Papa Gregório XV (1621-23 D.C.)

Guercino - Pope Gregory XV (ca. 1622-1623) - Google Art Project.jpg

(ALESSANDRO LUDOVISI).

Nascido em Bolonha, em 9 ou 15 de janeiro de 1554; Morreu em Roma, em 8 de julho de 1623. Depois de concluir as humanidades e a filosofia com professores jesuítas, em parte no colégio romano e em parte no alemão em Roma, retornou a Bolonha para dedicar-se ao estudo da jurisprudência. Depois de se formar na Universidade de Bolonha em direito civil e canônico, ele voltou para Roma e foi nomeado juiz do Capitólio por Gregório XIII. Clemente VIII fez dele referendário de ambas as assinaturas e membro da rota, e nomeou-o vice-regente em assuntos temporais do Cardeal Vigário Rusticuccio. Em 1612, Paulo V nomeou-o arcebispo de Bolonha e enviou-o como núncio para Savóia, para mediar entre o duque Carlos Emmanuel de Savóia e o rei Filipe da Espanha em sua disputa sobre o Ducado de Monferrat. Em 1616, o mesmo papa o fez Cardeal-Sacerdote de Santa Maria Transpontina. Doravante Ludovisi permaneceu em sua sede em Bolonha até chegar a Roma após a morte do papa Paulo V para participar da eleição de um novo papa. Em 9 de fevereiro, o próprio Ludovisi foi eleito sucessor de Paulo V, principalmente por influência do cardeal Borghese, e adotou o nome de Gregório XV. Embora em sua elevação ao trono papal já tivesse atingido a idade de 67 anos e estivesse, além disso, em péssimo estado de saúde, seu pontificado de dois anos e cinco meses era de notável atividade. Ele viu que precisava de um homem forte e enérgico, em quem pudesse depositar confiança implícita, para ajudá-lo no governo da Igreja. Seu sobrinho Ludovico Ludovisi, um jovem de 25 anos, parecia-lhe a pessoa certa e, sob o risco de ser acusado de nepotismo, ele o fez cardeal no terceiro dia de seu pontificado. No mesmo dia, Orazio, irmão do papa, foi colocado à frente do exército pontifício. O futuro revelou que Gregório XV não se decepcionou em seu sobrinho. Ludovico, é verdade, promoveu os interesses de sua família de todas as maneiras possíveis, mas também usou seus talentos brilhantes e sua grande influência para o bem-estar da Igreja, e foi sinceramente dedicado ao papa. Onze cardeais ao todo foram feitos por Gregório XV.

Um dos mais importantes atos pontifícios de Gregório XV, afetando os assuntos internos da Igreja, foi sua nova regulamentação sobre as eleições papais. Em sua bula “Aeterni Patris” (15 de novembro de 1621), ele prescreve que, no futuro, somente três modos de eleição papal devem ser permitidos: escrutínio, compromisso e quase-inspiração. Sua bula “Decet Romanum Pontificem” (12 de março de 1622) contém um cerimonial que regula esses três modos de eleição em todos os detalhes. O modo ordinário de eleição deveria ser a eleição pelo escrutínio, que exigia que a votação fosse secreta, que cada cardeal desse seu voto a apenas um candidato e que ninguém votasse em si mesmo. A maioria das eleições papais durante o século XVI foi influenciada por condições políticas e por considerações partidárias no Colégio dos Cardeais. Ao introduzir o segredo de voto, o papa Gregório XV pretendia abolir esses abusos. As regras e cerimônias prescritas por Gregório XV são substancialmente as mesmas que guiam as eleições papais de nossos dias. Gregório XV demonstrou grande interesse pelas missões católicas em países estrangeiros. Essas missões haviam se tornado tão extensas e os países missionários diferiam tanto em termos de linguagem, costumes e civilização dos países da Europa, que era extremamente difícil manter um controle adequado sobre eles. A pedido do Capuchinho Girolamo da Narni e do Carmelita Descalço Dominicus a Jesu-Maria, o papa estabeleceu em 6 de janeiro de 1622 uma congregação especial de cardeais que teria o supremo controle sobre todas as missões estrangeiras (Congregatio de Propaganda Fide). Gregório XIII e Clemente VIII já haviam anteriormente formado congregações temporárias de cardeais para cuidar do interesse de determinadas missões estrangeiras, mas Gregório XV foi o primeiro a erigir uma congregação permanente, cuja esfera de atividade deveria estender-se a todas as missões estrangeiras. Para informações sobre os direitos e deveres da nova congregação, ver a Bula “Inscrutabili”, de 22 de junho de 1622, em “Bullarium Romanum”, XII, 690-3.

Tanto Gregório XV quanto seu sobrinho Ludovico tinham em alta estima as ordens religiosas, especialmente os jesuítas. Em 12 de março de 1622, ele canonizou Inácio de Loyola, seu fundador, e Francisco Xavier, seu missionário de maior sucesso. Ele já lhes havia permitido, em 2 de outubro de 1621, recitar o ofício e celebrar a missa em honra do jovem angelical Aloísio de Gonzaga. Outras ordens religiosas ele honrou da mesma forma. Em 12 de março de 1622, canonizou Filipe Neri, o fundador dos oratorianos, e Teresa, a reformadora das carmelitas na Espanha. No mesmo ano, beatificou Alberto Magno, o grande teólogo dominicano, e permitiu que a festa e o ofício de Ambrogio Sansedoni, outro dominicano, fossem celebrados como o de um santo. Em 18 de abril de 1622, ele beatificou o minorita espanhol, Pedro de Alcântara, e em 17 de fevereiro de 1623, ordenou que a festa de São Bruno, o fundador dos cartuxos, fosse inscrita no Breviário romano. Um leigo, o espanhol Isidóro, ele canonizou em 22 de março de 1622. Durante seu curto pontificado, ele aprovou a famosa Congregação Maurista de Benedetinos, a Congregação das Beneditinas Francesas do Calvário (Benedictines de Notre-Dame du Calvaire), as freiras Teatinas e os Teatinos reclusos, a Congregação dos Trabalhadores Piedosos (Pii Operarii), os Sacerdotes de Santa Brígida na Bélgica (Fratres novissimi Brigittini), e levantou os Piaristas e os Sacerdotes da Mãe de Deus (Clerici regulares Matria Dei) á dignidade de uma ordem religiosa. Em 18 de março de 1621, fundou em Roma um colégio internacional para os beneditinos, o Collegium Gregorianum, berço do famoso colégio beneditino internacional de Santo Anselmo. Antes de passar para as realizações políticas de Gregório XV, deve-se mencionar sua Constituição “Omnipotentis Dei”, emitida contra mágicos e bruxas em 20 de março de 1623. É a última ordenação papal contra a feitiçaria. As antigas punições foram diminuídas, e a pena de morte foi decretada apenas para aqueles que provavam ter entrado em um pacto com o diabo, e ter cometido homicídio com sua ajuda.

A grande atividade que Gregório XV manifestou na gestão interna da Igreja foi igualada por sua interposição eficaz na política do mundo, sempre que os interesses da catolicidade estavam envolvidos. Ele deu grande ajuda financeira ao Imperador Fernando II na recuperação do Reino da Boêmia e dos domínios hereditários da Áustria. Gregório XV então enviou Carlos Caraffa como núncio a Viena, para auxiliar o imperador por seu conselho em seus esforços para suprimir o protestantismo, especialmente na Boêmia e na Morávia, onde os protestantes superavam consideravelmente os católicos. Em grande parte, foi também devido à influência de Gregório XV que, num encontro de príncipes em Ratisbona, o Palatinado e a dignidade eleitoral a ele ligada foram concedidos ao duque Maximiliano da Baviera, no início de janeiro de 1623. Para efetivar essa concessão, o papa já havia enviado o capuchinho, o padre Hyacinth, um diplomata experiente, à corte imperial de Viena. A transferência do eleitorado do Palatinado de um protestante (Frederico V) para um católico foi de grande importância, uma vez que garantiu uma maioria católica no conselho supremo do império. Por gratidão ao papa Gregório XV, Maximiliano apresentou-lhe a biblioteca do Palatinado de Heidelberg, contendo cerca de 3500 manuscritos. No início de 1623, Gregório XV enviou o teólogo grego Leão Allatius para transportar a valiosa coleção para Roma, onde foi colocada como a “Gregoriana” na Biblioteca do Vaticano. Trinta e nove desses manuscritos, que chegaram a Paris em 1797, foram devolvidos a Heidelberg na Paz de Paris em 1815, e Pio VII devolveu outros 852 como um presente em 1816.

As relações entre a Inglaterra e a sé romana assumiram um caráter mais amigável durante o pontificado de Gregório XV. Por um tempo pareceu provável que, através do casamento planejado do príncipe de Gales (depois do rei Carlos I) com a infanta espanhola Maria, a catolicidade pudesse ser restaurada na Inglaterra. Embora o papa favorecesse o casamento, nunca aconteceu. O tratamento, no entanto, dos súditos católicos de Tiago I tornou-se mais tolerável e, pelo menos até certo ponto, eles gozaram de liberdade religiosa. Na França, o poder dos huguenotes estava diminuindo, devido à influência de Gregório XV com o rei Luís XIII. Aqui os capuchinhos, os jesuítas e os franciscanos converteram um grande número de hereges à catolicidade. Mesmo nos Países Baixos, essa fortaleza do protestantismo, uma reação católica se instalou, apesar do fato de os padres católicos terem sido perseguidos e expulsos do país.

Os governantes católicos respeitavam a autoridade de Gregório XV, não apenas em assuntos religiosos, mas também em questões de natureza puramente política. Isso foi perceptível quando surgiu uma disputa internacional a respeito da posse dos Valtellinos (1620) que os espanhóis ocuparam naquele distrito, enquanto os austríacos tomaram posse dos passes dos Grisões e ficaram muito próximos dos espanhóis. A proximidade dos dois exércitos aliados colocava em risco os interesses da França, Veneza e Sabóia. Esses três poderes, portanto, combinaram-se para obrigar os austríacos e espanhóis a evacuar a Valtellina, pela força das armas, se necessário. A pedido, o Papa Gregório XV interveio, enviando seu irmão Orazio à frente das tropas pontifícias para tomar posse temporária das Valtellinas. Depois de um pouco de relutância por parte do arquiduque Leopoldo da Áustria, o território disputado com suas fortalezas foi cedido a Orazio, e a guerra iminente foi assim evitada.


Charles G. Harbermann. The Catholic encyclopedia.

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