𝐀 𝐄𝐒𝐂𝐀𝐓𝐎𝐋𝐎𝐆𝐈𝐀 𝐂𝐎𝐋𝐄𝐓𝐈𝐕𝐀

𝐀 𝐄𝐒𝐂𝐀𝐓𝐎𝐋𝐎𝐆𝐈𝐀 𝐂𝐎𝐋𝐄𝐓𝐈𝐕𝐀

Nos textos anteriores tratamos principalmente da escatologia individual, o que foi verificado através de documentos; no Vaticano II, ao contrário, em que tudo é envolvido e animado pela idéia de Igreja como povo de Deus, preferiu-se deslocar o acento para as últimas realidade coletivas, sociais e até cósmicas.

𝐂𝐎𝐍𝐂Í𝐋𝐈𝐎 𝐕𝐀𝐓𝐈𝐂𝐀𝐍𝐎 𝐈𝐈 (XXI ecumênico)

𝗖𝗼𝗻𝘀𝘁𝗶𝘁𝘂𝗶çã𝗼 𝗟𝘂𝗺𝗲𝗻 𝗴𝗲𝗻𝘁𝗶𝘂𝗺 (𝘀𝗲𝘀𝘀. 𝗩-𝟮𝟭 / 𝟭𝟭 / 𝟭𝟵𝟲𝟰)

Já no primeiro capítulo da constituição sobre a Igreja” o Vaticano II descreve a consumação do plano salvífico de Deus na Jerusalém celeste, onde vivem todos os justos reunidos em volta do Pai. A Igreja neste mundo é a Igreja peregrina: o cap. II diz que ela caminha, pela Cruz, “para a Luz que não conhece ocaso” [donec per crucem perveniat ad lucem, quae nescit occasum”.

Isto, porém, não bastava para concluir que a Lumen gentium tratasse também da escatologia: o tema não era abordado nem no texto discutido no primeiro periodo (1 7/12/1962), nem no novo texto reescrito e que foi examinado a partir da congregação geral em 30/09/1963, na segunda fase. Nesta congregação, porém, propôs o Cardeal Frings que o esquema fosse completado com uma sessão que apresentasse a Igreja como comunidade escatológica dos santos, seção em que acharia sua justa posição uma declaração sobre Maria e seu significado como modelo da Igreja.

A intervenção do Cardeal Frings pode ser considerada como a gênese histórica dos capítulos VII e VIII da Lumen gentium. O cap. VII, depois de uma primeira consideração geral sobre a escatologia católica”, dirige a atenção para as almas dos bem-aventurados, nos quais já se realizou a consumação da santidade. A escatologia é vista como uma tensão para a bem-aventurança, e o capítulo a insere justamente logo depois da vocação universal à santidade, e faz dela a conexão com o capítulo seguinte sobre Maria, figura e modelo da Igreja.

𝐍𝐀𝐓𝐔𝐑𝐄𝐙𝐀 𝐄𝐒𝐂𝐀𝐓𝐎𝐋Ó𝐆𝐈𝐂𝐀 𝐃𝐀 𝐈𝐆𝐑𝐄𝐉𝐀 𝐏𝐄𝐑𝐄𝐆𝐑𝐈𝐍𝐀 𝐄 𝐒𝐔𝐀 𝐔𝐍𝐈Ã𝐎 𝐂𝐎𝐌 𝐀 𝐈𝐆𝐑𝐄𝐉𝐀 𝐂𝐄𝐋𝐄𝐒𝐓𝐄

𝑫𝒂 í𝒏𝒅𝒐𝒍𝒆 𝒆𝒔𝒄𝒂𝒕𝒐𝒍ó𝒈𝒊𝒄𝒂 𝒅𝒂 𝒏𝒐𝒔𝒔𝒂 𝒗𝒐𝒄𝒂çã𝒐 𝒏𝒂 𝑰𝒈𝒓𝒆𝒋𝒂

A Igreja, à qual somos todos chamados em Cristo Jesus e na qual, pela graça de Deus, alcançamos a santidade, só se consumará na glória celeste quando chegar o tempo “da restauração de todas as coisas” (At 3,21), e quando, com o gênero humano, também o mundo inteiro, que está intimamente unido ao homem e que, por ele, chega ao seu fim [Como na GS (cf. FC n. 0.062), também a LG ressalta o aspecto cósmico da escatologia, “intimamente unido ao homem”: não pretende, porém, explicar que relação haja entre a dimensão da atual existência humana e a do mundo futuro (cf. nota 124)], será perfeitamente restaurado em Cristo (cf. Ef 1,10; CL 1,20; 2 Pd 3, 10 13).

Cristo, levantado da terra, atraiu todos a Si (cf. Jo 12,32). Ressuscitado dos mortos (cf. Rm 6,9), enviou aos discípulos Seu Espírito vivificador, e por Ele constituiu Seu Corpo, que é a Igreja, como sacramento universal de salvação [Ecclesia ut universale salutis sacra mentum]. Sentado à direita do Pai, age continuamente no mundo para conduzir os homens à Igreja e, por ela, uni-los mais estreitamente a Si, e, alimentando-os com Seu próprio Corpo e Sangue, fazê-los participantes da vida gloriosa. Por isso, a prometida restauração que esperamos já começou em Cristo, é levada adiante na missão do Espírito Santo e por Ele continua na Igreja, na qual, pela Fé, somos instruídos também sobre o sentido da nossa vida temporal, enquanto, com a Esperança dos bens futuros, levamos a termo a obra que nos foi confiada no mundo pelo Pai e efetuamos [operamur] a nossa salvação (cf. Fl 2,12).

Já chegamos, portanto, ao fim dos tempos (cf. 1 Cor 10,11) e a renovação do mundo [renovatio mundi] foi irrevogavelmente decretada e, de certo modo real, é antecipada neste mundo: de fato, a Igreja, já sobre a terra, se distingue pela verdadeira santidade, embora imperfeita. No entanto, até que haja novos céus e nova terra, em que habite a justiça (cf. 2 Pd 3,13), a Igreja peregrina, nos seus sacramentos e nas suas instituições, que pertencem à idade presente, traz a figura deste mundo que passa e, ela mesma, vive entre as criaturas, que gemem e sofrem como que dores de parto até o presente e aguardam a manifestação dos filhos de Deus (cf. Rm 8, 19-22).

Unidos, portanto, a Cristo na Igreja e marcados pelo Espírito Santo, “que é penhor da nossa herança” (Ef 1,14), somos na verdade chamados filhos de Deus e, de fato, o somos (cf. 1 Jo 3,1), mas ainda não aparecemos com Cristo na glória (cf. Cl 3,4), na qual seremos semelhantes a Deus, porque O veremos tal como Ele é (cf. 1 Jo 3,2). Por isso, “enquanto estamos no corpo vivemos no exílio, longe do Senhor” (2 Cor 5,6) e, embora tenhamos as primícias do Espírito, gememos dentro de nós (cf. Rm 8,23) e desejamos estar com Cristo (cf. Fl 1,23). Por esta mesma Caridade somos impelidos a viver mais para Aquele que por nós morreu e ressuscitou (cf. 2 Cor 5,15). Por isso, nos esforçamos para agradar em tudo ao Senhor (cf. 2 Cor 5,9) e nos revestimos da armadura de Deus, para que possamos estar firmes contra as ciladas do demônio e resistir no dia mau (cf. Ef 6,11.13). Mas como não sabemos o día, nem a hora, é preciso, conforme a advertência do Senhor, que vigiemos constantemente (cf. Mt 24, 42; 25, 13; Mc 13,33), para que, ao terminar a nossa única passagem por esta vida terrena (cf. Hb 9, 27), mereçamos entrar com Ele no banquete nupcial [ad nuptias] e sermos contados entre os benditos [de Seu Pai] (cf. Mt 25, 31 46) e não sermos repelidos, como servos maus e preguiçosos (cf. Mt 25,26), para o fogo eterno (cf. Mt 25,41), para as trevas exteriores, onde “haverá choro e ranger de dentes” (Mt 22,13; 25,30).

De fato, antes de reinarmos com Cristo glorioso, compareceremos todos “diante do tribunal de Cristo, para que cada um receba de acordo com o que tiver feito, enquanto estava no corpo, de bem ou de mal” (2 Cor 5,10). E no fim do mundo “aqueles que fizeram o bem ressuscitarão para a vida, mas aqueles que fizeram o mal ressuscitarão para a condenação” (Jo 5,29; cf. Mt 25,46). Tendo convicção de que “os sofrimentos da vida presente não têm proporção com a glória futura, que se manifestará em nós” (Rm 8,18; cf. 2 Tm 2, 11-12), aguardamos, fortes na Fé, “a esperança bem-aventurada e o advento glorioso do grande Deus e Salvador nosso Jesus Cristo” (Tt 2,13), “que transfigurará nosso corpo de miséria, para que seja semelhante [configuratum] ao Seu Corpo glorioso” (Fl 3,21), e que virá “para ser glorificado nos seus santos e ser reconhecido admirável [admirabilis fieri] em todos os que creram” (2 T’s 1,10).

𝗗𝗮 𝗰𝗼𝗺𝘂𝗻𝗵ã𝗼 𝗱𝗮 𝗜𝗴𝗿𝗲𝗷𝗮 𝗰𝗲𝗹𝗲𝘀𝘁𝗲 𝗰𝗼𝗺 𝗮 𝗜𝗴𝗿𝗲𝗷𝗮 𝗽𝗲𝗿𝗲𝗴𝗿𝗶𝗻𝗮

Portanto, até que venha o Senhor em Sua majestade e com Ele todos os anjos (cf. Mt 25,31) e, destruída a morte, Lhe sejam sujeitas todas as coisas (cf. 1 Cor 15, 26-27), alguns de Seus discípulos peregrinam na terra, outros, já passados desta vida, estão se purificando, enquanto outros, enfim, vivem já na glória, contemplando “claramente o próprio Deus Uno e Trino, tal como Ele é”; todos, porém, ainda que em grau e modo diversos, comungamos na mesma Caridade de Deus e do próximo e cantamos o mesmo hino de glória ao nosso Deus. Todos aqueles que são de Cristo, de fato, tendo o Seu Espírito, formam uma só Igreja e Nele estão unidos entre si (cf. Ef 4,16). Por isto, de modo nenhum se interrompe a união dos que estão na terra com os irmãos que adormeceram na paz de Cristo; pelo contrário, segundo a Fé constante da Igreja, esta união se fortalece pela comunhão [communicatione] dos bens espirituais (…).

Reconhecendo perfeitamente esta comunhão de todo o Corpo Místico de Jesus Cristo, a Igreja peregrina [Ecclesia viatorum], desde os primeiros tempos da religião cristã, venerou [excoluit] com grande piedade a memória dos defuntos, e ofereceu também sufrágios por eles, porque “é santo e salutar o pensamento de rezar pelos mortos, para que sejam livres de seus pecados” [ut a peccatis solvantur] (2 Mc 12, 46) (…).

𝗗𝗶𝘀𝗽𝗼𝘀𝗶çõ𝗲𝘀 𝗽𝗮𝘀𝘁𝗼𝗿𝗮𝗶𝘀 𝗱𝗼 𝗰𝗼𝗻𝗰𝗶𝗹𝗶𝗼

Esta veneranda Fé dos nossos pais [maiorum nostrorum] sobre a nossa vital união com os irmãos que estão na glória celeste ou que ainda, depois da morte, estão se purificando, este sacrossanto concílio a recebe com grande piedade e de novo propõe os decretos dos sagrados Concílios: II de Nicéia, de Florença e de Trento. E ao mesmo tempo, em razão de sua pastoral solicitude, exorta todos aqueles, aos quais isto se aplique, a que tratem de suprimir ou corrigir quaisquer abusos, excessos ou faltas que acaso se tenham introduzido, e a que tudo restaurem para maior louvor de Cristo e de Deus (…).

Bibliográfia: COLLANTES, Justo, A Fé Católica: Documentos do Magistério da Igreja

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