A conversão de Clovis

A conversão de Clovis

Depois da queda do império do Ocidente, todos os diversos povos, que se tinham apoderado de seus vastos despojos, procuraram consolidar a sua nova dominação. Foi o começo da era, que dura ainda, e como o berço da maior parte dos reinos, que existem hoje no continente europeu. No V e no VI século, diz Lenormant, a Europa atual não subsistia ainda, sem dúvida, mas os seus alicerces, se assim posso falar, estavam lançados; e todas as nações, de que se formou a Europa moderna, e que lhe imprimiram o seu caráter intelectual, moral e literário, existiam já, ao menos no estado de preparação e de infância como assim, nessa época, os godos povoam o meio-dia da França, e depositam no solo ibérico os germes da nação, que se atribuira mais tarde o nome de velhos cristãos. Já os francos se misturaram contra os gauleses; já os saxônios penetraram na grã-bretanha. No decurso do VI século, os lombardos sucedendo a outros povos, chegam a Itália. — Se a estes primeiros elementos das grandes nações da Europa, as nações francesa, inglesa, e espanhola, italiana, juntarmos os povos, que não eram ainda cristãos, mas que em breve haviam de se tornar, já, pela maior parte, na posse dos territórios, que ocupam agora na Europa, se juntarmos, digo, Os germanos e os escandinavos, desde o VI século, temos os verdadeiros elementos da Europa moderna. os flancos, os borguinhões, os visigodos aprenderam a língua latina, mas introduziram nela palavras célticas e germânicas. Deste misto saiu uma língua geral, entendida por quase todos e em que dominavam o latim. Chamam-na romana.

De todos estes povos conquistadores, nenhum se distinguiu tanto como o dos francos no estabelecimento e na extensão de seu império. Eles tinham então à sua frente Clovis I, filho de Childerico, a quem sucederá em 481. Clovis era pagão; e, mas, mas em 493, casou-se com uma princesa cristã, sobrinha de Gomdebaldo, rei dos borguinhões, chamada Clotilde que, por seus conselhos e suas fervorosas orações o induziu a abandonar o culto dos ídolos e a abraçar a religião verdadeira. Como porém ele se não apressasse em seguir a voz celestial, uma guerra contra os alemães foi a ocasião, de que Deus se serviu para o decidir a dar o último passo e a receber o batismo. O combate estava travado com eles na planície de Tolbiac, perto de Colônia. A desordem espalhou-se no seu exército, e ele mesmo estava a ponto de cair entre as mãos dos inimigos. Recorreu aos seus deuses, mas não o ouviram neste transe, ele exclamou: Deus, a quem Clotilde adora, socorrei-me; se me derdes a vitória, nunca mais adorarei a outro deus do que a vós. No mesmo momento, o triunfo declara-se a favor dos francos. Os alemães fogem, e os que escaparam da morte, entregam-se a discrição. Clóvis não esperou mais para ser converter .

E, juntou seu soldados, exortou a seguir o seu exemplo, renunciando aos ídolos para adorarem a Deus. Que lhes dera a Vitória. Ele foi repentinamente interrompido pelas aclamações dos francos, que bradavam por toda a parte: “renunciamos aos deuses mortais e estamos prontos a adorar o Deus verdadeiro. — são Remígio, arcebispo de Reims, instruiu o real catecúmeno, que recebeu o batismo nesta cidade, na véspera do natal do ano 496. Houve uma festa soleníssima. Os três mil francos, que acompanhavam o rei, sem contar as mulheres e as crianças, foram batizados ao mesmo tempo pelos bispos e outros ministros, que estavam em Reims para a cerimônia. Das duas irmãs de Clovis, uma Albofleda, recebeu também o batismo, e a outra, que já era cristã, mas que tivera a desgraça de cair na heresia, foi reconciliada pela unção do santo crisma.

A notícia da conversão de Clóvis alegrou todo o mundo cristão. A igreja olhou com complacência para o recém batizado, e o Papa santo Anastácio II escreveu-lhe a felicita-lo e a pedir-lhe que proteger-se a Igreja. O júbilo do sumo pontífice foi tanto mais vivo, que Clovis era então o único príncipe verdadeiramente cristão; pois Anastácio, imperador do oriente, era suspeito de maniqueísmo e inteiramente dado aos eutiquianos.

Teodorico, rei dos ostrogodos na Itália, Alarico, rei dos visigodos na Espanha e na Aquitânia,, Gondebaldo, rei dos borguinhões, e Trazamundo, rei dos vândalos na África, eram todos arianos. (No ano 377, os godos, tendo pedido licença ao imperador Valente para entrar nas terras de sua dependência, obtiveram com a condição de que abraçarram o arianismo. Um de seus deputados, o bispo Ulfilas,, que primeiro fora a fiel a fé de Nicéia, deixou-se seduzir pelas promessas do imperador, e sem alterar a sua doutrina, deixou a na sua nação seguir o erro. Daí passou às nações aliadas dos godos, aos ostrogodos, aos gepidos, depois aos vândalos, aos alanos, e aos suevos.
Genserico, rei dos vândalos, abraçou o arianismo, em 428. — em 430, Gomdebaldo, rei dos borguinhões, fez o mesmo. — Os suevos receberam o arianismo, em 469, de seu rei Remismundo, e de um sacerdote gálatas, chamado Ajax, que havia abraçado a heresia assim como o monarca, etc. A adesão de todos esses povos ao arianismo parece ser devido a ligação natural, que existe entre esta heresia e o politeísmo (Tillemont, história eclesiástica, sobre o ano 377 artigo sobre Ulfilas).

Os príncipes anglo-saxões na grã-bretanha e todos os outros Reis do norte eram ainda idólatras. — É por esta razão, que os reis de França receberam o título de reis cristianisímos e de filhos primogênitos da igreja (os papas chamavam Carlos Martel seu filho cristianisímo — Pio II [1460]declarou hereditário este título nos Reis da França).

TRATADO DE HISTÓRIA ECLESIÁSTICA,PADRE RIVAUX, 1876,TOMI II, LIVRARIA INTERNACIONAL

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