Vida comum e edificante dos primeiros cristãos. Diferença entre ela e o comunismo moderno

Vida comum e edificante dos primeiros cristãos.

Diferença entre ela e o comunismo moderno

Esses primeiros cristãos, primícias da Igreja nascente, elevaram-se logo a perfeição evangélica e deram um exemplo dessa incomparável união, dessa completa abnegação e sublime caridade, que se admirou por tanto tempo na Igreja de Jerusalém. Tudo que cada um tinha era possuído em comum. Vendiam as suas fazendas e os seus bens e distribuíam-nos por todos, segundo a necessidade que cada um tinha. Congregavam-se nos cenáculos ou oratórios das casas particulares para orar e participar da fração do pão, isto é, da Eucaristia. Depois da oração e da instrução, para conservar entre si a união e a Concórdia e para restabelecer, ao mesmo junto dos altares, a fraternidade destruída na sociedade civil pela grande desigualdade das condições, faziam em comum uma refeição conhecida pelo nome de ágape, que significa amor, e tomavam a comida com alegria e simplicidade de coração. Realmente esses primeiros fiéis eram meninos pela humildade, pela pureza e pelo desinteresse; eram como uma república angélica, angélica república, diz São João Crisóstomo. Em memória das ágapes da primitiva igreja, é que em algumas paróquias se oferece e distribui aos fiéis o pão Bento a missa conventual.

Esse admirável procedimento da Igreja de Jerusalém, em perfeita harmonia com o tempo e as pessoas, durou perto 40 anos, até que os cristãos se retiraram para Pela. os mosteiros e as comunidades religiosas, que seguiram mais tarde o mesmo caminho da perfeição cristã, continuam a segui-lo ainda hoje, no meio das nossas sociedades corrompidas. Eis um exemplo sensível e real dessa igualdade de bens, dessa vida comum, que alguns legisladores e filósofos da antiguidade propuseram como o meio mais próprio para fazer a felicidade dos homens, mas sem poder consegui-lo. Os socialistas dos nossos dias sonham ainda a mesma coisa, sem obter melhor o resultado. mais instruídos que uns e outros, os apóstolos e a Igreja a designaram como a sorte exclusiva e livre da virtude perfeita e estabeleceram assim, solidamente e por toda a parte, o que esses pretensos sábios só sonharam. A comunhão de bens realizada pela fé dos primeiros fiéis dava aos Apóstolos a administração e o domínio das coisas temporais.

Desse modo se acha constituída a propriedade eclesiástica no próprio berço da Igreja.

Dentre os que venderam os seus bens para fazer comum o valor deles, cita a Escritura Sagrada principalmente um levita, natural de Chipre, chamado José, que recebeu o sobrenome de Barnabé e que, pouco tempo depois, elevado à dignidade de apóstolo, veio a ser companheiro de São Paulo. Tendo outro fiel, por nome Ananias, vendido um campo e trazido aos apóstolos só uma parte do valor, fazendo eles crerem que trazia todo o dinheiro, São Pedro disse-lhe: “Ananias, porque tentou Satanás o teu coração para que tu mentisses ao Espírito Santo e reservasses parte do preço do campo? Por ventura não era livre ficar com ele e ainda hoje, depois de vendido, não era teu o dinheiro?”. Essas palavras do apóstolo mostram que o crime não consistia no direito exclusivo de propriedade nem no de reservar para si a totalidade ou a parte do que lhe pertencia, mas na mentira do discípulo, depois de afirmar que dava todos os seus bens, como os outros, retinha uma parte por espírito de cobiça e avareza. Ricos com o que conservavam em seu poder, Ananias e Safira vinham a sê-lo muito mais adquirindo o direito de participar do tesouro comum da Igreja. Essa criminosa especulação foi o primeiro atentado contra os bens da Igreja e dos pobres. Como se vê, a oblação foi livre e Santa desde o princípio da pregação evangélica e é o que estabelece uma diferença essencial entre o evangelho e o comunismo. O comunismo é a exaltação até ao delírio de todos os apetites materiais e de todos os desejos grosseiros. A comunhão evangélica é a abnegação, a emulação do orgulho e da carne. Do evangelho ao comunismo há a distância do céu ao inferno.

A repreensão que São Pedro deu a Ananias foi seguida logo do castigo, porque, passado quase o espaço de 3 horas, Ananias e Safira, sua mulher e cúmplices, caíram aos pés do Apóstolo e expiraram.

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