Cristo, que pôde do nada fazer o que não era, não poderá mudar o que existe para aquilo que não era? Dar novas naturezas às coisas não é menos do que mudá-las.

Mas por que apresentamos argumentos? Voltemo-nos para seus exemplos, confirmemos pelos mistérios da encarnação a verdade do mistério. Acaso, quando Jesus nasceu de Maria, foi observada a natureza comum? Normalmente, a mulher concebe pela união com o homem. Está, portanto, bem claro que a Virgem gerou fora da ordem natural. E este que consagramos é o corpo que proveio da Virgem. Por que exiges aqui que seja segundo a natureza, quando foi além da natureza que da Virgem se deu o nascimento do mesmo Senhor Jesus? É realmente a verdadeira carne de Cristo que foi crucificada, sepultada; é verdadeiramente o sacramento desta carne. O próprio Senhor Jesus declara: “Isto é o meu corpo” [cf. Mateus 26,28-28]. Antes da bênção das palavras celestes era outra realidade; depois da consagração, entende-se o corpo. Ele mesmo diz que é seu sangue. Antes da consagração é outra coisa; depois da consagração, chama-se sangue. E tu dizes: “Amém”; o que quer dizer: “É verdade”. Confesse o nosso interior o que proclamam os lábios, sinta o afeto o que a palavra soa.

Vendo tão grande graça, a Igreja exorta seus filhos, exorta os amigos a que acorram ao sacramento: “Comei, amigos meus, bebei e inebriai-vos, meus irmãos” [cf. Cânticos dos Cânticos 5,1]. O que comemos, o que bebemos, o Espírito Santo pelo Profeta o exprimiu: “Provai e vede, como é suave o Senhor; feliz de quem nele confia” [cf. Salmos, 33(34),9]. Neste sacramento está Cristo porque é o corpo de Cristo. Não é, por conseguinte, alimento corporal, mas espiritual. O Apóstolo, falando da sua figura, dizia: “Nossos pais comeram o pão espiritual e beberam da bebida espiritual” [cf. 1 Coríntios 10,3-4]. O corpo de Deus é corpo espiritual; o corpo de Cristo é corpo do espírito divino, porque Cristo é espírito, como lemos: “O Espírito diante de nossa face, o Cristo Senhor” [cf. 2 Coríntios 3,18]. E na carta de São Pedro encontramos: “E Cristo morreu por vós” [cf. 1 Pedro 3,18]. Por fim este pão fortalece o nosso coração e esta bebida alegra o coração do homem; assim nos lembra o Profeta.

(Do Tratado sobre os Mistérios, de Santo Ambrósio, bispo – Nn. 52-54.58: SCh 25 bis,186-188.190 – Séc. IV).

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