SEGUNDA EVA E A CERTEZA DA VERDADEIRA HUMANIDADE DE CRISTO • Parte IV

• SEGUNDA EVA E A CERTEZA DA VERDADEIRA HUMANIDADE DE CRISTO

• Parte IV

• Para finalizar o estudo em relação a analogia entre Eva e Maria Santíssima vamos verificar algumas questões que foram e ainda são motivos de conflitos.
• Embora muitos incidentes individuais dos Evangelhos tenham se tornado Campos de batalha para esse conflito — como, por exemplo, a simples noção de que ele necessitava comer e beber como todo ser humano ( santo Inácio de Antioquia, carta aos tralianos,9) — houve momentos de sua vida nos quais ambos os lados se concentraram: a Natividade e a crucifixão. Foram assim expressos nas palavras do credo dos apóstolos: “nasceu da Virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos”. Wolfgang Amadeus Mozart, na última composição sacra que completou o pouco antes de sua morte, musicou a narração desses dois acontecimentos: “verdadeiramente nascido da virgem Maria, verdadeiramente sacrificado na cruz em favor da humanidade”, o que garantia tanto a salvação humana como a presença do “verdadeiro tempo” de Cristo na eucaristia — e ele o fez por meio de outra saudação Ave ao “verdadeiro corpo”. O sofrimento e morte de Cristo na cruz, para os dois lados antagônicos, era prova de uma natureza que, na frase de Nietzsche, era “humana, verdadeiramente humana””. O sofrimento era considerado como indigno de uma natureza verdadeiramente divina; por consentimento mútuo, julgava-se que a natureza Divina devia possuir, como qualidade essencial, a capacidade de estar além do sofrimento ou da mudança, qualidade definida pelo termo filosófico grego apatheia [impassibilidade], que foi incorporada à doutrina Cristã de Deus. Diz-se que um dos principais professores gnósticos, basilides, levou tão longe a ideia de não se poder atribuir sofrimento ao Divino Cristo que, com base no que contam os Evangelhos sobre o caminho para o calvário, quando os soldados romanos “iam levando [Cristo], constrangeram um certo Cirineu chamado Simão, que vinha do campo, puseram-lhe a cruz às costas, para que a levasse após Jesus”(Lucas 23,26), chegou a afirmar que Simão, o Cirineu, substituíra Jesus e fora crucificado em seu lugar, poupando o Cristo da ignomínia da crucifixão e da morte (Santo Ireneu de Lyon, contra as heresias, 1,24,4). Resumindo a reação de Inácio de Antioquia essas ideias, para os não cristãos os ensinamentos sobre a crucifição e morte de Cristo ainda continua a se constituir em obstáculo para Eles (Efésios 18), e esse fato não deveria nos surpreender, pois Inácio explica porque os pensadores da heresia docetista, seus oponentes, foram repelidos por ela. na mente de Inácio estava a prova final é inconteste de Cristo verdadeiramente se tornou homem entrou na cena da história da humanidade. parece ter havido pelo mesmo uma certa concordância com essa visão, pois muitas versões de antigos credos cristãos — inclusive o credo dos apóstolos e o credo de niceia-Constantinopla — incorporam a frase “sob o poder de Pôncio Pilatos” à narrativa do sofrimento de Cristo, desse modo identificando como uma pessoa verdadeiramente humana e caracterizando o sofrimento como um evento histórico que não aconteceu em um local mítico ou docético, mas sim em um lugar bem exato do mapa, na época da história do império romano (Philip Schaff, verificar tabela, volume 1, pg. 53).

• Mas Pôncio Pilatos não foi apenas o único personagem dramático mencionado nos credos. O outro, e o primeiro a ser lembrado, foi a Virgem Maria. evento decisivo do qual dependia a verdadeira humanidade de Cristo era o fato de que, Como reza o credo dos Apóstolos, Ele “nasceu da Virgem Maria”, Preceito que apareceu, em notações ligeiramente diferentes, com mais frequência de que sob “Pôncio Pilatos”. Aqui novamente a campanha dos ética para protegê-lo das implicações de sua total humanidade encontrou várias explicações engenhosas, inclusive a de que seu nascimento se dera através do corpo de Maria, como a água que passa por um cano sem afetá-lo e, mais importante, sem ser afetado por ela. A resposta para essa metáfora e para a teoria que a reforçava foi enfatizar o Genuíno nascimento de Cristo. Como colocou Tertuliano, ao escrever contra marcião:”Em todas as ilusões relativas a uma imaginária realidade corporal de Cristo, marcião inseriu a ideia de que sua Natividade não poderia se revestir de qualquer evidência de substância humana. Mas, ao contrário, Jesus, por ser a verdade, ela também em carne e, sendo carne, nasceu […] Ele não era espírito”. A lógica do argumento era bem clara: a salvação depende da real e total humanidade de Cristo durante sua vida e em sua morte, assim como sua humanidade depende de ele ter possuído uma mãe que também fosse total e completamente humana. E se, como Irineu e outros mantinham, foi a voluntária e virgem na obediência de Maria pela qual a voluntária e virginal desobediência de Eva foi desfeita e corrigida, foi Por meio dessa obediência voluntária que Maria se transformou na segunda Eva e na principal garantia da humanidade de Cristo.

• Como foi exposto em prosa e principalmente em verso, essa argumentação consequência tomou uma forma retórica de saturação dialética e orgia de antíteses, como nas linhas de Richard Crashaw, poeta metafísico britânico do período barroco, puritano convertido ao catolicismo romano:

• Bem vindas, todas as maravilhas em uma visão!
• A eternidade concentrada em um momento!
• O verão no inverno, o dia na noite!
• O céu na terra, e Deus no homem!
• Grande pequeno Uno, cujo envolvente Nascimento Eleva a terra aos céus em inclina o céu para Terra

• Até que a Virgem Maria fosse visto como a Nossa Senhora dos paradoxos: virgem porém mãe; mãe humana, mas Mãe de Deus.

• Ela própria criatura, fora também aquela a quem o Logos criador se unira para, por meio dela, criar a natureza humana. É notável o preceito de Gregório de Nissa, que completa de modo contrastante o primeiro Adão com o segundo — “no início, Deus, o Logos tomou o pó da terra e formou o homem, mas dessa vez tomou o pó da Virgem Maria e não formou meramente o homem, mas formou o homem em torno de si mesmo” (Gregório de Nissa, contra Eunonius, 4,3). apesar do arianismo combatido por Atanásio ser corretamente visto como a total e completa negação da integral divindade de Cristo, muitas heresias anteriores negavam sua total humanidade e o próprio arianismo pelo menos de acordo com os ataques de alguns intérpretes. a partir dos ensinamentos sobre a visibilidade e a tangibilidade da carne de Cristo, contra os quais os últimos escritores do novo testamento dirigiram enfáticos ataques, várias interpretações anteriores da figura de Cristo haviam conseguido eximir da impugnante solidez da qual a carne é herdeira. E, no que concerne à carne, nada era mais concreto que o processo de procriação e Nascimento e, para muitos, nada mais repugnante, portanto eles se concentravam sobretudo em resgatar sua humanidade de qualquer envolvimento nesse processo. Isso inevitavelmente Face Maria o principal foco das reinterpretações e das réplicas ortodoxas. Alguns de nós temos afirmavam que Cristo não recebeu nada da Virgem Maria, citado por Irineu encontra-se heresias, de acordo com João de damasco, aparentemente citando Irineu, que ele passou através do corpo de Maria como através de um cano, isto é, sem ter sido afetado pelo meio passivo de sua mãe. Essa noção que nos parece tão exagerada era muito difundida na antiguidade e, mesmo em uma concepção e nascimento normais, acreditava-se que a mãe simplesmente servia como o solo em que a criança germinaria apenas pela ação da semente do pai. Em resposta a essa visão gnóstica de Maria, os antigos teólogos ortodoxos insistiam em que, apesar de de Cristo ter sido concebido de modo sobrenatural, sem a participação de um pai humano, ele verdadeiramente nasceu como todos os outros seres humanos. Ainda em uma época anterior, o Apóstolo Paulo desejava asseverar que o filho de Deus viera na plenitude dos tempos e participará da autêntica humanidade, afirmava que ele foram nascido de mulher (Gálatas 4, 4), aparentemente sem fazer nenhuma referência explícita ao seu nascimento virginal ou à própria pessoa da Virgem Maria.

• Uma observação em relação aos teólogos ocidentais, usando o paralelo grego, acabaram por se tornar capaz de tirar vantagem de uma coincidência verbal na língua latina para brincar com o palíndromo Ave/Eva. Segundo a etimologia do livro do Gênesis, a primeira Eva fora a mãe de todos os seres viventes [Mater panton tom zonton]. E a Septuaginta assim se expressa: e Adão chamou sua mulher vida [Zoe], não Eva Gênesis 3, 20. Assim, a segunda é você tornou a nova mãe de todos os crentes e viveu por meio da crença em seu Divino filho.

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