Mulheres e santidade na antiguidade e na idade média

Mulheres e santidade na antiguidade e na idade média

As experiências religiosas das mulheres sempre alcançaram maior diversidade e, por extensão, maior destaque a partir da idade média central, desde a antiguidade dezenas de mulheres foram consideradas santas e dignas de veneração.

Neste sentido, já no cristianismo primitivo surgiu a ideia de que as pessoas que haviam alcançado A Coroa do martírio > (Está expressão é usada em vários textos antigos e medievais para enfatizar a vitória do mártir, que morreu por manter a sua fé e, portanto, alcançou a salvação eterna), por sua proximidade com Deus, poderiam interceder pelos ainda vivos. Assim, passaram a circular, desde o século II, textos conhecidos como atas e paixões, que narravam o processo jurídico e a morte destes personagens vivos e foi desenvolvido o culto aos mártires dentre os quais havia muitas mulheres negras tais como Perpétua, Felicidade, Apolônia, Blandina, Eugenia, Águeda, Tecla, Eulália, Engrácia, Cecília etc.

Além dos mártires, outras figuras que se destacaram por sua santidade, sobretudo com o fim das perseguições, também foram consideradas santas e dentre elas haviam mulheres. Desta forma, nos séculos IV e V começaram a ser alvo de devoção adjetivo a serem ditas e os pecadores arrependidos, traz com Genoveva, Marcelina, Brígida, Egipcíaca, Taís para citar alguns nomes.

Vale sublinhar que a veneração a tais mulheres — mártires ou não — permaneceu por tudo medievo, como atestam os calendários litúrgicos, as igrejas dedicadas a tais personagens, e diversos escritos eclesiásticos que retomam suas experiências e agora como sermões hinos, hagiografias etc. Dentre estes muitos testemunhos, ressalta-se a emblemática Legenda Áurea, obra elaborada no século XII pelo dominicano jacopo de varazze, na qual diversos relatos sobre santo são reunidos seguindo o calendário litúrgico. As narrativas apresentadas referência em sua grande maioria a Santos que tiveram na antiguidade e, dentre esses, há diversas mulheres: Pelágia, Catarina de Alexandria, Inês, Teodora, Margarida, Sabina, Bárbara, além de muitas outras, como se encontra algumas das santas anteriormente mencionadas.

Mt 19, 12 – “Não se casam por amor ao Reino de Deus”
 At 21, 9 – “Filipe tinha quatro filhas virgens”
 1 Cor 7, 1-40
 Ap 14, 4 – “Eles são virgens
Nos primeiros séculos do cristianismo, floresceu pelas comunidades cristãs, em toda parte, uma nova forma de vida consagrada a Deus. Inúmeras pessoas, mulheres e homens, adolescentes e jovens, por amor a Cristo e desejando imitá-lo, também nesse aspecto, decidiram abraçar a virgindade cristã. Não por desprezo ao Matrimônio. O que seria contrário à própria vida cristã. Mas pela inspiração de oferecer-se mais totalmente ao Senhor, que entregou tudo de Si para a nossa salvação.
Escreveu S. Agostinho: “Esta será a alegria das virgens de Cristo, alegria por causa de Cristo, alegria em Cristo, alegria com Cristo, alegria do seguimento a Cristo, alegria por meio de Cristo”. Conservar a integridade corporal, e com radical decisão buscar dominar os desejos da carne, passou, desde cedo, a ser considerada uma especial vocação cristã.
Além da história do martírio de várias mulheres, virgens consagradas que sofreram o martírio por causa de sua vocação cristã, há muitos escritos dos autores cristãos dos primeiros séculos, reconhecendo, exaltando, promovendo, dando as necessárias orientações a quem abraçava a virgindade consagrada. Exemplos de virgens e mártires são: S. Inês (+304), S. Cecília (+176), S. Luzia (+303).
São exemplos de escritores: S. Clemente Romano (+100), S. Cipriano (+258), S. Agostinho (+430), S. Ambrósio de Milão (+397). Em sua obra “A Igreja dos Apóstolos e Mártires” Daniel rops nos traz um conceito de virgindade que era comparada ao martírio, as virgens eram separadas em congregações nos primeiros séculos da Igreja.

Alguns historiadores questionam o número de santas comparando com o número Santos, partindo do pressuposto que os homens realizavam as pregações públicas, a evangelização, estavam à frente das Igrejas, sempre estavam mais expostos às prisões e por fim ao martírio, verificando a referência bibliográfica sobre a vida dos santos é fácil de entender o motivo de terem mais homens no martírio.

Analisando como historiador, a perspectiva de santidade não seria essencial, nós devemos considerar que reconhecimento social de uma pessoa como santa não depende unicamente do reconhecimento social de uma pessoa eu considero que é fruto de uma trajetória de uma vida excepcional. Mesmo segundo a perspectiva historiográfica, não tendo um caráter radiográfico, mas sim biográfico, ainda assim veremos que a mulher tinha um papel fundamental excepcional na Igreja primitiva. As biografias das mulheres e a santidade em sua grande maioria se baseia ou nos textos produzidos no meio de. É importante destacar que está gelado os registro são muito chatos e dimensões a trajetória das personagens selecionadas, fatos que ficaram marcados na história chegaram até os nossos dias. O que estou expondo são conhecimentos elaborados a partir da tradição da igreja e rua dos testemunhos sobre o sentido pelas mulheres que foram reconhecidas como santas, e que foram perceptíveis e valorizadas pelos seus contemporâneos.

Sobre os problemas do casamento e da vida sexual. É conhecida a gravidade que esses problemas se revestiam na sociedade romana. O divórcio e o celibato minam os alicerces da família, e a escravidão, pela facilidade com que põe à disposição dos senhores as mulheres, é por toda a parte um agente de desmoralização. A condição normal do cristão é ser casado. São Paulo estabelecerá já com justeza os princípios do casamento dos fiéis. A Igreja não só não rejeita o casamento, como se opõe tenazmente a todos os hereges que o condenam. “Mostremos, exclama Tertuliano, mostremos a felicidade do casamento, que a Igreja recebe, que a oblação confirma, e as benção sela, que os anjos reconhecem e que o pai aí fica”. Não foi o próprio Cristo que ordenou aos esposos que fossem “uma só carne” e que nunca se separassem? O divórcio é, pois, inadmissível segundo a ótica cristã, e o celibato só é compreensível se tiver em vista uma realização mais alta, de uma união Mística com a pureza absoluta.

A concepção cristã da virgindade liga-se a esse mesmo ideal. Muito antes da aparição do monaquismo, na igreja homens e mulheres que renunciam ao casamento para se entregarem a Deus. Era um costume que já fora posto em prática em Israel pelos nazarenos e pelos essênios. No cristianismo primitivo, as mulheres virgens são mais numerosas que os homens, porque aqueles que queriam consagrar a sua existência ao senhor faziam-se e sacerdotes. Desde os primeiros tempos, como por exemplo em Antioquia na época de santo Inácio, as virgens formam um grupo à parte, muito venerado na igreja. São Cipriano denominá-las-á “a coroa da igreja”, e Orígenes exclamará: “um corpo imaculado, eis a hóstia viva agradável ao senhor! “. É, com efeito, sob o duplo aspecto de uma perfeição no ideal da pureza e de um matrimônio místico com Cristo que temos de conceber essa instituição especificamente cristã. Fala-se da virgindade como um verdadeiro substituto martírio, abundante em graças; e quando o concílio hispânico de Elvira, por volta do ano 300, declara excomungadas as virgens cristãos que tenham violado os seus votos, não faz senão homologar o uso corrente. É nesta concepção da virgindade, virtude superior e união com Cristo, que devemos ver a origem do celibato dos sacerdotes e das virgens consagradas, que os apóstolos e os primeiros discípulos não tinham posto em prática e que só veio a estabelecer-se lentamente ( nota de rodapé da página 223 em A Igreja dos Apóstolos e dos mártires, Daniel-Rops).

Mártires, confessores e virgens: o culto aos santos no ocidente medieval/ Andreia Cristina Lopes Frazão da Silva, Leila Rodrigues da Silva, (organizadora), — Petrópolis, RJ: vozes 2016; Daniel-Rops, Henri, 1901-1965.A Igreja dos Apóstolos e mártires São Paulo: quadrante, 2014
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