• O DESENVOLVIMENTO DA DOUTRINA DA VIRGINDADE PERPÉTUA DE MARIA (Parte II)

• O DESENVOLVIMENTO DA DOUTRINA DA VIRGINDADE PERPÉTUA DE MARIA (parte II)

• Ave Maria. “Ave, Maria, Cheia de graça: o senhor é convosco” foi, de acordo com a vulgata, a saudação do anjo Gabriel a Maria (Lucas 1,28). Reagindo contra a tradução e contra o sentido que lhe foi imputado, considerou-se que “Cheia de Graça” significaria que Maria não era apenas objeto e receptáculo de benevolência divina, mas que, possuindo toda a plenitude da Graça, teria todo o direito de concedê-la. Agressão do Rei James traduz a saudação como; “salve, agraciada”. O particípio passado grego usado para essas traduções conflitantes foi kecharitomene, cuja raiz, o substantivo Charis (e seus derivados), tem o sentido genérico de “favor” e, particularmente no Novo Testamento e em outras fontes literárias no início do cristianismo, é interpretado como “graça” no sentido de imerecida generosidade de Deus. De imediato, o contexto do relato da Anunciação Realmente parece se referir em primeiro lugar à iniciativa de Deus assinalar Maria para se tornar a mãe de Jesus e, dessa maneira, elegê-la como sua escolhida. No hino (venho dos céus acima da terra), de Martinho Lutero, que se tornou o leitmotiv de todas as cantadas que compõem o oratório de Natal de Johann Sebastian Bach, escrito entre 1734 e 1735, outro anjo foi apresentado como dizendo aos pastores de Belém — e, por meio deles, a todo o mundo —”( a vós nasceu hoje um menino, de uma virgem Eleita). Esse era o preceito adotado pela reforma, Isto é, ela aceitava a designação de Maria no sentido de escolhida — “predestinada” —, a exemplo do que, entre outros, afirmou o Concílio Vaticano II em 1964: Maria foi a pessoa por meio da qual o plano de Deus para a salvação do mundo foi colocado em ação.

• Essa histórica disputa interconfessional sobre todas as implicações da kecharitomene não deveria obscurecer o papel muito mais importante que a saudação Inicial — ave/salve —desempenhou ao longo dos séculos, e parecem-nos seguro afirmar que, pelo número de vezes em que foi repetido pelos cristãos ocidentais em todos esses séculos, essa prece perde apenas para a oração do pai nosso: “Ave, Maria, cheia de graça, o senhor é convosco. Bendita sois vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte. amém. Sua primeira sentença, com pontuanda aqui, combina as duas saudações bíblicas da vulgata. a segunda é uma Súplica que alia o título pós-bíblico, Theotokos, à doutrina marista posterior, de acordo com a qual os santos nos céus intercedem pelos crentes da terra e a fortiori que a Mãe de Deus, sendo “cheia de graça” e portanto mediadora, pode interceder por eles, os quais, por sua vez, tem o direito de pedir diretamente a ela. De modo notável, a Ave Maria, resume não apenas a ironia que há em Maria ter se tornado a principal causa da divisão entre os crentes e entre as igrejas, mas também a dicotomia entre a única autoridade das Escrituras e o desdobramento da doutrina pela tradição. Mas mesmo os que aceitavam a supremacia absoluta da autoridade bíblica se recusavam a orar usando as palavras impecavelmente bíblicas de sua primeira sentença.

• A SEGUNDA EVA

• A segunda Eva. Como a sequência cronológica dos livros do novo testamento não corresponde à ordem em que eles aparecem em nossa Bíblia, a mais antiga referência a Maria no Novo Testamento, apesar de ela não ser citada pelo nome, não se encontra nos Evangelhos, e sim na Epístola de Paulo aos Gálatas: “Quando, porém, chegou a plenitude do tempo, enviou Deus o seu filho, nascido de mulher, nascido sob a Lei, para resgatar os que estavam sob a Lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filial”. A maior parte dos estudiosos do novo testamento concorda em que a expressão “nascido de mulher”, não pode ser tomada como significando também “mas não de um homem” e que tão pouco ela contém essa implicação (apesar de também não excluir a ideia do Nascimento virginal), Mas é uma expressão semita comum para designar o “ser humano”, como na declaração: “O homem, nascido de mulher, tem a vida curta e cheia de tormentos (Jó 14,1). (No que diz respeito ao assunto, macbeth iria descobrir que a Profecia das bruxas — “ninguém nascido de mulher ferirá macbeth” — não excluía um pai humano, mas também não inclui a uma operação cesariana!) Assim, a frase da carta aos Gálatas, desde os tempos mais remotos, vem sendo utilizada para falar sobre Jesus Cristo como um ser verdadeiramente humano, ao contrário da difundida tendência Cristã que nega a natureza humana de Jesus, como o movimento do século II e III que se chamava docetismo, expressavam a crença de que a humanidade de Cristo era meramente aparente. Ao contrário, os primeiros pensadores considerados Ortodoxos foram os que se opuseram a essas tendências doceticas e gnósticas, defendendo a total dimensão humana da vida e da pessoa de Jesus. Para ele ser considerado mais que humano era necessário descrevê-lo como menos que humano. Porém, associada a esse tema do novo testamento, o apóstolo Paulo empregou um artifício de Interpretação para chegar à teoria da verdadeira humanidade de Cristo baseando-se em um versículo do velho testamento:”De modo que, como pela desobediência de um só homem, todos foram se tornaram pecadores, assim, pela obediência de um só, todos se tornarão justos”. entre exprimir-se desse modo a respeito do primeiro Adão e considerar Cristo o segundo Adão, foi necessário apenas um passo e, embora o novo testamento não tenha se expressado sobre Maria como uma segunda Eva seria possível parafrasear as palavras de Paulo e afirmar: “Pois, como pela obediência de uma [mulher] muitos foram feitos pecadores, assim, pela obediência de uma [mulher], muitos serão feitos justos” através de Cristo que dela nasceu

• A MÃE DE DEUS

• A Mãe de Deus. Até mesmo nos Evangelhos, como chegaram até nós, as relações entre Jesus e João Batista foram complicadas. Os Evangelistas não deixaram de divulgar que o ministério de João Batista provocou grande em que atração entre todos os homens, seus contemporâneos, estando o povo na expectação, e pensando todos, em seus corações, se porventura João seria o Cristo (Lucas 3,15). Contudo, eles tiveram dificuldades em explicar que o próprio João Batista e identificou Jesus como o cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo e que, quando desafiado, explicitamente subordinou sua missão Histórica à de Jesus — e sua pessoa a ele, do qual não sou digno de desatar as Correias das sandálias (João 1, 27;29. Esse posicionamento foi transposto das relações entre João e Jesus para as relações entre Isabel e Maria. No relato que se tornou conhecido como a visitação, João ainda não era nascido: “Ao ouvir Isabel a saudação de Maria, a criança saltou no seu ventre, Isabel foi cheia do Espírito Santo. Com um grande grito, Exclamou: Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto de teu ventre! Donde me vem que a mãe do meu senhor Me visite?

• Mais tarde, considerou-se que a língua desse diálogo entre Maria e sua prima [syngenis] Isabel (Lucas 1,36) fora do aramaico e que elas poderiam até mesmo ter usado um pouco de hebraico, pois o título dado por Isabel a Maria, “Mãe do meu Senhor”, he meter tou kyriou mou, em grego, só poderia ser interpretado como referência a Jesus Cristo se a forma usada tivesse sido Adonai, “Meu Senhor”, termo usado para substituir o nome divino, IHWH. De qualquer maneira, foi assim que os primeiros eruditos cristãos do novo testamento interpretaram o título Cristológico de Majestade, kyrios, mesmo que os evangélicos ou o apóstolo Paulo não tenha pretendido estabelecer essa identificação. E como na principal afirmação de fé de Israel, a Shema, repetida por Cristo nos evangelhos ( ouve, ó Israel: Iahweh nosso Deus é o único Iahweh! — ouve, ó Israel, o senhor nosso Deus é o único Senhor Deuteronômio 6, 4; Marcos 12,29, já eram identificados como um único, os bispos reunidos no Concílio de Éfeso em 431, não encontraram a menor dificuldade em transpor a expressão V Isabel referente a Maria, “a Mãe do meu Senhor”, para o prefeito de Cirilo, isto é, Maria como Theotokos.

• VIRGEM ABENÇOADA

• Virgem abençoada. A castidade de Maria, em paradoxal combinação com sua maternidade, é mencionada nos Evangelhos de Lucas e de Mateus. “no sexto mês o Anjo Gabriel foi Enviado Por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um varão chamado José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria. Entrando onde ela estava, disse-lhe; alegra-te, cheia de graça, o Senhor é contigo! Maria é uma das formas gregas do nome hebraico Miriam (Lucas 1,26-27), Como se chamava a irmã de Moisés. Desse modo o principia, no primeiro Capítulo do Evangelho de Lucas, o mais longo relato bíblico a respeito da virgem. No capítulo seguinte, na introdução à história da natividade, está escrito que José — e também Maria, de acordo com muitos intérpretes cristãos da antiguidade, apesar de isso não estar explícito — era da casa e família de Davi (Lucas 2,4). Não obstante contém menos detalhes, especialmente sobre Maria, a versão de Mateus concorda com a de Lucas e também se refere a ela como virgem, citando a Profecia de Isaías: uma virgem [parthenos] conceberá e dará à luz um filho, e será seu nome é Emmanuel (Mateus 1,23; Isaías 7,14).

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