COMO SURGIU A TRADIÇÃO DA ÁRVORE DE NATAL

COMO SURGIU A TRADIÇÃO DA ÁRVORE DE NATAL

Os Pinheiros luminosos decorados com bolas coloridas são os primeiros sinais de que o ano está acabando. Este é o Tema da maioria dos comerciais, das músicas de fina de amo, a árvore de Natal é apresentada, muitas vezes, como símbolo máximo das festividades, vamos entender o real significado da Árvore de Nata. Vamos entender como e por que surgiu e se isso era apenas fruto do sincretismo católico medieval no início da Idade Média.

Ao longo da história, a Igreja em sua missão evangelizadora deu um signo cristão, purificando e batizando as celebrações pagãs e dando um sentido totalmente cristão a costumes populares. Os cânticos natalinos, por exemplo, eram originalmente músicas para comemorar colheitas ou a metade do verão, até serem incorporadas pelos religiosos. Elas se tornaram uma tradição natalina no final do período medieval.

Do ponto de vista histórico, alguns historiadores falam de festividades que lembram o Natal, a referência é São Gregório Nazianzo, lembrando que estávamos no início da Igreja e muitos pagãos haviam se convertido, esse é um dos momentos em que se inicia a purificação de tradições pagãs e folclóricas, e são dadas uma visão totalmente cristã. São Gregório Nazianzeno (um dos quatro patriarcas da Igreja Grega) advertiu contra “os excessos nas festividades, nas danças e decorações nas portas”. Nessa época, a Igreja já trabalhava sobre os traços de paganismo que estava nas sociedades e fazia o trabalho de eliminar os traços pagãos dos festivais de inverno.

Ainda que essa tradição realmente mescle objetos de culto e crença pagãos com a celebração cristã, – algo básico para o sucesso da expansão cristã entre os povos “bárbaros” no início da Idade Média -, há uma história muito interessante de como especificamente a árvore vai ser inserida no culto natalino.

Tudo começou com São Bonifácio, conhecido como o “Apóstolo dos Germânicos”. Bonifácio nasceu na Inglaterra, em 680. Aos sete anos ingressou em um mosteiro beneditino, estudando e se destacando por sua devoção e inteligência. Bonifácio, porém, se sentia vocacionado para a vida missionária, sobretudo entre o povo frísio, nos Países Baixos.

Por volta de 723, estava percorrendo a Alemanha onde encontrou, na véspera do Natal, uma pequena vila próxima a Geismar (Turíngia) na qual os habitantes realizavam sacrifícios humanos. Eles tinham a tradição de sacrificar uma criança aos pés de um carvalho, conhecido como “Carvalho do Trovão”, em homenagem ao deus Thor (deus do trovão, na mitologia nórdica).

Bonifácio e os outros missionários que o acompanhavam chegaram na vila a tempo de impedir mais um infanticídio. No momento em que o carrasco levantou o pesado machado de pedra, Bonifácio, com seu báculo na mão exclamou:

“Aqui está o Carvalho do Trovão, e aqui a cruz de Cristo quebrará o martelo do falso deus, Thor.” (SEWELL, 2014).

Ao descer o machado para matar a criança, Bonifácio colocou a cruz do seu báculo como proteção, e o machado de pedra se quebrou. Bonifácio, então, exclamou:

“Ouvi, filhos da floresta! Nenhum sangue fluirá esta noite a não ser a pena que tenho tirado do seio de uma mãe. Pois esta é a noite de nascimento do Cristo, o filho do Todo-Poderoso, o Salvador da humanidade. Mais justo é Ele que Baldur, o Belo, maior que Odin, o Sábio, mais gentil que Freya, o Bom. Desde que Ele veio, o sacrifício terminou. O escuro, Thor, em quem vocês têm chamado em vão, está morto. Nas profundezas de Niffelheim ele está perdido para sempre. E agora, nesta noite de Cristo, vocês começarão a viver. Esta árvore de sangue não escurecerá mais a sua terra. Em nome do Senhor, eu vou destruí-lo.” (SEWELL, 2014).

O missionário, então, desferiu um grande e único golpe de machado contra a árvore. O povo do vilarejo esperava que Thor destruiria aquele sacrílego. Porém, o que aconteceu foi que um forte vento soprou, derrubando a árvore, arrancando até suas raízes.

Atônitos diante disso, ouviram Bonifácio mais uma vez exclamar, apontando para um pinheiro na floresta:

“Esta pequena árvore, uma criança da floresta, será sua árvore sagrada esta noite. É a madeira da paz […] É o sinal de uma vida sem fim, pois suas folhas são sempre verdes. Veja como aponta para o céu. Que isso seja chamado de a árvore do filho de Cristo; reúnam-se sobre ela, não na floresta selvagem, mas em suas próprias casas; ali não abrigará atos de sangue, mas dons amorosos e ritos de bondade.” (SEWELL, 2014).

Com a madeira do carvalho derrubado, Bonifácio construiu uma capela e todo aquele povo se converteu ao cristianismo. Desde então, sobretudo em solo germânico, começou e se expandiu a tradição de, na véspera do Natal, se cortar um pinheiro, colocar em casa, como se fosse a árvore do Salvador Jesus Cristo, simbolizando que nenhuma criança precisa ser sacrificada, pois o Filho de Deus morreu para cessar todo o sacrifício. Lutero foi um daqueles que tinha essa tradição oriunda de sua família e a legou para o posterior protestantismo.

Prof. Lucas Gesta – Filigranas de História da Igreja.

Referências Bibliográficas:

-GONZÁLEZ, J. L. História Ilustrada do Cristianismo. A era dos mártires até a era dos sonhos frustrados. São Paulo: Vida Nova, 2011.

-SEWELL, M. Thor, St. Boniface, and the Origin of the Christmas Tree. Retirado de:https://mtncatholic.com/ thor-stboniface-and-the-ori gin-o…/. Acesso em 05/12/2018. Este artigo foi útil, pois o autor consultou uma fonte em inglês a qual não tenho acesso: o artigo “Celebrating a Merry Catholic Christmas: A Guide to the Customs and Feast Days of Advent and Christmas” do Dr. Rev. William Saunders.

-WILLIAMSON, J. M. The Life and Times of St. Boniface. London: Henry Frowde, 1904.

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