LlMITES DA RAZÃO     O SEMI-RACIONALISMO E O RACIONALISMO 

LlMITES DA RAZÃO

O SEMI-RACIONALISMO E O RACIONALISMO
Carta Dum acerbissimas de Gregório XVI (26/9/1835)
Embora seja racional a Fé (tese contrária ao fideísmo de Bautain e ao tradicionalismo de Bonnetty), ela não é, entretanto, o produto lógico e necessário da razão (tese contrária a Hermes).
Georg Hermes (1775 1831) foi, como tantos outros, vítima do desejo de tornar a fé mais compreensível a seus contemporâneos. As leituras que fez de Kant e de Fichte fizeram-no mergulhar numa profunda crise religiosa; para dela sair só via um caminho: o da dúvida objetiva como condição prévia. Para sair desta dúvida, julgava imprescindível uma análise científica que necessariamente exigisse o assentimento da razão pura e o consenso da razão prática.
Este método de acesso á Fé incorre numa séria dificuldade: como explicar a liberdade e a sobrenaturalidade da Fé? Responde Hermes distinguindo entre a fé da inteligência e a fé do coração, vivificada pelas obras. Liberdade e sobrenaturalidade seriam, segundo ele, atributos da segunda, não da primeira. A seu método teológico acrescentava grande vivacidade e menosprezo pela Tradição.
Em torno das teses de Hermes, que primeiro ensinou em Münster e mais tarde em Bonn, acendeu-se violenta polêmica. Suas obras eram lidas com interesse: mais de trinta alunos difundiam as doutrinas do mestre em seminários, em universidades e na revista que fundaram depois de sua morte.
(1832-1852). Gregório XVI mandou examinar detidamente as obras de Hermes e chegou à conclusão de que ele subordinava a Fé á razão, estabelecendo o princípio da dúvida positiva como base necessária para qualquer teologia. Com o Breve Dum acerbissimas proibiu as obras de Hermes e condenou como errôneas oito afirmações suas”.
Mais tarde (9/11/1846), publicou Pio IX sua primeira encíclica (Qui pluribus) contra os erros modernos, na qual, ao abordar o problema das relações entre Fé e razão,
assinalou claramente um caminho equidistante entre o fideísmo e o racionalismo, e acentuando a necessidade de se estabelecerem racionalmente os motivos de credibilidade. Lamentavelmente, os seguidores de Hermes julgaram descobrir nesta parte da Encíclica uma confirmação de suas opiniões. Para impugnar tal interpretação, o Papa confirmou o breve de Gregório XVI (Dum acerbissimas) com uma carta ao bispo coadjutor de Colônia, o future Cardeal Geissel (25/7/1847).
Insistiu Pio IX pela terceira vez no mesmo tema em sua Alocução Singulari quadam (9/12/1854), pronunciada um dia depois da promulgação do dogma da Imaculada Conceição. Nela o Papa examina o método teológico e confronta-o com o das outras ciências, concluindo que a razão humana não pode ser o critério último para julgar as verdades de Fé.
TEXTO: A.M. BERNASCONI, Gregório XVI ata, Roma, 1901-1904, 2.85-86.
(…) Entre tais mestres do erro (…) deve-se incluir Georg Hermes, o qual, desviando-se com ousadia do reto caminho que a Tradição e os Santos Padres traçaram para expor e defender as verdades da Fé e, mais ainda, desprezando este caminho e condenando-o com soberba, entra por uma tenebrosa via que leva a toda espécie de erros: a dúvida positiva como base de toda pesquisa teológica, e o princípio, por ele estabelecido, de que a razão é a norma principal e o único meio pelo qual o homem pode alcançar o conhecimento das verdades sobrenaturais(…)
Collantes, Justo, A fé católica: documentos do magistério da Igreja, Lumen Christi; Anápolis, GO, 2003.

Um comentário em “LlMITES DA RAZÃO     O SEMI-RACIONALISMO E O RACIONALISMO 

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  1. Belo texto. Mostra bem a verdade de que todo o erro é acompanhado de um ponto de vista atenuado do mesmo para enganar os ingênuos e se possível fosse,até o magistério!
    O demônio tenta perder as pessoas geralmente pelos extremos, foge-se do racionalismo para cair no irracionalismo e vice versa. Mas também tenta o homem com uma heresia mais ‘’leve’’.

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