A Guerra Secreta de Pio XII contra Hitler

A Guerra Secreta de Pio XII contra Hitler

O plano secreto do Vaticano para salvar os judeus das mãos dos nazistas

Por muitos anos tem-se falado de uma suposta impassividade do Vaticano perante as atrocidades dos nazistas na Segunda Guerra Mundial, continua até os dias atuais à representar uma das maiores controvérsias da atualidade, isso se dá por falta de informação sobre o tema. A história mal feita apelidou Pio XII de «O Papa de Hitler» e considerou-o conivente com a política e ideologia nazi. Contudo, mais do que manter-se distanciado ou cúmplice dos acontecimentos ocorridos num dos períodos da história mais negros, o Papa teve um papel fundamental nos eventos que levaram à derrota nazi. Nesse e em outros textos vamos mostrar que o silêncio para o mundo foi para preservar a vida de milhares de judeus, poderemos ver que o Papa Pio XII ordenou uma ajuda em ouro para pagar o resgate dos judeus de Roma, diversos colégios, mosteiros e conventos foram esconderijo secreto de milhares de judeus durante o período da segunda guerra Mundial, veremos isso através de documentos da época e testemunhas que tem grande gratidão ao Vaticano e a Pio XII.
O historiador Mark Riebling, baseado em documentos recentemente abertos pelos arquivos secretos do Vaticano e pelo British Foreing Office, apresenta a versão que ao longo de décadas foi encoberta, abrindo as portas do Vaticano para revelar factos surpreendentes na história do pontificado.

No dia 20 de novembro de 1945, o papa recebeu em audiência oitenta representantes libertados de vários campos de concentração do Terceiro Reich, que foram vê-lo para agradecer por sua ajuda em salvar a Vida de judeus.

Ele lhes disse que tinha certeza de que haviam permanecido firmes em seu senso de humanidade e se agarrado a seus valores em meio as circunstâncias cruéis sob as quais estavam presos, naquele mundo de trevas e desespero. Quando deu sua benção, alguns acreditaram ter Visto que, por trás dos óculos, seus olhos estavam à beira das lágrimas.

Esse foi o primeiro de vários tributos comoventes e eloquentes que Pio XII receberia nos anos do pós-guerra. Em toda a diáspora, vários exemplos eram citados na imprensa judaica e nas sinagogas sobre os esforços do Vaticano para salvar os judeus.

O Congresso Sionista Mundial doou 20 mil dólares para instituições de caridades do Vaticano “em reconhecimento ao trabalho da Santa Sé no resgate de judeus, livrando-os da perseguição nazista”. Outras agências judias de assistência humanitária no Canadá, na Austrália e na África do Sul também fizeram doações. Milhares de mensagens de outras comunidades religiosas chegaram do mundo todo.

Ao mesmo tempo que tinha de garantir que todos recebessem uma resposta apropriada muitas delas preparadas por irmã Luke e seus assistentes para que ele só assinasse -, Pio tinha de encaixar em seus dias, sempre atarefados, as delegações do mundo todo, que também queriam lhe agradecer. Não só representavam os católicos, mas também outras religiões. Também havia os líderes dos tempos de guerra para receber. Winston Churchill chegou acompanhado de Harold Macmillan, um futuro primeiro-ministro da Grã-Bretanha que, em 1945, era Chefe do gabinete politico das forças aliadas na Itália. Considerava Pio “um homem santo, de certa forma preocupado, obviamente abnegado e santo, com a mente de um pássaro que voa de um lado a outro”.

Os anos do pós-guerra continuaram sendo muito agitados para Pio. Para os católicos, ele era o defensor intrépido da gloria espiritual da humanidade. Para os não católicos, era um homem do Estado, um líder mundial que tentara evitar a Segunda Guerra Mundial por meio da intervenção pessoal, um homem que havia lutado contra o comunismo, com seus atos de purgação, detenções em grande escala de padres e freiras e prisão de seus cardeais atrás da Cortina de Ferro. Apesar de tudo, a Igreja Católica havia crescido em 1954 para 496 milhões de fiéis, a maior Igreja do mundo. Esses números foram alcançados graças a seus textos, que prometiam reformas nos ensinamentos católicos para torná-los mais relevantes e acessíveis aos fiéis.

Estudiosos católicos e eclesiásticos concordam que sua decisão teológica mais significativa foi tomada em 1950, quando proclamou o dogma da Assunção do corpo da Virgem Maria aos céus. Foi o ápice da cerimônia de jubileu do Ano Santo na praça de São Pedro, perante meio milhão de romeiros provenientes de todas as partes do mundo.

Foi seguido da encíclica Humani Generis, na qual Pio deixou claro que não fazia objeções a pesquisas adicionais sobre a teoria da evolução de Darwin, que havia sido denunciada por outros clérigos; mas também insistiu “As almas são criadas diretamente por Deus”.

Ele também anunciou sua posição sobre vários problemas da época. Pediu que se elaborasse um código penal internacional para punir criminosos de guerra e os que haviam conseguido fugir de sua terra natal para escapar da justiça. Reiterou a proibição da Igreja ao controle da natalidade e instou os médicos e especialmente os psiquiatras a respeitar a personalidade de seus pacientes. Na mensagem de Natal daquele ano, fez apelos por uma Europa unida.

Falava-se na Secretaria de Estado que, no Ano Novo, ele gostaria de ir ao Oriente Médio para tentar acabar com a ameaça de guerra entre os estados árabes e Israel. Conversas dessa natureza terminaram com as denuncias dadas pela Rádio Vaticano em 2 de dezembro de 1954. Diziam

De Moscou veio o primeiro ataque contra Pio. O Pravda Publicou uma série de artigos bizarros, dizendo que Pio não só “aceitou Hitler, mas também concordava com ele em tudo; o papa havia trabalhado secretamente com Mussolini”.

A difamação e a evisceração estavam em execução. A exaltação de seus feitos foi colocada de lado à medida que começavam a aparecer artigos na Europa e nos Estados Unidos ligando-o ao ódio racial e que afirmavam a perversidade do Vaticano em relação aos judeus. Já não era mais suficiente atacá-lo por sua alegada atitude durante os tempos de guerra — “o papa que permaneceu em silêncio durante o Holocausto”

Ele foi acusado de odiar os judeus. Séculos de sofrimento e submissão infligidos aos judeus foram usados para apoiar os ataques contra Pio em jornais, rádio e televisão. As controvérsias surgiam com velocidade espantosa. Por que o papa não havia avisado aos judeus que um extermínio em massa estava prestes a ocorrer? Por que não havia publicado uma encíclica durante a guerra condenando o Holocausto? Por que havia permanecido neutro? O tsunami de questionamentos ameaçou afogar as vozes daqueles que tentavam defender Pio. Muitas vezes bem arquitetados para provocar raiva e indignação, os artigos só careciam de uma coisa: a verdade. Em vez disso, meias verdades e informações falsas circulavam. Ninguém podia duvidar que Stalin certamente ria em Moscou.

Aquela primeira onda de ataques disparou uma avalanche, com outros revisionistas seguindo seus próprios atalhos pela Vida e guerra de Pio XII. Tudo culminou, ao menos momentaneamente, com a produção da peça O Vigário, de Rolf Hochhuth, que retratava um pontífice financeiramente ganancioso que permanecera em silêncio durante o Holocausto. AÍ surgiu O papa de Hitler, de John Cornwell, um livro com um título que era garantia de fofocas para os críticos do papa. Pouco tempo depois, surgiram outros títulos, cujas capas ligavam o papa, Hitler, o Vaticano e os nazistas. Ao longo do tempo, Pio foi acusado de ser “meramente uma marionete de sua governanta alemão, a irmã Pascalina”.

Tais ataques são um ultraje á história. Há também uma similaridade entre eles: as afirmações de que Pio liderou uma Igreja institucionalmente antissemita; que sofria de um medo patológico do comunismo; que deu pouca atenção á morte de 6 milhões de judeus. Aqueles que tentaram responder aos ataques maliciosos gastaram tempo interminável tentando refutar as alegações e, em alguns casos, conseguiram reduzir os ataques. Mas eles continuavam. Em Londres, Peter Stanford, um ex-editor de uma publicação católica, ganhou espaço no The Sunday Times para descrever Pio como um “criminoso de guerra”. Durante todo o tempo em que ocorreram os ataques, sempre mantiveram seu curso, baseados na falta de evidências. Isso tudo apesar de já existirem evidências que refutavam completamente as alegações. Elas estão disponíveis nas próprias palavras de Pio, nas quais ele expressa exatamente seus ataques contundentes contra o antissemitismo, Hitler, os nazistas e o Holocausto — efetivamente destruindo as acusações de que havia “permanecido em silêncio”. As evidências foram reunidas pelo distinto historiador católico William Doino Jr. Trata-se de um documento extraordinário que deveria ser lido por qualquer crítico do papa Pio XII antes de pensar em lançar outro ataque contra ele.

Aqueles que continuam a fazê-lo insistem que são motivados pela busca da verdade. Pinchas Lapide, um ex-diplomata israelense, declarou em seu livro Three Popes and jews [Três papas e os judeus] que a Igreja sob Pio “foi fundamental para salvar pelo menos 700 mil, mas provavelmente 860 mil judeus da morte certa se caíssem nas mãos dos nazistas”.

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É uma afirmação que nenhum dos que atacam o papa teve a capacidade de refutar até hoje. Michael Tagliacozzo, indiscutivelmente a principal autoridade sobre os judeus romanos durante o Holocausto, possui uma pasta em sua escrivaninha intitulada “Calúnias contra Pio XII. Sem ele, muitos de nós provavelmente não estaríamos vivos.

Richard Breitman, um dos quatro historiadores autorizados a estudar os arquivos da espionagem dos EUA durante a Segunda Guerra Mundial, confirmou: “Os documentos secretos provam o grau de desconfiança de Hitler para com a Santa Sé porque ela dava abrigo a judeus”.

Um estudo das interceptações de informações secretas alemãs por parte de decifradores de códigos dos EUA e da Grã-Bretanha fornece evidências adicionais que contradizem as alegações contra papa Pio XII.

Alguns de seus críticos dizem que escrevem porque querem se assegurar de que os judeus‘ e o Holocausto jamais sejam esquecidos. Eles se esquecem de que, em 1943, Chaim Weizmann, que se tornaria mais tarde o primeiro presidente de Israel, escreveu: “A Santa Sé está concedendo sua poderosa ajuda para, no que for possível, mitigar o destino de meus correligionários perseguidos”. Em 1944, o rabino-mor de Jerusalém, Isaac Herzog, enviou uma mensagem ao papa: “O povo de Israel jamais esquecerá o que Sua Santidade e seus ilustres delegados, inspirados pelos eternos princípios da religião, que 550 03 fundamentos da civilização genuína, estão fazendo em favor de nossos desafortunados irmãos e irmãs na hora mais trágica de nossa história”.

Moshe Sharett, o segundo primeiro-ministro de Israel, encontrou-se com o papa em 1952. Disse a ele: “Minha primeira obrigação é lhe
agradecer e, através do senhor, a Igreja Católica, em nome do público judeu, por tudo que vocês fizeram em vários países para salvar judeus” . Nenhum deles jamais chamou Pio de “silencioso” . Ao atacá-lo agora, seus críticos mostram uma atitude desinformada, sorrateira e egoísta que não passa de um abuso da memória do Holocausto. O papa não foi 0 “Papa de Hitler”, mas muito provavelmente o mais próximo do que os judeus puderam chegar a ter como uma voz papal dentro do Vaticano no momento em que mais importava.

Em 2001, Aharon Lopez, que recentemente havia se aposentado de seu cargo de embaixador de Israel junto à Santa Sé, disse:

A justiça, contudo, não só deveria ser feita, mas também deveria ser vista como feita. Centenas de milhares de sobreviventes do Holocausto ainda hoje estão vivos. Eles têm o direito a ver todas as suas questões sobre Pio XII e o comportamento da Igreja respondidas. É o mínimo que se poderia esperar do Vaticano, um componente importante da comunidade internacional. A beatificação do Papa Pio XII é um caso traumático que estabelece precedentes. Ainda mais que o Vaticano fala sobre expiação e reconciliação e seu desejo de contribuir com a correção do terrível mal moral infligido ao povo judeu.

THOMAS, Gordon, os judeus do Papa – São Paulo: Geração Editorial, 2013; Riebling , Mark, O PLANO SECRETO DO VATICANO PARA SALVAR OS JUDEUS DAS MÃOS DOS NAZISTAS; Editorial Presença, 2016.

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