História da igreja primitiva

A IGREJA EM SEU DESENVOLVIMENTO

AQUILO QUE FOI DITO E CRIDO, EM TODO LUGAR, EM TODO TEMPO E POR TODO FIEL

“Não podemos deixar de falar do vimos e ouvimos!” Mais vale obedecer a Deus do que aos homens (At 4, 20)

A expansão do Cristianismo começou logo após sua fundação e nunca mais parou. Este é um dos traços mais surpreendentes de toda a sua história. A igreja não é uma entidade petrificada, definida e delimitada de uma vez para sempre, é uma força viva que progride, uma realidade humana que se desenvolve na sociedade segundo uma lei que chamaríamos orgânica, tal o modo como sabe se adaptar às circunstâncias, utilizar para seus fins as condições de lugar e tempo, tornar-se prudente na sua audácia e lentamente persuasiva mesmo nas rupturas que provoca, sem nunca perder de vista o seu fim único : o estabelecimento do reino de Deus.

O desenvolvimento da comunidade cristã não tardaria em suscitar problemas, em primeiro lugar o das relações com o mundo judaico de que ela fazia parte. Como sabemos os primeiros fiéis de Cristo não se colocavam à margem da obediência à Torah. Não tinha dito Jesus (Mt 5, 17-18) que não viera “abolir a lei ou os profetas, mas consumá-los”? Não tinha afirmado que não passaria “um jota ou um til da lei”?
No entanto, começava a desenhar -se uma fenda entre os primeiros cristãos e os israelitas. Sem que o procurassem, simplesmente porque viviam em Jesus, a sua existência iria diferenciá-los na prática daqueles que não criam nele. Um exemplo, era a festa ritual do sabbath, destinada unicamente à oração, celebrava-se todos os sábados. Sabemos que os primeiros fiéis a observavam da mesma forma que os judeus. Mas ao mesmo tempo lhes aparecia uma outra festa, a do “dia do senhor”, em que se comemorava a ressureição. Nas epístolas de São Paulo ( 1cor 16,2), nos Atos (20,7), e também no texto não-canônico chamado Carta de Barnabé, que data aproximadamente do ano 132, encontra-se a prova de que”este primeiro dia da semana” era festa cristã. Daí resultou uma rivalidade entre esses dois dias igualmente santos, e pouco a pouco o domingo foi prevalecendo. Foi por meio de situações como essa que os primeiros Cristãos passaram a tomar consciência de si próprios e a revelar -se nitidamente diferentes dos outros Judeus.

Em um determinado momento os judeus passaram a perseguir ou manter sob vigilância os herdeiros do crucificado. No século II, São Justino apresenta o judeu Trifão pronunciando estas palavras, que bem revelam um estado de espírito anticristão: “Sabemos perfeitamente que as escrituras anunciam um messias sofredor, que voltará em glória para receber o reinado eterno sobre o universo. Prova-lhes, porém, que ele deva ser crucificado, que deva passar por essa morte de verge infâmia, morte amaldiçoada pela lei, por porque nós nem sequer a conceber tal coisa”. O conflito era fatal, portanto, o livro dos Atos logo nos primeiros capítulos (3 e 4) relata-nos um episódio revelador. Pouco tempo depois de pentecostes, Pedro e João sobem ao templo para a oração da hora nona. Já tinham passado o pátio dos pagãos, onde qualquer um podia entrar, mesmo que não estivesse circuncidado. No momento em que iam subindo a escadaria que conduzia ao recinto do Tabernáculo, um paralítico pediu-lhes esmola. “Não tenho ouro nem prata”, respondeu São Pedro, “mas o que tenho isso te dou: em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda” (At 3,6).

Nesse momento a multidão a multidão fica sabendo do milagre e vão ao pórtico de Salomão ao encontro de Pedro. O apóstolo a ocasião e fala. Afirma que foi em nome de Jesus, o mesmo que foi crucificado, que se realizou essa cura surpreendente. E reafirma sua fé no Messias Jesus. Aqueles que o escutam, aqueles que mataram o mestre, bem como seus chefes, pecaram por ignorância. É preciso que se arrependam e se convertam! Nesse momento surgem os sacerdotes e o comandante dos guardas do templo. Os apóstolos são detidos e mandados para a prisão. No dia seguinte, reúne-se o Sinédrio, sob a presidência do sumo sacerdote Anás também se encontra Caifás, um velho conhecido, e sem dúvidas muitos daqueles que condenaram Jesus. Interrogaram Pedro, e ele torna a falar, indiferente as represálias do tribunal. A pedra que vós rejeitastes tornou-se a pedra a pedra angular. Não há salvação senão em Jesus, e abaixo do céu nenhum outro nome foi dado aos homens pelo qual eles possam se salvar!” O Sinédrio proíbe que os dois Apóstolos falem e ensinem em nome de Jesus é então que Pedro e João dão a resposta que é o fundamento da tradição cristã: “Não podemos deixar de falar do que vimos e ouvimos !” Mais vale obedecer a Deus do que aos homens (At 4,20).

Assim se define uma oposição cada vez mais acirrada entre os judeus da Torah e os judeus da cruz. Em pouco tempo, a relativa tolerância dos chefes de Israel cessará e dará lugar a perseguição. Pedro e João vão passar por essa por essa perseguição, serão presos novamente e, desta vez, açoitados. Isso aconteceu em Jerusalém e em outras cidades, procuraram lutar com todos os meios contra a pregação da boa nova, mas os primeiros fiéis à doutrina de Jesus vão se recusar a se calar “ocultar a luz debaixo do alqueire”. Não poderão deixar de falar! Quanto mais os perseguirem mais será a sua força e audácia, pois sempre hão de considerar-se “felizes por terem sido dignos de padecer ultrajes pelo nome de Jesus” (At 5, 41).


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