A PARADOSIS APOSTÓLICA EM FORMA DE TRADIÇÃO DA IGREJA 

A PARADOSIS APOSTÓLICA EM FORMA DE TRADIÇÃO DA IGREJA

“A escritura é uma das formas na qual a tradição apostólica, comunicada á Igreja, se torna o paratheke ( depósito ). A “Sagrada Escritura” que Paulo se refere a Timóteo ( II Tim. 3:15 ) são, de fato, os escritos do Velho Testamento, mas nós podemos aplicá-los analogamente para o Novo Testamento. O Novo Testamento, isto é, os escritos inclusos no Cânon, são uma forma na qual a tradição apostólica foi confiada á Igreja para salvaguardá-la. Mas o Novo Testamento não é a única forma em que a tradição apostólica é acessível a nós. Quando enunciamos esta tese, nós inevitavelmente nos involvemos em discussão com O. Cullmann acerca do fato de a Igreja no segundo século ter coletado os vários “escritos apostólicos” individuais em um escrito apenas, o Cânon.“
A PARADOSIS APOSTÓLICA EM FORMA DE TRADIÇÃO DA IGREJA
“Qual foi a importância disto? Cullmann considera desta forma: “Com a introdução do princípio Canônico, a Igreja reconheceu que dali em diante, a tradição ( isto é, a tradição viva ) não era mais critério de verdade. Isto traçou uma linha sobre a tradição apostólica e desse modo declarou que dali em diante, toda tradição posterior deve ser testada pela tradição apostólica. Em outras palavras, isso significou: “Esta é a tradição que funda a Igreja e que se impõe à Igreja”. Além disso: “Se o colocar por escrito a mensagem apostólica é um fato fundamental da encarnação, nós temos o direito e o dever de ver a tradição apostólica e os escritos do Novo Testamento juntos, mas por outro lado nós devemos separar ambas da tradição pós-apostólica e pós-canônica”.
Hoje em dia há um reconhecimento entre várias denominações que o Novo Testamento é a parte escrita da tradição apostólica. Nós também podemos aceitar a idéia que a tradição apostólica deve ser distinguida da tradição pós-apostólica e que a última deva ser testada pela primeira. Mas não podemos supor que a intenção da Igreja em formar o Cânon no segundo século era declarar que ali, e ali apenas, devia daqui em diante ser procurada a tradição apostólica. Pelo princípio do Cânon, os escritos compreendidos nele eram distinguidos como genuinamente “apostólicos” em contraposição aos evangelhos apócrifos e estórias dos apóstolos que vieram á existência no mundo do Gnosticismo. A Igreja não empreendeu isto arbitrariamente, nem sucedeu porque estes escritos tenham se imposto á Igreja apenas pela sua autoridade apostólica inerente, mas principalmente em razão de eles terem sido usados por um longo ou curto período na adoração litúrgica pública da Igreja, ou, em outras palavras, na base da tradição. Claro, a tradição é fielmente espelhada na liturgia. Agostinho expressa isso claramente: “Se os escritos circulando em nome dos apóstolos André e João de fato tivesse vindo deles, eles teriam sido aceitos pela Igreja, que tem persistido desde os dias deles até o nosso através da inteiramente certa sucessão de bispos”. Se, entretanto, o Cânon do Novo Testamento deve sua existência expressamente ao princípio da tradição determinante da Igreja, como poderia ser possível ao efeito por um fim á sua causa? O princípio do Cânon não significa o fim da tradição na Igreja, mas sua confirmação. Se a formação do Cânon possuísse o propósito que Cullman lhe atribuiu, isto resultaria em uma mudança decisiva no ensino dos Padres da época em relação à tradição. Mas nenhum sinal disto é perceptível. A teologia da tradição continua ininterrupta de Irineu a Agostinho, a despeito do Cânon.”
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“S. Dejaifve declara que não há evidência para a tese de Cullman. Pelo contrário; quando o Novo Testamento tomou forma, o magistério, pelos Bispos, foi encarregado de interpretar autenticamente a Escritura em base da atual crença da Igreja e o “sensus ecclsiasticus”, o “phenomena ekklesiastikon”.”
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