DOIS DEDOS SOBRE A TULIP JAMES AKIN (Ex-Presbiteriano) Traduzido por : (a.k.a.)Simão Bezerra (com permissão do próprio James Akin)

DOIS DEDOS SOBRE A TULIP

JAMES AKIN e

(Ex-Presbiteriano)

Traduzido por : (a.k.a.)Simão Bezerra
(com permissão do próprio James Akin)

Predestinação significa muitas coisas para muitas pessoas. Todas as igrejas Cristãs acreditam em alguma forma de predestinação, porque a Bíblia usa o termo [1], mas o que a predestinação é e como
ela funciona está em disputa.
Nos círculos Protestantes há dois campos majoritários quando se trata de predestinação: Calvinismo e Arminianismo [2].

O Calvinismo é comum em igrejas Presbiterianas, Reformadas e
algumas igrejas Batistas. O Arminianismo é comum em igrejas Metodistas, Pentecostais e na maioria das igrejas Batistas [3].

Apesar de que os Calvinistas hoje em dia são uma minoria entre os Protestantes, a visão deles tem influência enorme, especialmente neste país. Isso se deve parcialmente ao fato de que os Puritanos e Batistas que ajudaram na formação da América eram Calvinistas, mas também deve-se ao fato de que o Calvinismo vem sendo encontrado tradicionalmente entre os Protestantes mais intelectuais, dando-lhe uma influência especial.
Os Calvinistas afirmam que Deus predestina pessoas ao escolher
quais indivíduos irão aceitar Sua oferta de salvação. Essas pessoas são conhecidas como “os eleitos” [4].

Eles não são salvos contra a
própria vontade. Isso se deve ao fato de que Deus escolheu previamente que eles desejarão vir a Ele em primeiro lugar. Os que não estão em meio aos eleitos, “os réprobos”, não desejarão vir a Deus, não o farão, e portanto não serão salvos. [5].

Os Arminianos afirmam que Deus predestina pessoas ao pronunciar (e não decidir) quem irá aceitar a salvação. Ele faz este pronunciamento usando Sua presciência, que O habilita a ver o que
as pessoas farão no futuro. Ele vê quem irá aceitar sua oferta de salvação. As pessoas que Deus sabe que irão se arrepender são
aqueles que Ele trata como Seus “eleitos” ou povo “escolhido”.

O debate entre Calvinistas e Arminianos é frequentemente intenso.

Esses grupos frequentemente se acusam um ao outro de ensinar um evangelho falso, ao menos em um nível teorético, apesar de que em um nível prático há pouca diferença entre os dois já que
ambos os grupos ordenam que as pessoas tenham “somente fé” para que sejam salvas [6].

O debate está centrado na tão conhecida fórmula TULIP. Cada letra desta sigla é uma doutrina diferente afirmada pelos Calvinistas clássicos [7] porém rejeitada pelos Arminianos. Essas doutrinas são:

Depravação Total, Eleição Incondicional, Expiação Limitada, Graça Irresistível e Perseverança dos Santos.

É importante que os Católicos conheçam esses tópicos: em primeiro lugar, os Católicos são frequentemente atacados por
Calvinistas que entendem errado as posições Católicas nessas
questões. Segundo, os Católicos frequentemente não entendem o
ensino da própria Igreja sobre predestinação. Terceiro, nos últimos
anos,um grande número de Calvinistas vem se tornando Católicos
[8].

Ao entender de uma melhor forma o Calvinismo, os Católicos
podem ajudar mais Calvinistas a fazer este salto.

Depravação total

Apesar do nome, a doutrina da depravação total não significa que
os homens são sempre e apenas são pecadores. Calvinistas não
pensam que nós somos tão pecadores como possivelmente poderíamos ser. Eles afirmam que nosso livre arbítrio foi danificado pelo pecado ao ponto de que, ao menos que Deus nos dê a graça especial, não podemos nos livrar do pecado e escolher servir a Deus em amor. Nós talvez escolhamos servi-lo por temor, mas não por
amor altruísta [9].

O que um Católico pensaria deste ensino? Enquanto ele não usaria
o termo “depravação total” para descrever a doutrina [10], ele iria na
verdade concordar com o ensino. O ensino aceito como Católico é
que, por causa da queda de Adão, o homem não pode fazer nada
por amor sobrenatural ao menos que Deus lhe dê graça especial
para fazê-lo [11].

Tomás de Aquino declarou que a graça especial é necessária para
que o homem faça qualquer ato sobrenaturalmente bom, para que
ame a Deus, para que cumpra os mandamentos de Deus, para que
ganhe a vida eterna, para preparar-se para a salvação, para que
levante-se e evite o pecado, e para perseverar [12].

Eleição Incondicional

A doutrina da eleição incondicional significa que Deus não baseia
sua escolha (eleição) de certos indivíduos em nada mais que Sua
boa vontade [13]. Deus escolhe quem Ele quer agraciar e não o faz
com os demais. Os que Deus escolhe vão desejar vir a Ele, vão
aceitar sua oferta de Salvação, e então o farão precisamente porque Ele os escolheu.

Para mostrar que Deus escolhe, ao invés de meramente prever,
aqueles que virão para Ele, Calvinistas citam passagens como
Romanos 9:15-18, que diz, “[O Senhor] diz a Moisés, ‘Eu terei
misericórdia de que eu tiver misericórdia,e terei compaixão com
que eu tiver compaixão.’ Então não há dependência da vontade ou
empenho humano, mas da misericórdia de Deus… Então Ele tem
misericórdia de quem quiser, e endurece o coração de quem quiser
[14].”

O que um Católico diria sobre isso? Ele é certamente livre para
discordar com a interpretação Calvinista, mas é também livre para
concordar. Todos os Tomistas e até alguns Molinistas (como
Roberto Belarmino e Francisco Suarez) ensinaram a eleição
incondicional.

Tomás de Aquino escreveu, “Deus quer manifestar sua bondade
nos homens : a respeito dos que Ele predestina, por meios de Sua
misericórdia, em poupá-los; e a respeito dos demais, os quais Ele
reprova, por meios de Sua justiça, em puní-los. Esta é a razão pela
qual Deus elege alguns e rejeita outros… O porquê Ele escolhe
alguns para a glória e reprova outros não tem razão exceto a
Vontade Divina. Como fala Agostinho, ‘o porquê Ele atrai um, e
outro não, não procure julgar, se não queres errar.'” [15]

Apesar de que um Católico concorde com a eleição incondicional,
ele não afirmará a “dupla predestinação”, uma doutrina que os
Calvinistas inferem dela. Este ensino afirma que Deus também
envia alguns para condenação além de eleger alguns.

A alternativa para a dupla predestinação é dizer que enquanto
Deus predestina algumas pessoas, Ele simplesmente não o faz com
o restante. Eles não virão para Deus, mas por causa de seu próprio
pecado, não porque Deus os condena. Essa é a doutrina da
reprovação passiva, ensinada por Aquino [16].

O Concílio de Trento afirma, “se alguém afirma que não está no
poder do homem o fazer de seus caminhos maus, mas que Deus
produz o mal assim como as boas obras, não apenas por permissão,
mas também propriamente e de Si mesmo, de modo de que a
traição de Judas não menos trabalho Seu do que a vocação de
Paulo, que seja anátema… Se alguém afirma que a graça da
justificação é obtida apenas por aqueles que são predestinados para a vida, porém todos os outros, que são chamados, são também
chamados, mas não recebem graça, como se eles são
predestinados ao mal pelo poder divino, que seja anátema.” [17]

Expiação Limitada
Calvinistas acreditam que a expiação é limitada, que Cristo
ofereceu-se por alguns homens e não por todos. Eles afirmam que
Cristo morreu apenas pelos eleitos. Para provar isto, eles citam
versos que dizem que Cristo morreu por Suas ovelhas (João 10:11),
por seus amigos (João 15:13-14a), e pela Igreja (Atos 20:20, Ef. 5:25)
[18].

Não se pode utilizar estes versos para provar que Cristo morreu
apenas pelos eleitos. Uma pessoa pode dizer que se deu por uma
pessoa ou grupo sem negar que se deu também por outros [19].
Uma prova bíblica deste princípio é encontrada em Gálatas 2:20,
onde Paulo diz que Cristo “amou-me e entregou-se por mim”, não
implicando que Cristo não se entregou por outras pessoas. Dizer
que Cristo se entregou em uma maneira especial por Suas ovelhas,
Seus amigos, ou pela Igreja não pode ser usado para dizer que
Cristo não se entregou por todos os homens em um modo
diferente.

A Bíblia sustenta que há uma maneira pela qual Cristo morreu por
todos os homens. João 4:42 descreve Cristo como “o Salvador do
mundo,” e 1 João 2:2 afirma que Cristo “é a propiciação dos nossos
pecados, e não só dos nossos pecados, mas também do mundo
inteiro.” 1 Timóteo 4:10 descreve Deus como “o Salvador de todos os
homens, especialmente dos que acreditam.” Estas passagens,
assim como o ensino oficial da Igreja [20], requer do Católico a
afirmação de que Cristo morreu para expiar todos os homens.
Aquino afirmou, “a paixão de Cristo não foi apenas uma expiação
suficiente mas [também] superabundante para os pecados da raça humana; de acordo com 1 João 2:2, ‘Ele é a propiciação pelos nossos
pecados, e não apenas pelos nossos, mas também pelos do mundo
inteiro.'” [21]

Isso não é para dizer que não há sentido em atribuir limitação à
expiação. Enquanto a graça providenciada é suficiente para pagar
pelos pecados de todos os homens, esta graça não é feita eficaz
(posta em efeito) em todos os casos individuais. Talvez se diga que apesar de que a suficiência da expiação não é limitada, sua eficiência é limitada. Isto é algo que cada um que acredita no
inferno deve reconhecer porque, se a expiação fosse feita eficaz
para todos, então ninguém estaria no inferno.

A diferença entre a suficiência e a eficácia da expiação encontra-se
na afirmação de Paulo de que Deus é “o Salvador de todos os
homens, especialmente daqueles que acreditam.” [22]

Deus é o Salvador de todos os homens porque ele arranjou um sacrifício
suficiente para todos os homens. Ele é o Salvador daqueles que
acreditam em um sentido especial e superior porque estes
possuem o sacrifício feito eficaz para eles. De acordo com Aquino,
“[Cristo] é a propiciação dos nossos pecados, eficazmente para
alguns, mas suficiente para todos, porque o preço do Seu sangue é
suficiente para a salvação de todos; mas ele tem efeito apenas nos
eleitos.” [23]

Um Católico também pode dizer que, ao ir para a cruz, Cristo pretendia fazer a salvação possível para todos os homens, mas Ele
não pretendia fazer a salvação efetiva para todos os homens–nesse
caso teríamos que dizer que Cristo foi à cruz pretendendo que
todos os homens fossem ao Céu. Claramente este não é o caso. [24]

Um Católico, portanto, dirá que a expiação é limitada em eficácia,
se não em suficiência, e que Deus quis desta maneira. [25]

Enquanto um Católico não poderia dizer que a expiação foi
limitada, ou seja, feita apenas pelos eleitos, ele poderia dizer que a
expiação foi limitada no sentido de que Deus apenas quis que ela
fosse eficaz nos eleitos (apesar de que Ele quis que ela fosse
suficiente para todos). [26]

Graça Irresistível
Calvinistas ensinam que, quando Deus dá a graça para uma pessoa
e habilita-a para vir à salvação, esta sempre irá responder e nunca
rejeitar Sua graça. Por esta razão muitos chamaram isso de a
doutrina da graça irresistível.
Esta designação tem o inconveniente de soar como se Deus força
as pessoas contra sua própria vontade a virem para Ele (como um
policial gritando , “Não adianta resistir! Jogue as armas e se renda!”)
Esta designação também não soa bíblica, já que a Escritura indica
que a graça pode ser resistida. Em Atos 7:51 Estevão diz ao Sinédrio, Vocês sempre resistem ao Espírito Santo!” [27]

Por esta razão muitos Calvinistas não se agradam da expressão
“graça irresistível.” Alguns vêm propondo alternativas. Loraine
Boettner, talvez conhecido melhor pelos leitores da [revista] This
Rock como o autor do Catolicismo Romano, prefere “graça eficaz”.
[28]

Essa é a principal discordância entre Tomistas e Molinistas. [29]

Os Tomistas afirmar que essa graça habilitante é intrinsecamente
eficaz; por sua própria natureza, pelo tipo de graça que é, sempre
produz o efeito de salvação. Molinistas afirmam que a graça
habilitante de Deus é apenas suficiente e é feita eficaz pela livre
escolha do homem ao invés da natureza da própria natureza. Por
esta razão os Molinistas dizem que a graça habilitante é
extrinsecamente eficaz ao invés de intrinsecamente eficaz. [30]

Um Católico pode concordar com a ideia de que a graça é
intrinsecamente eficaz e, consequentemente, que todos aqueles
que recebem esta graça se arrependerão e virão a Deus. Aquino
ensina que, “a intenção de Deus não pode falhar… Portanto, se Deus
quer, enquanto o move, que aquele cujo coração Ele move
alcançará a graça, Ele vai infalivelmente alcançá-la, de acordo com João 6:45, ‘Qualquer um que ouve e aprende do Pai vem até mim.’ ”
[31]

Os Católicos devem dizer que, enquanto Deus dá graça eficaz
para alguns, Ele dá graça suficiente para todos. Isto é pressuposto
pelo fato de que Ele pretendia que a expiação fosse suficiente para
todos. O Vaticano II afirma, “Como Cristo morreu por todos os
homens, e como o chamado final do homem é de fato um e divino,
nós precisamos acreditar que o Espírito Santo em uma maneira
conhecida apenas por Deus oferece a todo homem a possibilidade
de ser associado com este mistério pascal.” [32]

Perserverança dos Santos

Calvinistas ensinam que se uma pessoa entra em um estado de
graça ela nunca deixará esse estado mas irá perseverar até o fim da
vida. Esta doutrina é normalmente chamada de perseverança dos
santos. [33] Todos aqueles que são em qualquer momento santos
(em um estado de graça santificante, para usar terminologia
Católica) vai permanecer assim para sempre. Não importa quais
julgamentos eles enfrentarão, eles sempre irão perseverar, então sua salvação está eternamente segura. [34]

Para dar suporte a este ensino, são usadas analogias. Os Calvinistas
apontam que quando nos tornamos Cristãos nós nos tornamos
filhos de Deus. Eles inferem que, assim como a posição de um filho
na família é assegurada, nossa posição na família de Deus está
assegurada. Um pai não expulsaria seu filho de casa, então Deus
não vai nos expulsar.

Este raciocínio é errado. Esta analogia não prova o que ela propõe.
Os filhos não têm “segurança eterna” nas suas famílias. Primeiro,
eles podem ser deserdados. Segundo, até se um pai não expulsaria
seu filho de casa, um filho pode deixar a casa por si próprio,
deserdar seus parentes, e cortar todos os laços com a família.
Terceiro, os filhos podem morrer; nós, como filhos de Deus,
podemos morrer espiritualmente após “nascermos de novo”. [35]

Calvinistas também usam passagens da Bíblia para ensinar a
perseverança dos santos. Os carros-chefes são João 6:37-39,
10:27-29, e Romanos 8:35-39. A interpretação Calvinista dessas
passagens tira elas de contexto [36], e há vários outros problemas
exegéticos com a interpretação deles. [37]

Os Calvinistas atrelam a perseverança dos santos à ideia de
predestinação. Se alguém é predestinado a ser salvo, não significa
que ele deve peserverar até o fim? Isto envolve uma confusão sobre
ao quê as pessoas estão predestinadas : para a salvação inicial ou para a salvação final? As duas não são o mesmo. Uma pessoa talvez
esteja predestinada para uma, mas isto não significa que ela está
predestinada necessariamente para a outra. [38]

É preciso definir
qual tipo de predestinação está sendo discutida.
Se estamos falando sobre a predestinação para a salvação inicial,
então o fato de que a pessoa virá para Deus não significa por si só
que ele permanecerá com Deus. Se estamos discutindo sobre
predestinação à salvação final, então uma pessoa predestinada
permanecerá com Deus, mas isso não significa que os
predestinados são os únicos a experimentar a salvação inicial.
Alguns virão genuinamente a Deus (porque estes foram
predestinados à salvação inicial) e então genuinamente O deixarão
(porque não foram predestinados à salvação final). [39]

De qualquer modo, predestinação à salvação inicial não está atrelada à
predestinação à salvação final. [40]

Não há razão alguma para dizer que alguém não pode ser predestinado à “crer por certo tempo” mas “no tempo da tentação cai” (Lucas 8:13). [41]
Um Católico deve afirmar que há pessoas que experienciam a
salvação inicial e que não vão para a salvação final, mas ele é livre
para sustentar uma forma de perseverança dos santos. A questão é
como se define o termo “santos”–no modo Calvinista, define-se
como todos aqueles que uma vez entraram em um estado de
graça santificante; ou em modo mais Católico, como todos aqueles
que irão ter sua santificação completa. [42] Se alguém define
“santo” no último sentido, um Católico deve acreditar na
perseverança dos santos, já que uma pessoa predestinada à
salvação final deve por definição perseverar até o fim. Os Católicos
até têm um nome especial para a graça que Deus dá para essas
pessoas: “o dom da perseverança final.”

A Igreja ensina formalmente que há um dom da perseverança final.
[43]

Aquino (e até Molina) disse que esta graça sempre assegura
que uma pessoa sempre irá perseverar. [44]

Aquino disse, “a
predestinação [à salvação final] certa e infalivelmente faz efeito.”
[45]

Mas nem todos os que vêm para Deus recebem esta graça.
Aquino disse que o dom da perseverança final é “a permanência no bem para o fim da vida. Para ter esta perseverança o homem…necessita ser guiado pela assistência divina para guardá-lo
contra os ataques das paixões…após a justificação pela graça de qualquer um, ele ainda precisa suplicar a Deus pelo supracitado dom da perseverança, o qual irá guardá-lo do mal até o fim da vida.
Pois a graça é dada à muitos que não recebem a perseverança na
graça.” [46]

A ideia de que uma pessoa pode ser predestinada a vir para Deus e
não ser predestinada a manter o curso talvez seja nova para
Calvinistas e talvez soe estranha para eles, mas não soava estranha
para Agostinho, Aquino ou até Lutero. Calvinistas frequentemente
citam esses homens como “Calvinistas antes de Calvino”. Enquanto
eles mantinham alto apreço pela predestinação, eles não inferiam
que todos que uma vez são salvos estão predestinados para
permanecer na graça como Calvino. [47]

Ao invés disso, sua fé era
informada pelo ensino bíblico de que alguns que entram na esfera
da graça a deixam.
Se “santo” é definido como aquele que terá sua “santificação” completada, um Católico pode dizer que acredita em uma “perseverança dos santos” (todas e apenas as pessoas
predestinadas a serem santas irão perserverar). Mas por causa das
associações históricas da frase é recomendável que se faça alguma
mudança para evitar confus;ao entre as compreensões Tomista e
Calvinista da perseverança. Como na teologia católica os que irão
perseverar são chamados “os predestinados” ou “os eleitos,”
pode-se trocar a “perseverança dos santos” com “perseverança dos
predestinados” ou, melhor, com “perseverança dos eleitos.”
Tendo isso em vista, nós propomos uma versão Tomista da TULIP :
T=total inabilidade (de agradar a Deus sem a graça especial);
U=eleição incondicional; L=intento limitado (para a eficácia da
expiação); I=graça intrinsecamente eficaz (para a salvação);
P=perseverança dos eleitos (até o fim da vida).

Há outras maneiras de construir uma versão Tomistas da TULIP, é
claro, mas o fato é que há até uma maneira demonstra que um
Calvinista não teria que repudiar sua compreensão da
predestinação e da graça para se tornar Católico. Ele simplesmente
teria que fazer maior justiça ao ensino da Escritura e teria que
refinar seu entendimento da perseverança. [48]

Notas:
1. Veja Romanos 8:29-30, Efésios 1:5, 11. Para o ensino da Igreja
Católica sobre predestinação veja Ludwig Ott, Fundamentos dos
Dogmas Católicos, 242-244, e William G. Most, Apologética Católica
nos Dias de Hoje, 114-122.
2. Calvinistas são os seguidores de João Calvino (1509-1564).
Arminianos são os seguidos de Jacó Armínio (1560-1609), não o povo
da República da Arminia.
3. Nos círculos Católicos, os dois grandes grupos que discutem a
predestinação são os Tomistas e os Molinistas, os seguidores de
Tomás de Aquino (1225-1274) e Luís de Molina (1536-1600). Tomistas
enfatizam o papel da graça, enquanto os Molinistas enfatizam o
livre arbítrio. Nenhuma das escolas ignora a graça ou o livre arbítrio.
4. Do termo Grego eklektos, que significa “escolhido”.
5. Os Calvinistas são algumas vezes criticados erroneamente como
se ensinassem que uma pessoa pode estar despreocupada sobre
sua salvação já que ele já está entre os eleitos ou entre os reprovados. De acordo com um Calvinista seria errado alguém
dizer, “Bem, se Deus me escolheu, eu serei salvo, e se Ele não o fez,
eu não serei, então eu posso ficar aqui e não fazer nada.” Quem diz
isso até sua morte mostraria que ele não era um dos eleitos porque
ele nunca fez as coisas necessárias para a salvação, como se
arrepender e confiar em Deus.
6. Entre os Católicos a discussão é muito mais pacífica. Desde a
controversa sobre a graça no fim dos anos 1500 e no início dos anos
1600, Tomistas e Molinistas foram proibidos de se acusarem de
heresia. Em 1748 a Igreja declarou o Tomismo, o Molinismo, e uma
terceira visão conhecida como Augustinianismo como ensinos
Católicos aceitáveis.
7. Há alguns Calvinistas, conhecidos como Amiraldianos ou
“calvinistas de quatro pontos,” que afirmam todos os pontos da
TULIP exceto o “L.”
8. Incluindo Scott Hahn, Gerry Matatics, Steve Wood, eu, e muitos
outros.
9. Não há nada de errado em servir a Deus por temor. A Bíblia
frequentemente usa o temor do castigo divino como um
motivador. O amor e um certo tipo de temor não excluem um ao
outro; uma criança deve amar seus pais e ter um temor saudável
por seus pais. Mas servir apenas por temer, privilegiando seus
interesses, não agrada a Deus em um modo sobrenatural e não
conquista uma recompensa supernatural. O amor é necessário para
agradar a Deus e receber recompensas.
10. Este termo é ruim e pode ser confuso, como até Calvinistas
percebem. Por exemplo, o teólogo Calvinista R.C. Sproul propõe o
termo alternativo “corrupção radical,” apesar de que esse não é tão
melhor assim. O autor Lorraine Boettner usa um termo muito
melhor : “inabilidade total.”
11. Em Fundamentos dos Dogmas Católicos, Lugwid Ott apresenta
o seguinte como um artigo de fé definido: “para cada boa obra, a
graça sobrenatural interna de Deus (gratia elevans) é
absolutamente necessária” (Ott, 229). Ele também cita o segundo
Concílio de Orange, o qual afirma que “enquanto fizermos o bem
Deus opera em nós e em nós, para que nós operemos” (cânon 9) e
que “o homem não faz o bem exceto o que vem de Deus” (cânon
20) O Concílio de Trento solenemente condenou a proposição de que “sem a inspiração preveniente do Espírito Santo e sem a Sua
ajuda, o homem pode acreditar, ter esperança, amar, ou se
arrepender como ele deseja, para que a graça da justificação seja
derramada sobre ele” (Decreto sobre a Justificação, cânon 3). A
Igreja ensina que a graça de Deus é necessária para habilitar o
homem de se levantar do pecado, dispor virtudes sobrenaturais
genuínas, e agradar a Deus.
12. Summa Theologiae (daqui para frente ST) I-II:109:2-10.
13. Lembrando que os Arminianos dizem que Deus baseia a eleição
no Seu conhecimento do que os indivíduos farão no futuro.
14. Os Católicos entendem este endurecimento com base em
Romanos 1:20-32, onde Paulo repetidamente afirma que Deus
entrega os pagãos aos seus desejos pecaminosos após eles se
recusarem a reconhecê-Lo. Veja também Tiago 1:13.
15. ST I:23:5, citando Agostinho, Homilias sobre o Evangelho de João
26:2.
16. ST 1:23:3.
17. Decretos sobre a Justificação, cânones 6 e 17. Os mesmos pontos
foram ensinados pelo segundo Concílio de Orange(531), o Concílio
de Quiersy (853), e o terceiro Concílios de Valência (855), apesar de
que nenhum destes concílios foram concílios ecumênicos.
18. Os calvinistas vêem estes grupos como idênticos aos eleitos.
Essa suposição é falsa. Nem todos os que são em algum tempo
ovelhas de Cristo ou amigos de Cristo permanecem como tais (veja
abaixo sobre a perseverança dos santos). De modo similar, nem
todos que estão na Igreja estão entre os eleitos.
19. Suponha que um pai sacrifique seu filho para salvar um grupo
de pessoas que inclui sua família mais dois amigos. Ele talvez tenha
dito que se entregou por sua família, apesar de que o group que ele
salvou também incluía outras pessoas.
20. Veja Ott, 188f.
21. ST III:48:2.
22. I Timóteo 4:10.
23. Comentário sobre Tito, I, 2:6.
24. Mateus 18:7-9, 22:13, 24:40f, 51, 25:30, Marcos 9:48, Lucas 3:17,
16:19-31, e especialmente Mateus 7:13f, 26:24, Lucas 13:23ff, and Atos
1:25.
25. Apesar de que se ter certeza para manter [a afirmação] que Deus deseja a salvação de todos os homens, como a Igreja Católica
ensina. I Timóteo 2:4 afirma que Deus “deseja que todos os homens
sejam salvos e venham ao conhecimento da verdade.” Veja
também Ezequiel 33:11. Isso não conflitua com o intento de Deus de
salvar apenas alguns, já que uma pessoa talvez deseje uma coisa
mas visar outra. Um pai talvez não deseje punir seu filho, mas não
obstante talvez ele vise fazê-lo.
26. Alguns Calvinistas são insatisfeitos com a afirmação de que a
expiação é limitada. Eles preferem dizer que Cristo fez uma
“redenção particular” particular do que uma “expiação limitada.”
Estes dois significam a mesma coisa, mas o primeiro destrói o
acrônimo TULIP, então o segundo geralmente é usado.
27. Veja também Eclesiástico 15:11-20, Mateus 23:37.
28. Loraine Boettner, A Doutrina Reformada da Predestinação
(Grand Rapids: Eerdmans, 1932), ch. 8, “Graça Eficaz.”
29. Alguns Molinistas, como Belarmino e Suarez, quase foram
Tomistas. Eles concordam com quase tudo que o Tomismo afirma,
como a sua afirmação da eleição incondicional, mas eles resistiram
à ideia de que a graça é intrinsecamente eficaz.
30. Deve ser notado que os Tomistas acreditam em livre arbítrio,
mas não como os Molinistas acreditam. Eles afirmar que a graça de
Deus estabelece o que será livremente escolhido, mas em uma
maneira que não perturba a liberdade do arbítrio. Aquino disse,
“Deus muda o arbítrio sem forçá-lo. Mas Ele pode mudar o arbítrio
do fato de que Ele opera no arbítrio como ele faz na natureza,” De
Veritatis 22:9.
31. ST I-II:112:3.
32. Gaudium et Spes 22; “ser associado com este mistério pascoal”
significa ser salvo.
33. Muitos Calvinistas preferem a frase “preservação dos santos”
pois esta coloca ênfase na preservação Divina dos santos ao invés
dos esforços dos santos em perseverar (o que é contraposto para
esmagar o conceito de “salvação-obras”). Isso frequentemente
resulta em uma atitude “mais-santo-que-tu” (“Veja como eu sou santo; eu coloco ênfase na ação de Deus, não na do homem”. Mas a
Escritura normalmente usa um ponto de vista humano. Ela chama
o homem a se arrepender, ter fé, converter-se e perseverar. Quando
alguém insiste na linguagem da preservação sobre a linguagem da perseverança, na verdade se fala de uma atitude mais-santo-que-tu
pois os escritores das Escrituras usaram a linguagem da
perseverança mais do que a linguagem da preservação. Com efeito, está-se praticando a superioridade espiritual e individual com as Escrituras e aquele que escreveu as Escrituras.
34.

Isso difere da doutrina de “uma vez salvo, salvo para sempre”
ensinada comumente em círculos Batistas. De acordo com esta
teoria, uma pessoa nunca pode perder sua salvação, não importa o
que ela faça. Mesmo se ela deixar a fé e renunciar Cristo ele será
salvo. A perseverança dos santos afirma que, enquanto uma pessoa
perderá sua salvação se ele falhar em perseverar em fé e santidade,
todos os que vêm para Deus irão perseverar. Se uma pessoa não
persevera, isso mostra que ele não veio para Deus em primeiro
lugar. Passagens como 1 Coríntios 6:9-10 e Gálatas 5:19-21, que dizem
que uma pessoa não herdará o Reino se ele comete certos pecados,
são entendidas assim, se alguém habitualmente comete esses
pecados, ele nunca foi um verdadeiro Cristão, não importa o quão
sincero ele aparentava ser. Tanto “uma vez salvo, salvo para sempre”
quanto a perseverança dos santos ensina “segurança eterna,”
porém elas não são a mesma coisa. O Calvinismo admite que há
pecados mortais, como falha em perseverar, mas afirma que
ninguém que é salvo comete esses pecados. “Uma vez salvo, salvo
para sempre” afirma que nenhum pecado seriam mortais para um
Cristão, mesmo em princípio.
35.

Elementos destas respostas são abordados juntos em Lucas 15,
onde o filho pródigo começa como um filho, e então deixa a família
e é citado pelo pai como “morto,” apenas para retornar para a
família e ser citado como “agora vivo”. (Lucas 15:24, 32) Cristo ensina
que podemos ser fihos, morrer espiritualmente ao romper nossos
laços com a família, e então voltar e ser vivo de novo–espiritualmente ressuscitados.36.

João 6:37-38 e 10:27-29 estão fora de contexto com João 15:1-6,
que afirma que os Cristãos são ramos na vinha que é Cristo (v. 5),
onde Deus cortados cada vinha de Cristo que não dá frutos (v. 2), e
que o destino destes ramos é ser queimado (v. 6). Romanos 8:35-39
está fora de contexto com Romanos 11:20-24, onde Paulo compara o
Israel espiritual com uma árvore de oliva e afirma que assim como
certos ramos do Israel espiritual foram cortados por causa de não crer em Cristo (v. 20), os Cristãos não serão poupados se caírem em
descrença (v. 21), mas serão cortados (v. 22). Os ramos que foram
cortados podem ser enxertados novamente (vv. 23-24). Romanos
8:35-39 também está fora de contexto com Romanos 8:12f, 17, e 14:15, 20.
37. Para discussão posterior veja Robert Shank, Life in the Son
(Minneapolis: Bethany House, 1989) e Dale Moody, The Word of
Truth (Grand Rapids: Eerdmans, 1981), 348ff. Ambos são autores
Batistas que acreditam em segurança condicional, não em
segurança eterna.
38. Por exemplo, se uma pessoa estivesse predestinada em entrar
na minha sala de estar, isso não signfiicaria que ela estava
predestinada a permanecer para sempre em minha sala de estar.
39. A teologia Católica definiu “predestinado” como “predestinado
para a salvação final.” Portanto aqueles que irão ao céu com Deus
são citados como “os predestinados” ou “os eleitos”. O fato de que
uma pessoa experiencia a salvação em algum ponto não significa
que ele está entre os predestinados (aqueles que Deus escolheu
para perseverarem até o fim).
40. Uma vez que a questão filosófica está resolvida, nós podemos
avaliar o ensino da Escritura objetivamente. Quando o fazemos, é
claro que há várias indicações na Bíblia de que uma pessoa pode
perder a salvação. Nós já mencionamos João 15:1-6, Romanos 8:12f,
17, 11:20-24, and 14:15-20. Há varias outras. Robert Shank apresenta
uma lista de oitenta e cinco passagens que ele acredita que, se
interpretadas cuidadosamente em contexto, mostram que perda
de salvação é possível; veja Shank, 333-337.
41. Eu reconheci esse fato mesmo quando era um Protestante
ardente.
42. “Santificação” e “saintificação” são a mesma palavra no Grego.
Quando alguém é completamente santificado (feito santo), este se
torna um santo no pleno sentido da palavra. Como isso apenas
acontece no céu, isso corresponde ao uso comum do uso Católico
do termo “santo”.
43. Decreto da Justicação de Trento, canon 16, cita “aquele dom
grandioso e especial da perseverança final,” e o capítulo 13 do
decreto cita “que o dom da perseverança do qual é dito: ‘Aquele
que persevera até o fim será salvo [Mateus 10:22, 24:13],’ o qual não pode ser obtido de ninguém exceto do que é capaz de fazê-lo ficar
de pé[Romanos 14:4].”
44. Aquino diz que esta sempre salva uma pessoa por ser o tipo de
graça que é; Molina diz que esta sempre salva uma pessoa porque
Deus apenas dá esta para aqueles que ele sabe que irão responder
à ela. Mas o efeito é o mesmo: o dom da perseverança final sempre
funciona.
45. ST I:23:6.
46. ST I-II:109:10.
47. O fato de que os Calvinistas não estão cientes disso mostra uma
falta de conhecimento. O teólogo Presbiteriano R. C. Sproul tenta
redefinir o Calvinismo como a visão “Agostiniana”. Enquanto a visão
de Calvino pode ser uma variação da visão de Agostinho, as duas
não são a mesma coisa. Agostinho não acreditava no entendimento
de Calvino sobre a “perseverança dos santos,” e muito menos
acreditava a ampla tradição Agostiniana. Aquele entendimento foi
uma inovação de Calvino. Para uma discussão histórica precisa da
perseverança dos santos, veja J. J. Davis em seu artigo
“Perseverance of the Saints: A History of the Doctrine,” no Journal of
the Evangelical Theological Society, 34/2 (Junho de 1991), 213-228. O
próprio Davis é um Calvinista, e é conveniente um Calvinista ajudar
a corrigir os erros dos outros Calvinistas na história da sua doutrina.
48. Isto tem aplicações importantes para Calvinistas que estão
pensando em juntar-se à Igreja, e tem implicações para Católicos
que querem saber o que a Igreja requer acreditar e como eles
devem defender a Igreja contra Calvinistas anti-Católicos. Para um
exemplo de como o Tomismo pode ser usado para refutar os
ataques Calvinistas sobre a Missa, purgatório, e indulgências, veja
meu artigo “Fatally Flawed Thinking” (This Rock, July 1993). Este
artigo critica The Fatal Flaw, um livro de James White, um
Calvinista e um anti-Católico profissional. Para leitura posterior no
ensino Católico nesta área, veja Predestination por Reginald
Garrigou-Lagrange (St. Louis: Herder, 1939). O Papa João Paulo II
estudou e escreveu sua dissertação baseado em
Garrigou-Lagrange.

Copyright (c) 1993 Catholic Answers. Republicado com permissão
da edição de Setembro de 1993 da revista This Rock. James Akin, um convertido ao Catolicismo, é um editor contribuinte para This
Rock.
Cortesia Providenciada por:
Eternal Word Television Network
5817 Old Leeds Road
Irondale, AL 35210
http://www.ewtn.com

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