São Paulo, Eremita

São Paulo, Eremita

Paulo, o primeiro eremita irmã conforme o testemunho de Jerônimo que escreveu sua vida, durante a violenta perseguição de Décio retirou-se para um vasto deserto (para o cristianismo medieval, desertum não era necessariamente um espaço inóspito, e sim de solidão, de retiro espiritual, de encontro com Deus, de embate com as forças demoníacas. Ele podia ser o mar, a ilha, a montanha ou, sobretudo nas condições geográficas da Europa, a floresta (ver Jacques Le Goff, “o deserto-floresta no ocidente medieval”, Idem,”o maravilhoso e o quotidiano no ocidente medieval”) onde viveu 60 anos no fundo de uma caverna, totalmente afastado dos homens. Esse Décio teve dois nomes, sendo também conhecido por Galiano, e começou a reinar no ano do Senhor de 256.

Vendo os cristãos submetidos a toda sorte de suplícios, São Paulo fugiu para o deserto. Nessa mesma época, dois jovens cristãos foram capturados. Um deles teve o corpo inteiro untado de mel e foi exposto, sobre o ardor do sol, às picadas das moscas, dos insetos e das vespas. O outro foi posto numa cama das mais macias, situada num Jardim encantador, onde uma temperatura amena, o murmúrio dos córregos, o canto dos passarinhos, o cheiro das flores, eram embriagadores. Esse jovem foi amarrado com cordas da cor das flores, de sorte que não podia se valer nem das mãos e dos pés. Veio então uma bela mulher e maliciosa, que de forma erótica começou a acariciar o jovem, cheio de amor a Deus. Sentindo na carne movimentos contrários à razão, mas privados de armas para escapar do inimigo, ele cortou a própria língua com os dentes e cuspiu na cara da impudica, vencendo desta forma a tentação pela dor e merecendo um troféu digno de louvores.

Preocupado com estes e outros tormentos, de São Paulo foi para o deserto. António, que se imaginava o primeiro a viver como eremita, foi prevenido em sonho que existia alguém muito melhor que ele na vida eremítica. Pôs-se então a procurá-lo através das florestas, onde encontrou um Centauro, ser metade homem metade cavalo, que lhe disse que se dirigir-se à direita. Logo depois encontrou um animal cuja parte inferior era de bode e a superior de homem, segurando alguns frutos de Palmeiras. Antônio conjurou-o em nome de Deus vai dizer o que ele era. O animal respondeu que era um Sátiro, deus dos bosques conforme a errônea crença dos gentios. Emfim encontrou um lobo, que o levou à cela de são Paulo.

Mas este pressentira que António vinha, e como não queria encontrar ninguém, fechara porta. António rogou-lhe que abri-se, garantido que caso contrário não sairia dali, ficaria até morrer. Paulo cedeu e abriu, e ambos se abraçaram. Quando chegou a hora do almoço, um corvo trouxe uma dupla ração de pão. Como Antônio ficou admirado com aquilo, Paulo explicou que Deus o servia todos os dias daquele modo, mas que dobrara a porção em função de seu hóspede. Seguiu-se um piedoso debate entre eles para saber quem era mais digno de partir o pão: Paulo queria conceder essa honra a seu hóspede, e Antônio a seu decano. Por fim ambos seguraram o pão ao mesmo tempo e dividiram-no igualmente em dois.

Terminada a visita, quando o Antônio já estava perto da sua cela, viu anjos levando a alma de Paulo. Apressou-se a retornar para lá e encontrou o corpo de Paulo ajoelhado, como se orasse, parecendo estar vivo. Mas ao verificar que estava morto, exclamou: “Ó santa alma, você mostrou por sua morte o que era em vida”. Como Antônio vinha desprovido do necessário para abrir uma cova, apareceram dois leões que a cavaram e após a inumação retornaram à floresta. Antônio pegou a túnica de Paulo, tecida com fibra de palmeira, e desde então passou a usá-la nos dias solenes. Paulo morreu por volta do ano de 287.

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