A ADORAÇÃO DO NOME DE JESUS

A ADORAÇÃO DO NOME DE JESUS

Essa abordagem é sobre uma devoção ao Santo nome de Jesus, pode-se fazer uma abordagem nos aspectos psicológicos, como uma análise da questão das crenças populares, à questão antropológica – teológica, Huizinga aborda como um problema de uma fé movida pelas emoções mais primitivas.
Johan Huizinga nos fala de um determinado período medieval da seguinte forma “as emoções religiosas daquela época tendiam a se transformar em representações coloridas e profusas. A mentalidade de então acreditava que tinha compreendido o mistério uma vez que o tivesse diante de seus olhos. Assim, a necessidade de reverenciar o inexprimível sob a forma de símbolos visíveis isso resultou na constante criação de novas imagens.”

“No século XIV, a cruz e o cordeiro já não eram mais suficientes enquanto objetos visíveis do amor transbordante por Jesus: a eles somava-se a veneração do próprio nome de Jesus”, aqui o leitor pode observar à questão da idolatria sem uma imagem de uma determinada forma humana ou aspectos de algum deus pagão, continuando com a narrativa histórica, “que em alguns casos até ameaçava eclipsar a da própria cruz. (…). “Após concluir um magnifico sermão Bernardino de Siena acende duas velas e apresenta uma placa de aproximadamente setenta centímetros na qual, em letras douradas sobre fundo azul, está escrito o nome Jesus, cercado por raios: o povo que enchia a igreja caiu de joelhos, todos juntos chorando e gritando de doce comoção e de terno amor por Jesus. Muitos outros franciscanos, e também pregadores de outras ordens, imitaram a prática: Dionisio Cartuxo foi retratado erguendo uma dessas placas. Os raios de sol no topo do brasão de Genebra derivam dessa veneração. Essa prática preocupava as autoridades religiosas; falava-se de superstição e idolatria.”

O leitor pôde observar que a Igreja Católica, sempre teve uma preocupação em relação às devoções populares, dando uma orientação correta sobre o culto de adoração. Pode-se perceber que é uma devoção popular, mas traz uma profunda raiz teológica. O povo ignorante participava do mistério da invocação do Santo Nome desta forma.
Essa placa inclusive é o que depois se tornaria o emblema dos jesuítas. E hoje está dentro do brasão do Papa.
Como Huizinga teve uma educação Protestante, certamente ele se equivocou na sua análise, a devoção ao Santo Nome de Jesus foi muito positiva naquele período, e cresceu ao ponto de se tornar uma festa litúrgica no rito antigo.
O fato indica em si traz um caráter sensível da devoção popular, como o povo simples se move muito mais pelas imagens do que pela teoria. Pode ter idolatria no meio, e perceba que não se trata de uma imagem que a figura de algum Santo, mas o nome de Jesus, o problema de erros da devoção popular pode ser encontrado nos dias atuais, nos dias somos mais esclarecida, mas temos sempre que discernir.

“E houve tumultos a favor e contra o uso. Bernardino foi intimado a se apresentar perante a Cúria, e o papa Martinho v proibiu o costume. Só que a necessidade de venerar o Senhor de forma visível logo encontrou uma forma lícita: o ostensório, que expunha a própria hóstia como objeto de adoração. No lugar do formato de torre, que apresentava quando apareceu pela primeira vez no século XIV, o ostensório logo passou ao formato do sol radiante, símbolo do amor divino. Também nesse caso a Igreja manifestou certas reservas; de início, o uso do ostensório era apenas permitida durante a semana da celebração do Corpus Domini.”

Perceba o leitor que mais uma vez Huizinga se equivoca, pois o reconhecimento oficial do Santo Nome foi dado pelo papa Gregório X no Concílio de Lyon em 1274 No século XIV, Henrique Suso, na Alemanha, e Ricardo Rolle na Inglaterra promoveram a devoção ao Santo nome ² Rolle acreditava que o nome “Jesus” tinha um extraordinário poder intrínseco parecido com a reverência, no Antigo Testamento, ao YHWH.

“Por isso Deus o exaltou, soberanamente, e lhe outorgou o Nome que está acima de todos os nomes, para que ao Nome de Jesus se dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos. E toda língua confesse, para a glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é Senhor” (Fil 2,9-11).

“No século XV, o franciscano Bernardino de Siena promoveu ativamente a devoção ao Santo Nome. Ao final de seus sermões, ele geralmente mostrava o cristograma numa tábua em letras douradas”¹, e então pedia que o público “adorasse o Redentor da humanidade”. Como esta prática era algo heterodoxa, ele foi levado perante o papa Martinho V que, ao invés de refutar Bernardino, encorajou a prática e se juntou a uma procissão do Santo Nome Roma². A devoção ao Santo Nome se tornou tão popular na Itália que o cristograma era frequentemente gravado acima da porta das casas dos fieis ³ A tábua utilizada por Bernardino é atualmente venerada na basílica de Santa Maria in Aracoeli em Roma⁴.

Ao final da obra de Huizinga, o Históriador Jacques Le Goff faz uma avaliação do outono da Idade Média:
“Durante um bom tempo, a Idade Média conseguiu integrar o recalque numa certa liberdade dos sentidos. Isso foi possível por que o cristianismo medieval havia se revelado capaz de unir duas formas de religião: a religião popular e a religião dos letrados, que é ou tende a ser uma religião racionalizada.”

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