• O MARTÍRIO DE PERPÉTUA E FELICIDADE

• O MARTÍRIO DE PERPÉTUA E FELICIDADE

• Num período em que já não há heróis da fé como os primeiros mártires cristãos que podem remir a miséria humana, nós somos chamados a uma vida de oração mais dedicada, e podemos buscar a memória desses grandes Mártires, que como Tertuliano disse “o sangue dos mártires é a semente da Igreja”, a semente minúscula do grão de mostarda, plantada na Galiléia, germinou, ao custo de muitas vidas inocentes, mas a Igreja triunfou, e sempre triunfará, pois essa é a promessa de Cristo, vamos relembrar um dos momentos mais importantes e emocionantes da história da Igreja, vamos falar de Perpétua, que infelizmente nos dias atuais essa mártir do cristianismo foi alvo de uma difamação, que veio de grupos que defendem o direito de se relacionar com o mesmo sexo, e colocaram Perpétua e Felicidade como amantes, vejamos como essas pessoas são enganadas pelo pai da mentira.

• Vibia Perpétua era uma jovem de elevado Nascimento, filha de um abastado nobre da cidade de Tuburbo, ao sul de Catargo. Receberá uma educação de elite e fizera um belo casamento. Nascera-lhe um filho, esperava outro, e a vida sorria-lhe docemente. Um dia, porém, encontrou no seu caminho aquele que disse: “Quem não odiar até a sua própria vida, não pode ser meu discípulo (Lucas 14, 26). E a alma Indomável que animava aquele corpo jovem fez a sua escolha.

• A Perseguição contra os cristãos chegou até Perpétua, junto com outros catecúmenos. A maioria muito jovens e de todas as condições sociais. Perpétua encontrou-se presa ao lado dos escravos e de felicidade, e com eles foi atirada para dentro de uma masmorra. Faziam parte do mesmo grupo dos moços, Saturnino e secúndulo, aos pais em breve se juntou Saturno, que os guiara a todos na fé cristã e que agora vinha partilhar da sua sorte.

• A atmosfera da África era então muito hostil aos cristãos. De vez em quando, acontecia manifestações em que a multidão assediava as autoridades, e exigia Delas o castigo da seita proscrita e gritavam em coro: “mais cemitérios! mais cemitérios para eles!” quando a ordem de séptímio Severo chegou à África, o homem que se ia encarregar de executá-la era um certo Hilariano, procurador, que exercia interinamente o governo da província por morte do Procônsul. A preocupação com a promoção próxima e o desejo de evitar complicações não deveriam atrapalhar à decisão de um homem por si só pouco indulgente.

• No outono de 202, depois de terem passado algum tempo num cárcere da província em que Perpétua fora batizada, os Cristão presos encontram-se reunidos numa prisão de Cartago, à espera de serem julgados. Foram dias terríveis. Nos redutos escuros onde os amontoavam, o calor e o cheiro eram insuportáveis, e Perpétua, habituada a uma vida bem diferente, estava apavorada. A troco de dinheiro, dois diáconos da igreja conseguiram dos guardas um pouco mais de humanidade para com os prisioneiros. Perpétua foi então autorizada a rever o filho e, dali por diante, a masmorra pareceu-lhe um Palácio.

• Mas estes sofrimentos materiais não eram nada. Haviam coisas bem piores: a tortura de ver a dor dos Pais e dos parentes, especialmente desse velho pai que empreendera uma longa viagem vindo da sua província, que conseguira entrar na prisão e que estava ali a seu, lado suplicando, ameaçando, meio louco de desespero e de amargura; só Deus sabia que força de alma era necessária para resistir-lhe.

• Mas Perpétua possuía essa força de alma, e com o que Plenitude! Essa jovem mulher pertencia à linhagem espiritual dos grandes Santos que lhe apontavam o caminho; como a jovem Blandina, não se deixava abater. Dentro da prisão, é ela quem dá o exemplo, quem encoraja os outros e entra numa espécie de emulação Mística com o santo catequista Saturo. Deus está presente e sente-se o sopro do espírito dentro Desse Calabouço. Por vezes, o êxtase transporta estas almas eleitas, e envolvem-nas visões de grandes imagens em que, à familiaridade — bem natural — com o destino que a as espera, se une à indestrutível Esperança do Paraíso já próximo.

• Algumas vezes, Perpétua vê elevar-se até o céu uma escada de grande altura, tão estreita que só dá passagem a uma pessoa de cada vez, e cujos os montantes estão cheios de espadas, de Ganchos e de lanças. Saturo é o primeiro que sobe, mostrando o caminho, Como fizera na terra, e chegando ao cimo grita: “Perpétua, eu te ajudarei, mas toma cuidado com o dragão que está deitado ao pé da escada, para que não te morda”. Então aquela jovem heróica empreende a subida, depois de esmagar com o pé o animal imundo. Sobe, sobe. acha-se agora num imenso Jardim cheio de luz. E um homem que ali se encontra sentado, vestido como um pastor e cercado de milhares de ovelhas, levanta a cabeça e olha-a com a ternura: “sê bem-vinda, minha filha”. E com a sua mão aproxima dos lábios uma porção de leite coalhado.

• Numa outra ocasião, Perpétua avista um dos seus irmãos que morreu muito novo, na ignorância da fé cristã. A visão revela-lhe misteriosamente que, com a sua morte, levará a paz Suprema à Pobre Criança. Outra vez ainda, vê-se na arena, prestes a ser entregue às feras, e tem de lutar como um adversário de aspecto repugnante que tenta impedir-lhe a passagem. Quando depois contava estas visões aos companheiros, Saturo por sua vez contava outras que tinha tido e lhes anunciava as alegrias da libertação, com o coro dos Anjos prontos a recebê-los, e a morada definitiva que os aguardava num palácio cheio de luz, onde se ouvia sem cessar o louvor ao Deus do amor: Santo, Santo, Santo é o Senhor!

• Foi nesta atmosfera de exaltação e de esperança que Perpétua e os seus companheiros passaram inverno. Aproximava-se a primavera quando o procurador Hilariano os mandou chamar à sua presença. O interrogatório não foi longo.”tem pena dos cabelos brancos do teu pai e da Juventude do teu filho. Sacrifica! — Não. Não sacrifico. — És Cristã? — Sou Cristã!” Era o bastante. Nem as súplicas do pai, que assistia desolado ao interrogatório, nem a ameaça de suplícios espantosos fizeram vergar esta alma de Aço. A sentença foi conforme com o que a santa vira no seu Êxtase: esperava-a o anfiteatro.

• Os últimos dias dos Condenados foram assinalados por um episódio extremamente patético. Perpétua chegara ao oitavo mês de gravidez. Quanto mais se aproximava o dia do sacrifício, mais ela se desolava. Como a lei proibia que se levasse a morte uma mulher que estivesse grávida, a infeliz temia que adiassem o seu suplício e ficasse assim separada dos seus amigos. Durante três dias, ela e todos os que a acompanhavam imploravam ao senhor que, na sua Providência, resolvesse aquela dificuldade. Na tarde do terceiro dia, sentiu as dores do parto e deu à luz uma menina. Como o parto foi difícil e as dores grandes, Perpétua gemia, o que deu motivo a que um guarda zombasse: “se te queixas agora, que farás quando estiveres diante das feras?” E ela teve esta simples e profunda resposta: “Agora sou eu que sofro, mais lá fora, um Outro estará em mim, e ele sofrerá por mim, e eu sofrerei porque ele”.

• Nada mais havia a esperar senão o desfecho fatal. Altiva e enérgica até o último momento, Perpétua continuava a ser a jovem de Nobre linhagem que resistia aos carcereiros e carrascos, exigindo que todos a respeitassem, bem como aos seus companheiros, a tal ponto que o próprio tribuno não ousava olhá-la de frente. No momento do suplício, quando por escárnio tentaram vesti-los com as túnicas das cerimônias pagãs, indignou-se protestou tanto que os carrascos desistiram da ideia. “Damos livremente a nossa vida para não aceitar tais coisas. Há um contrato entre nós, e vós não tendes o direito de nos impor essas vestes”.

• O martírio teve lugar em 7 de março do ano 203, na arena de Cartago. Foi a mesma carnificina brutal a que tantas vezes esses se assistira naqueles lugares nos últimos 150 anos. Revocato e Saturnino foram, respectivamente, presas de um urso e de um leopardo. Saturo, contra quem lançaram um javali, foi apenas arrastado e pisado, e, quando lhe soltaram um urso, foi novamente poupado pela fera e retiraram-no vivo da arena. Quanto às jovens mulheres, Perpétua e Felicidade, quiseram submetê-las a um suplício pouco comum, para mais as insultarem. Tiraram-lhes os vestidos, às colocaram dentro de uma rede expuseram-nas assim na arena. Mas a multidão não viu com bons olhos o espetáculos dessas duas frágeis criaturas, uma das quais acabara de dar à luz e estava perdendo o leite. Voltaram a vesti-las e trouxeram-nas de novo para a pista. Uma vaca Furiosa, lançada contra elas, derrubou-as, mas não as matou, Perpétua Levantou-se, arrumou seu vestido que se rasgara, recompôs os cabelos para não parecer triste e abatida e, vendo Felicidade estendida no solo, correu para ela e ajudou-a levantar-se. A crueldade dos algozes deixou-se vencer momentaneamente e mandaram-nas sair pela porta dos vivos.

• A morte santa Iria esquivar-se a expectativa de Perpétua? Não. Ao cabo de um instante, a multidão, enraivecendo-se, exigiu que trouxessem de novo os Mártires que tinham escapado com vida. Saturo reapareceu, e um novo leopardo saltou sobre ele e o cobriu de sangue. Quanto às duas santas, recorreu-se à espada. Encarregaram um gladiador de as degolar. Mas eram novato: atingiu perpétua no flanco, causando-lhe uma horrível ferida. Foi ela própria que colocou a ponta da espada sobre a garganta e ordenou ao desajeitado que lhe cortasse a garganta. E assim morreu essa heroína não contava ainda 22 anos.

• A narrativa de toda essa história tem nas atas dos Mártires, um extraordinário tom de veracidade. A maior parte foi redigida pela própria Perpétua, na linguagem simples e elegante de uma jovem bem educada.

• Bibliografia: A Igreja dos Apóstolos e dos Mártires, Daniel Rops; Tradição Cristã, Jaroslav pelikan; História ecumênica da Igreja, Thomas Kaufman, Raymund Kottje, Bernard Moeller, Hubert Wolff;

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