URBANIZAÇÃO E HIGIENE NA SOCIEDADE MEDIEVAL

URBANIZAÇÃO E HIGIENE NA SOCIEDADE MEDIEVAL

Diante de tanta desinformação, esse canal tem por objetivo o primor pela narrativa histórica correta, sem deixar se levar por mentiras, ou ainda pior, meias verdades, quando se expõe uma narrativa com um pouco de verdade se torna muito difícil de desfazer o que foi corrompido, este material pode servir para quem deseja conhecer a verdadeira narrativa histórica, também será útil para referência para quem irá escrever um artigo científico sobre a Idade Média. Reparem nessa frase de site que está sendo muito divulgado, a desinformação é a referência deles. “Os excrementos humanas eram despejados pelas janelas do palácio.”

A historiadora Régine Pernoud, faz um questionamento na sua obra luz sobre a Idade Média, vejamos
“Poderemos perguntar, perante estes testemunhos inegáveis, o que é que terá sugerido a um Luchaire a estranha opinião segundo a qual as casas medievais não passavam de «pocilgas fedorentas e as ruas de cloacas»¹ ; é verdade que não cita monumento nem documento de espécie alguma em apoio da sua afirmação; concebe-se dificilmente a razão pela qual, se tinham o hábito de viver em pocilgas, os nossos antepassados puseram tanto cuidado em ornar suas casas com janelas com colunas dividindo-as ao meio, de arcaturas trabalhadas assentes em velas esculpidas, que reproduzem muitas vezes a ornamentação das capelas vizinhas, como ainda se pode ver em Cluny, na Borgonha, em Blesle, em Auvergne, na pequena vila de Saint-Antonin, na Gasconha, para não citar senão casas datadas da época romântica, quer dizer do seculo XI ou dos primeiros anos do século XII.”

Em relação a urbanização e a higienização das ruas e locais públicos, é possível verificar que a educação e a disciplina da população supera a de muitas cidades atuais.

“Quanto às ruas, longe de serem «cloacas, são pavimentadas desde muito cedo: Paris foi-o desde os primeiros anos do reinado de Filipe Augusto; por um procedimento semelhante ao da Antiguidade, as pedras eram colocadas numa camada de cimento misturado com telhas esmagadas; Troyes, Amiens, Douai, Dijon foram igualmente pavimentadas em épocas variáveis, como quase todas as cidades de França.’

E aqui entramos numa questão que é alvo de mitos espalhafatosos pela internet, parece que às pessoas se sentem confortadas em ver uma população em situação pior que a delas, mesmo que essa informação esteja errada, como é o caso do esgoto nas cidades medievais, veja, “essas cidades possuíam também os seus esgotos, cobertos a maior parte das vezes: em Paris, foram descobertos sob os terrenos do Louvre e do antigo palácio da Trémoille, datando do século XIII, e sabe-se que a Universidade e os arrabaldes da Cité tinham, duzentos anos mais tarde, uma rede que compreendia quatro esgotos e um coletor: em Riom, em Dijon e em muitas outras cidades, foi igualmente possível verificar a presença de esgotos abobadados, atestando o cuidado com a salubridade pública. Onde não existia o «tudo para o esgoto», tinham sido criados vazadouros públicos, cujas imundícies eram despejadas nos rios — tal como se faz ainda hoje – ou queimadas. Numerosas prescrições do ban referem-se ao asseio das ruas, e os agentes de polícia de então, os banniers, tinham por missão fazê-las respeitar. E assim que os estatutos municipais de Marselha ordenam a cada proprietário que varra os terrenos em frente da sua casa e que arranje maneira de as imundicies não poderem, em caso de chuva, ser arrastadas pelas águas em direcção ao porto, pelas ruas inclinadas:

haviam, aliás, sido construídas na embocadura das ruas que davam para o porto uma espécie de paliçadas destinadas a proteger as águas, que a municipalidade entendia conservar muito limpo; não eram consagradas menos de quatrocentas libras por ano para a sua manutenção, e para as limpezas que eram efectuadas periodicamente tinha-se imaginado um engenho composto por uma barca a qual estava fixada uma roda de alcatruzes que vinham alternadamente raspar o fundo e depunham a lama na barca, a qual era em seguida despejada ao largo.”

A CASA MEDIEVAL

“O elemento essencial da casa medieval, sobretudo no Norte da França, é a sala; a sala comum em que se reúne toda a família às horas das refeições e que preside a todos os acontecimentos: baptismos.

casamentos, veladas dos mortos; é na sala que se vive, é nela que a família se reúne, à noite, sob o manto da grande chaminé. para se aquecer contando histórias, antes de ir para a cama. E isto tanto nas casas dos camponeses como nos castelos. As outras divisões, quartos ou outras, são apenas acessórios; o importante é a sala familiar, aquela a que os Franco-Canadianos chamam ainda o viveiros.

Quando o nível da casa o exige, a cozinha é separada:

por vezes mesmo, nos castelos, ocupa um edifício à parte, sem dúvida para limitar os riscos de incêndio; as vastas cozinhas de mitra da abadia de Fontevrault, as do palácio dos duques de Borgonha, em Dijon, permaneceram tal e qual como estavam.

À parte isto, e sem falar das múltiplas salas de guarda, salas de aparato e outras que pode comportar uma residência senhorial, a casa burguesa inclui as oficinas de trabalho, se for caso disso, e os quartos Para entrar em todos os pormenores, não deixamos de encontrar, adjacentes aos quartos, o que chamamos de vaso sanitário ou latrina, chamados privados, longaignes ou retretes, quer dizer, aquilo que nos habituamos a designar pelo nome de W.C. Por espantoso que possa parecer, não faltava em nenhuma casa da Idade Média aquilo de não existia no Palácio de Versalhes; a delicadeza ia mesmo muito longe neste aspecto, pois parecia pouco refinado não possuir as suas retretes (banheiros) particulares, a regra manda que, pelo menos nas casas burguesas, cada um tenha as suas e seja o único a usá-las; os costumes só se tornaram grosseiros neste ponto a partir do século XVI, que aliás viu serem desprezadas quase todas as práticas de higiene que a Idade Média conhecia. A abadia de Cluny, no século XI, não contava menos de quarenta latrinas e, o que poderá parecer mais incrível, embora seja igualmente verdadeiro, as latrinas públicas existiam na Idade Média: temos provas disso em cidades como Rouen, Amiens, Agen; a sua instalação e manutenção são objecto de deliberações municipais ou entram nas contas da cidade. Nas casas particulares, as retretes (banheiros) situavam-se muitas vezes no último andar: uma conduta, que passava pelas escadas não corresponde aos “esgotos”, mas ao sistema de esgotamento, essa conduta seguia ao longo da escada, e levavam aos esgotos ou vazadouros, ou ainda a fossas muito semelhantes às usadas atualmente; utilizava-se mesmo um procedimento vizinho do das mais modernas fossas sépticas, utilizando cinzas de madeira, que têm a propriedade de decompor os detritos orgânicos:

encontramos assim menção de compra de cinzas destinadas às latrinas do hospital de Nimes, no século xv: no Palácio de Avinhão, as condutas desaguavam num esgoto que ia dar ao Sorgue. E sabe-se que foi penetrando pelas fossas das retretes o único ponto que não se tinha pensado em fortificar! — que os soldados de Filipe Augusto se apoderaram da fortaleza de Château-Gaillard, orgulho de Ricardo Coração-de-Leão.

Os quartos são mobiliados com mais conforto do que geralmente se crê; o mobiliário compreende as camas «bem adornadas e cobertas de colchas e de tapetes, com lençóis brancos e peles”, os tamboretes.”

Neste artigo foi usada apenas uma obra para referência bibliográfica, mas em outras publicações serão usadas outras Bibliografiias para o mesmo assunto, e será possível verificar que a Idade Média não era uma época de pessoas sem higiene.

PERNOUD, Régine; LUZ SOBRE A IDADE MÉDIA, P. 154-65-67-68-69
¹société française au temps de Philippe-Auguste, P. 6

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