O USO DA RAZÃO COMO PROVA DA EXISTÊNCIA DE DEUS

O USO DA RAZÃO COMO PROVA DA EXISTÊNCIA DE DEUS

Decreto da Congregação do Index (11.6.1855)
Augustin Bonnetty (1798-1879), fundador da revista Annales de philosophie chrétienne (1830), foi um leigo empenhadíssimo na luta contra o racionalismo dominante e preocupou-se, como Bautain, com o problema das relações entre razão e Revelação, concluindo que a razão é incapaz de formular uma “demonstração de Deus e de Seus atributos, do homem e de sua origem, de seu fim e de seus deveres, das regras da sociedade doméstica e civil”. Tudo o que o homem pode alcançar da verdade da religião, ele o recebe dos vestígios da revelação primitiva, filtrada nas tradições da humanidade (tradicionalismo). Bonnetty se filia a uma corrente apologética de reação, muito difundida no século XIX. Citemos apenas os nomes de De Bonald (1754-1840), Lamennais (1782-1854), De Maistre (17541821), Donoso Cortés (1809-1853), Ventura Ráulica (17921861) e outros. Entre eles era muito comum a idéia de que todo teólogo que não fosse tradicionalista devia ser forçosamente racionalista, inclusive os grandes escolásticos.
A Sagrada Congregação do Index, advertida das posições de Bonnetty, enviou-lhe, por intermédio da Nunciatura de Paris, quatro proposições, convidando-o a subscrevê-las se quisesse manter a doutrina da Igreja sobre a capacidade da razão natural de conhecer as verdades da Fé. As três primeiras foram tiradas das que Bautain havia
subscrito em 1840 e da Encíclica Qui pluribus, de Pio IX (9.11.1846); a última é uma defesa da Escolástica, por ele acusada de racionalismo. Pio IX confirmou o decreto da Congregação do Index em 15.6.1855; Bonnetty o publicou nos Annales , depois de té-lo subscrito em 12.7.1855.
Texto de (1867) 224.
Embora a Fé seja superior à razão, jamais pode existir entre elas verdadeira dissensão ou conflito, porque ambas procedem da única e mesma fonte imutável da verdade: Deus, a Perfeição máxima [Deo optimo maximo]. E, assim, mutuamente se ajudam“.
O raciocínio pode provar com certeza a existência de Deus, a espiritualidade da alma e a liberdade do homem. A Fé é posterior à Revelação por isto, não pode ser adequadamente [convenienter] invocada
no debate com os ateus como prova da existência de Deus, nem como prova da espiritualidade e liberdade da alma racional no debate com os seguidores; do naturalismo e do fatalismo.
O uso da razão precede a Fé e a ela conduz o homem, com o auxílio da Revelação e da graça.
Collantes, Justo, A fé católica: documentos do magistério da Igreja, Lumen Christi; Anápolis, GO, 2003.

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